17 de Novembro de 2014

Portugal - Mais de 200 castas...


A pedido de algumas famílias, consegui convencer o meu "Dealer" das camisolas a "arranjar" mais para a malta. Assim, passarei a publicar, com a frequência com que as for criando, imagens do boneco e antevisão do produto final.
Normalmente, podem escolher as cores para as camisolas, o tipo de camisola (Sweat, sweat com carapuço e t-shirt) e as cores das estampas!
Os preços começam, normalmente, nos 9,99€ para as t-shirts mais simples e depois variam consoante a estampa e complexidade do boneco!

Estas, durante o "lançamento" ficam em 9,99€ para a t-shirt e 24,99€ para a sweat com capuz.
Quem estiver interessado contacte-me, via Facebook ou mail.


16 de Novembro de 2014

Diário - #winecult, um passo de gigante


Querido diário,

Hoje demos um passo grande. O nosso primeiro projecto de tinto passou para as barricas.
Para além das escolhas e dos seus porquês, que guardarei para o local próprio, importa referir porque é este momento mais importante do que uma simples trasfega, uma simples mudança de tercios.

Transferir um vinho tinto para uma barrica é um passo de assumpção. É um passo de compromisso. È uma aposta num futuro que desconhecemos mas que arriscamos adivinhar. Em produções de garagem como a nossa, joga-se o tudo ou nada. Umas vezes ganha-se, outras perde-se.
Não quero dramatizar em demasia um passo simples, mas este revestiu-se de significado.

Até para mim que tenho alguma experiência, devo confessar que foi um ano estranho, confuso, cheio de falsos sinais. Durante a fermentação, cada dia tínhamos um vinho novo na cuba, uns dias saia da adega feliz, outros tristes, sempre com imensas duvidas. Sempre a fazer contas de cabeça.
Hoje, senti que até à primeira gota de vinho entrar na barrica, o Ricardo estava com a mesma tenção e as mesmas duvidas que eu. Provámos repetidamente o vinho à procura de um vislumbre do futuro. 
Já íamos a meio da primeira barrica quando o Ricardo olhou para mim, ergueu o copo e disse: 

"ei... isto vai ser um grande vinho!"

Rimos os dois e nesse momento, as duvidas foram-se. 

Não é verdade que um vinho tem de se mostra aos seus criadores logo no inicio da vida. Não é verdade que os sinais iniciais venham a corresponder obrigatoriamente ao resultado final. Não é verdade que num vinho feito fora de controlo industrial as certezas abundem.

Independentemente disso, as barricas estão agora cheias, os batoques selados, a casa arrumada. Está nas mãos dos Deuses!

Este vinho está a ser feito para quebrar regras, para provocar, talvez também para inovar. Quando se contraria muito do que nos é implantado durante anos e anos de pratica, surgem duvidas, receios, ressalvas, ses...

Mas sabe (so focking) bem!






14 de Novembro de 2014

Vinhos Portugueses no topo das classificações internacionais põem a nu a falência do Marketing de curto prazo!

Foto usada a partir daqui


Estranho! 
Muito estranho! 

Estes classificaçõe de 3ª (Douro Chryseia 2011) e 4o (Quinta do Vale Meão 2011), top wines pela Wine Spectator são mesmo para vinhos Portugueses?

FEITOS COM CASTAS NACIONAIS?

Como é possível! 
Tanta Merlot, tanta Syrah, tanta Cabernet, tanta moda e modinha e depois é isto? E os sticky products, esses grandes motores da internacionalização dos vinhos Portugueses que consistiam no lote entre castas PT com outras mais famosas? Onde ficam nestas tabelas?
Então anda um gajo a investir e a seguir os conselhos dos grandes gurus do Marketing de vinhos nacionais e depois é isto?
Está mal, só vos digo!

Pior ainda é que agora vou ter de gramar com as reportagens feitas por eno analfabetos (tenho duvida se serão apenas eno...) onde, mais do que os vinhos, a sua origem, a cultura subjacente, interessará a massagem ao ego ferido dos pobres Portugueses que, continuam a deixar-se "enrabar" de todas as maneiras, por todos os tipos de poder, mas não obstante, têm outra vez os "melhores vinhos do mundo" (mesmo que uma coisa não tenha nada a ver com a outra).

Acabam por não lhes tocar porque custam mais de 5€ e como sabemos, 5€  é considerado uma fortuna para dar por um vinho. Ninguém em Portugal cai nesse logro!
Haja alegria que ignorância não nos falta!

Os meus sinceros parabéns a quem continua a insistir nesta loucura que é fazer vinhos Portugueses em Portugal!
"Gandas" Malucos!

11 de Novembro de 2014

A vantagem de ser Enólogo e Wine Blogger




Ser blogger é uma das "coisas" que mais me completa enquanto enólogo! Duvidam?

Não duvidariam se recebessem o mesmo numero de convites, pedidos de morada para envio de amostras e tentativa de descarga massivas das notas de imprensa que me impingem numa base diária!


Não levo a mal, claro, não tenho porquê! Mas diz muito sobre a forma como as agências de comunicação fazem o seu trabalho!
Vê-se mesmo que conhecem os blogs, os bloggers e o trabalho de quem contactam!

Se não sabem. Se não conhecem a diferença entre despejar informação e comunicar, então, acho que sozinho consigo fazer melhor trabalho!

Talvez siga o exemplo e comece a vender serviços, para além de enologia, também desta nova forma de circulares dobradas a que dão o nome de "Comunicação"!
O que acham?

6 de Novembro de 2014

Chave de mangueiras... essas malucas!


Ninguém, no seu perfeito juízo, poderá dizer que sabe o que é trabalhar numa adega se nunca perdeu uma chave de mangueiras. Ponto!

A verdade é que, depois de apuradíssimos estudos, altamente científicos, descobri que as bichas têm vida própria à qual juntam um sentido de humor de uma criança de 5 anos.
Ora, as tabelas e gráficos (que só não mostro para não vos enfadar) demonstraram que, não sou eu que as deixo em qualquer lugar, mas sim elas que vivem numa constante vontade de brincar às escondidas e fogem para qualquer lado longe da vista à menor distracção.

Fica então esclarecido este facto a todos que, como eu, podiam ter 20, 30 quiçá 100 palhaças destas que nunca saberiam de nenhuma.

Tenho feito registo fotográfico dos sítios mais estranhos onde as vou descobrindo. Ora vejam lá se alguém, no seu perfeito juízo as meteria...

...no fundo de uma celha de lavagem. Com água!
... em cima de uma cuba
... no laboratório, em cima de um aparelho de destilação
... na secretária
... dentro de uma cuba
... em equilíbrio nos locais mais estranhos. São radicais! 
... no empilhador
... agarrada a uma mangueira. Disfarce perfeito!
... onde nunca serão precisas
... junto dos vinhos acabados? Será que querem viajar?
... no bolso das calças! Tem muita saída esta!
... sem comentários!




4 de Novembro de 2014

Sabedoria do Mendes - (VII)



MALTA, MALTA, MALTA....

Pela ultima vez:

 È trASfega e não trANSfega.

Trasfega refere-se à passagem de um liquido de um local para outro.
Tranfega, pura e simplesmente não existe!
Está bem?

Então vá!

1 de Novembro de 2014

Vinhos brancos em 3 classes.



Quem me conhece, sabe que não gosto muito de classificações, provas cegas, procuras da qualidade absoluta e essas merdas que nos têm impingido ao longo dos últimos anos.
Gosto de apreciar o vinho, gosto de ter prazer e gosto de poder arrumar o que sinto em compartimentos, mais ou menos selvagens que me ajudam a interpretar o que sinto.

Aos brancos, compartimento-os em 3 categorias distintas. Estas, chegam-me para agrupar 90% dos vinhos existentes. Devo alertar que ficaria mais bonito arranjar nomes para cada uma delas. Talvez um dia o faça. Hoje não me apetece!

Categoria 1 – Nesta categoria, enquadro os vinhos que não me dão sensações nenhumas, ou muito reduzidas. Que não me fazem desejar bebe-los, vinhos "rapados" da maior parte dos constituintes que lhe podiam dar graça ou identidade. São normalmente vinhos que respeitam a constituição química, e pouco mais!
Na representação mental, imagino um copo, só com água.

Categoria 2 – Aqui enquadro os vinhos que, para além da base (Categoria 1), normalmente boa, possuem ainda elementos aromáticos intensos. São vinhos directos, com poucos descritores, mas bem definidos. Pouco complexos, são vinhos que não evoluem muito no copo e duram pouco na garrafa. Vêm muitas vezes munidos de uma boa dose de açúcar residual (não obrigatoriamente) e podem ou não ter namoro com a madeira. São quase sempre muito fáceis de descrever.
Costumo representa-los como um copo de água, com uma flor bonita lá dentro. Olhamos e imediatamente vemos toda a beleza da flor. Tudo nos é revelado no primeiro olhar.

Categoria 3 – Para esta categoria mando todos os vinhos com complexidade, que não mostram logo tudo, mas antes, que vão abrindo e revelando aos poucos o que têm para me dar. O prazer total não é imediato. É-me dado em pequenas doses que fazem aumentar ainda mais a excitação. São vinhos, normalmente difíceis de descrever, porque têm um espectro mais alargado, contudo, intensidade mais baixa.
Represento-os com o mesmo copo de água, só que lá dentro está um bolbo fechado. Ou seja, imediatamente percebemos que é diferente dos vinhos da categoria 1, mas ao contrário dos da categoria 2 não sabemos logo o que tem ele para nos dar. Imagine agora aqueles chás chineses em que os bolbos são enfiados em água quente e começam a abrir para as mais variadas formas de flores. A emoção dos vinhos desta categoria é precisamente o acompanhar dessa revelação, a atenção em cada novo detalhe, o estimulo à imaginação nos detalhes ainda não revelados.

Por norma, não tenho paciência para consumir vinhos da categoria 1, não sou um fã dos vinhos da categoria 2, preferindo sempre os da categoria 3, embora reconheça que há momentos que têm uma relação de exclusividade com os vinhos da categoria par!
O publico generalizado e a prova cega têm tendência a preferir imediatamente os vinhos da categoria 2 em detrimento dos outros. É um facto que ligo mais ao factor orgânico dos sentidos que usamos na prova do que propriamente a favorecimentos, conspirações, ignorâncias ou mesmo vontade de chatear. Os nossos sentidos foram desenvolvidos para nos proteger e só depois é que nos começaram a dar prazer. Defendem-nos sempre da confusão. 

Por fim, nada disto pode, ou deve ser usado para avaliar um vinho fora do momento do consumo. Se é um facto que conheço muitos vinhos que iniciam a sua vida na fase 2 e depois evoluem para a fase 3 (os bons Bucelas são um exemplo claro disso), a experiência diz-me que a maior parte dos vinhos que nasce 2 morre antes de se tornar 3. 
Mas... cuidado.
Muito cuidado!

27 de Outubro de 2014

Sabedoria do Mendes (VI)


Noto uma tendência crescente para que, mesmo dentro da gama de vinhos de um produtor, termos, em concursos nacionais e internacionais, bem como em painéis de prova mais ou menos cega, os vinhos de gamas mais baixas com classificações mais altas que os topos de gama. Também vejo muitos produtores industriais a serem melhor classificados que produtores "terroaristas".

A confirmar-se, quem achar que isso se deve pura e simplesmente à qualidade dos vinhos, deveria ser proibido de os continuar a fazer. Deveria  ser condenado/a a uns 10 anos de prisão efectiva mais proibição vitalícia de se aproximar de uma adega.

Quem perceber o porquê, por favor, explique-me... estou à nora!

21 de Outubro de 2014

Diário - Pondo a escrita em dia


Querido diário:

Durante o período alto da Vindima, é normal e frequente, deixar os registo para trás. Não gosto que assim seja, até porque desta forma, acabam por perder uma parte fundamental do seu "papel" que é auxiliar às decisões. Mas... é vida! Não vale a pena explicar!

Vale-me o treino, aliado a alguma capacidade para analisar os números sem necessidade que sejam organizados em tabelas ou gráficos (longe de ser infalível, contudo!) para ir tomando as decisão nos tempos certos.

Findo o período de maior reboliço, há que voltar ao papel, com algumas análises à mistura a fim de fechar as informações e compilar histórico que me será útil no futuro. Aproveito para tomar algumas notas e começo a esboçar algumas conclusões sobre as decisões tomadas antes e durante o processo de vinificação.
Considero ainda que para as empresas, é importante guardarem um registo histórico de cada vinho.

Confesso que este trabalho, nos seus dois componentes me agrada e desagrada. Se por um lado me aborrece de morte, andar a rebuscar e compilar todos os dados recolhidos durante a "festa", por outro, não deixa de ser verdade que me dá um prazer imenso, pensar sobre os vinhos, rever decisões, tomar notas, projectar futuros,...
Acaba por equilibrar! 
Valha-me isso!

Até amanhã!






19 de Outubro de 2014

Faça o seu próprio Vinagre a partir de vinho.



Este, acaba por ser um não tema. O que vou dizer, já toda a gente sabe, mas... de vez em quando, convém lembrar e dar-lhe nova roupagem. Este vem ainda como uma dica de poupança! 

Sabe que o vinho desprotegido e em contacto com o ar vira vinagre. Certo?
Então? Porque não pega neste conhecimento e fazuns vinagres porreiros para animar as saladas e oferecer aos amigos. Ao mesmo tempo, aproveita os restos de vinho que ficam por beber e aos quais não lhe apetece voltar.

O principio é simples. Basta seguir este fluxo:

Passo 1: Pegue numa garrafa, da qual foi retirado, pelo menos um terço do conteúdo a fim de providenciar uma boa caixa de ar. Invista apenas num molho (è assim que se diz?) de algodão e proteja o gargalo com um bocado (para permitir a troca de ar ao mesmo tempo que impossibilita a entrada de mosquitos).

Passo 2: "Esqueça-se" da garrafa num local arejado, escuro e sujeito à temperatura ambiente. Se quiser complicar um bocado, pode repetir o processo para outras garrafas, de preferência de diferentes tipos de vinhos e em diferentes condições de armazenamento, a fim de mais tarde possa seleccionar o melhor!

Passo 3: Quando a prova indicar que é vinagre feito (precisa de uns meses), filtre o liquido (com os filtros do café, por exemplo) e reserve no recipiente que lhe estiver destinado! Se complicou no passo 2, pode agora provar todos os vinagres e descobrir qual deles tem o melhor sabor, o mais límpido e o mais adequado para servir de inoculo para os próximos! (normalmente aquele que, para além dos tons acético, souber menos a pão, farinha ou massa crua).

A partir daqui, o limite é apenas no tamanho da sua imaginação. Pode fazer vinagres específicos, a partir de tipos específicos de vinho (Branco, branco com madeira, tinto, espumante, colheita tardia,...). Pode fazer infusões com ervas, pode fazer lotes, pode, pode....

De certeza que se viciará e quererá continuar com a brincadeira. Aconselho a usar o inóculo que escolheu no passo 3 e verá que obterá vinagres muito mais rapidamente.


Vá lá, divirta-se e depois conte aqui os resultados!



17 de Outubro de 2014

Enólogo. Procura-se.



Estou há 10 minutos em frente do computador a tentar arranjar uma forma irónica de dizer o que tenho para dizer. Não consigo, pois quanto mais tempo passo de volta desta ideia, mais depressivo fico e mais argumentos encontro para que este seja mais um daqueles casos óptimos que descrevem a forma como os empresários Portugueses pensam. 

Vi um anuncio de emprego em que uma empresa não especificada pedia um enólogo. Não vou descrever o anuncio, pois está na rede, é uma questão de pesquisarem. Perplexo fiquei quando vejo que o empregador, não querendo levar ninguém ao engano, afirma estar disposto a pagar 500€ mais pozinhos ao técnico superior que está à procura. Fiquei curioso, será que está à procura de um consultor? Um olhar mais atento dissipou-me a duvida. Não "tempo inteiro"! 
Melhora quando temos em conta que pede experiência!

Sério?

Antes que comecem a fazer alardo das papagueadas que os "politicoides" do "economês" gostam de propagandear para justificar a incompetência generalizada da gestão portuguesa, peço que, pelo menos, leiam e pensem nos meus argumentos! Prometo que pensarei nos vossos!

Ponto 1: È imoral o facto de andarmos todos a pagar impostos que também vão para a formação de técnicos superiores e depois esperar que estes sejam remunerados como trabalhadores não qualificados, mas realizando tarefas qualificadas.

Ponto 2: Que tipo de enólogo espera um produtor encontrar por este valor. Alguém com capacidades para adicionar real valor ao seu projecto, ou apenas um licenciado em enologia desesperado por pão?

Ponto 3: È para isto que andam preocupados em fazer legislação que defina o estatuto do enólogo?

Ponto 4: Quantos produtores conseguem viver com o dobro dos salários que propõem? Quantos destes estarão cá daqui a 10 anos?

Sei que isto é norma cá no Burgo e transversal a todas as qualificações. Duas conclusões óbvias me saem daqui. 

1ª País nenhum se consegue desenvolver quando tratamos assim os nossos técnicos qualificados. Quando demonstramos claramente que não queremos os melhores, apenas uns. Quando não fazemos bitola no mérito nem nas qualidades. Enquanto andarmos na briga do barato!

2ª Este produtor não procura um enólogo, mas sim um adegueiro... em inicio de carreira!

16 de Outubro de 2014

Diário - "Já acabaste as Vindimas"?



Querido diário:

Por estes dias, muita gente me pergunta se já acabei a vindima.
Confesso que fico  sem saber o que dizes, já que, é um facto que as uvas já foram todas apanhadas. Se "as vindimas" são isso, então sim. Já acabou. Por outro lado, ainda tenho os brancos a fermentar (um branco, pelo processo que uso leva cerca de 3 semanas a fermentar se não mais) e os tintos estão a fazer a fermentação malolática. Então não. Na adega ainda continuamos em Vindima.

È estranho, pois até alguns produtores acham que, "em tendo" as uvas na adega o trabalho acaba. Nada mais errado.

Balizo então, para memória futura, o que entendo ser, o tempo de vindima. Começam quando iniciamos o controlo de maturação (coincide com a tomada de decisões para quem prepara a vindima antecipadamente) e termina quando o ultimo vinho é "fechado". 
O fechar de um vinho, corresponde à sua sulfitação, depois de todas as operações de transformação terem terminadas e antes que se inicie o período de descanso.

È também aí que começo a pensar em gastar mais uns dias de férias!

Logo, agora, ainda estou em "Vindimas". A minha atenção ainda deveria ser dedicada em exclusivo à produção do vinho. 
Dá para entender?

P.S. Uma curiosidade que poucos saberão. O termo vindima, refere-se à uva, depois de apanhada e antes de ser transformada. Logo... a minha teoria sai enfraquecida. Mas não quero saber!

14 de Outubro de 2014

Qual é a bebida nacional?


Aqueles, de entre vós, que gostam de ser os primeiros a responder, chegam-se à frente e gritam com toda a pujança verbal que só a certeza tem: 


VINHO! VINHO! VINHO!

Errado. Muito errado!

Parte de nós, os cidadãos que nascem sem qualquer ligação familiar ao mundo do vinho, levamos muitos anos até provar algo que se assemelhe a isso. Muitos de nós morrerão na ilusão de o ter provado sem que, alguma vez se tenham deliciado com o verdadeiro nectar de Osíris (não sei porque nunca se fala neste, é tudo para o Baco e para o Dionísio).

Eu, pecador me confesso.Tinha perto de 30 anos quando finalmente percebi que gosto de Porto, por exemplo. Que aquilo afinal não é só a emulsão de borras em aguardente que eu me limitei a conhecer a vida toda. Esta discrepância entre o que o comum dos Portugueses conhece e o que existe é válida para todo o tipo de vinhos. È também triste e merece uma reflexão séria e profunda!*

Então agora que já conhecem os argumentos, querem tentar novamente adivinhar qual é a bebida nacional?

Zurrapa?
Errado. A zurrapa foi destronada há 10 ou 15 anos pela actual detentora do titulo.

Senhoras e senhores....

Apresento-vos a XAROPADA. Eis a bebida nacional!

O mais engraçado é que, ao contrário da Zurrapa ou dos Portos maus, esta é uma bebida democrática, pois tanto existe no formato "não é de graça por vergonha" até ao "deixe aqui o couro e o cabelo". Tanto agrada o consumidor mais simples como o mais entendido profissional. Existe desde o simples granel até à mais engalanada garrafa!

Viva  a democracia!
Viva a Xaropada!



*Para quem tem dificuldades em entender a ironia e a interpretar texto, esta é a frase central do texto. O resto é fogo de artifício. ;)

13 de Outubro de 2014

Diário - De volta à Escola.


Este ano, ao fim de 9 ciclos parado, reuniram-se condições para que pudesse voltar à Universidade. A vontade confesso, surgiu de um dia para o outro. Motivada por uma maior necessidade de aprender viticultura (à séria!) e organizar os conhecimentos de enologia.

Procurei formação nessa área e, eis que no site do I.S.A. encontro uma Pós graduação/Curso de especialização em Enologia e Viticultura, com a duração de 2 anos, ministrado em harmonia com a Universidade do Porto. Perfeito!
O plano curricular agradou-me, os formadores também. O preço pareceu-me muito ajustado e a cadência das aulas, o ideal.

Apenas um factor sem importância. Ao dia em que decidi, procurei e encontrei,correspondia também o facto de ser o ultimo para enviar candidatura. Fi-la, e nem reparei para onde me mandava o link.

Tudo certo. Respirei de alivio e esperei pelo resultado. 
Este saiu, e eu não estava lá. Tinha ficado na "lista de espera". Afinal, a inscrição no ultimo dia não tinha ajudado! Bolas... e eu que queria tanto!
Mas, sério, dentro de mim algo me dizia que esta história não acabaria ali. Pensei até pedir que me deixassem ao menos frequentar as aulas de viticultura. Mas... veio a vindima e passou-me.
Quando já nada fazia esperar, recebi um mail a perguntar se ainda estava interessado. Respondi que sim, claro!
Esperei mais umas semanas. Mandei mails a perguntar se sim ou sopas, que queria muito aquilo,.. sei lá o quê mais! ... até que recebi a esperada resposta!
Aceitaram-me no curso. Só tinha de confirmar que me mantinha interessado e a inscrição seria feita por eles. 
Nem pensei. Respondi logo que sim! Quero... e muito!



No dia seguinte recebi a inscrição e, já mais a frio, olhei bem para aquilo... 
Universidade do Porto? 
Tremi! Mas não. Eu fiz aquilo pelo site do I.S.A. Fui confirmar.
Lá estava, em letras pequenas, mas bem legível, a indicação de que as aulas teriam lugar no Porto.
Porra... no Porto?

Olha... que se lixe! São só dois anos e as aulas são de 15 em 15 dias! Há coisas piores!
Agora... bem, agora é uma questão de capitalizar isto! Talvez assim já possa aceitar algumas consultorias "pelo caminho". Afinal, quem se pode gabar de poder receber o enólogo de 15 em 15 dias? 

Mas nada disto retira importância ao facto de eu ser um troll no que diz respeito a back office!


12 de Outubro de 2014

Retomando o diário



Bom, agora que os vinhos foram todos prensados e apenas tenho uns brancos em fim de fermentação, é hora de voltar aqui. Relatar o que pode ser relatado (nada de ilegalidades, apenas o sigilo que devo aos produtores). Lá mais para a frente, farei o meu resumo do ano, tanto ao nível das maturações como das fermentações dos vinhos.

Por agora, quero apenas relatar que, para além dos vinhos da Quinta da Murta, do Quinta das Carrafouchas, de uma possível reedição do Vale das Areias Espumante, avancei para a realização de alguns vinhos meus. Pouca quantidade, mas toda a liberdade criativa que só a sanidade das uvas e as limitações de equipamento estão autorizadas a limitar.

Não quero deixar aqui mais do que a nota, pois criaremos uma estrutura de comunicação onde, daremos conta de tudo o que envolverá os nossos vinhos.
Falei no plural? Sim. Estou nisto com o meu amigo Ricardo Ramos que, desde a primeira hora se mostrou empenhado em fazer parte desta aventura. Chamamos-lhe Wine Cult e por agora, até à colocação no ar do nosso blog ou site, poderão seguir-nos no facebook, através da Hash Tag #winecult.

Por agora estou muito entusiasmando com os resultados (darei conta deles um a um). Pena as chuvas que, tenho certeza, não tivessem vindo tão cedo, tinham permitido o melhor ano para  Lisboa... desde que que trabalho na região(2005)!

11 de Outubro de 2014

Podridão Nobre?



No Portugal do vinho, tudo é impoluto, claro e imaculado. Cultiva-se uma postura de elegância em que tudo obedece às "Bobónicas" regras de boas maneiras. Não se pode dizer, não se pode fazer, não se pode denunciar, reclamar, discordar, inverter, reinventar ou mesmo questionar.
Parece mal! Não fica bem! È escusado! È de quem não tem nada para fazer e tem mau "fundo"!
Somos tão perfeitos e imaculados que nem do cu a merda nos sai!

Se por um lado amaldiçoou os meus pais por não me terem ensinado a hipocrisia social, por outro, rigozijo-me de poder viver no meio de tanta assépsia... podre. 

Ou, diria melhor... 
.. no meio de tanta... Podridão Nobre?

7 de Outubro de 2014

O Vinho, o Crespo, a Sónia e eu (II)

Aparentemente a malta gostou e pediu mais!
Nós, como gostamos da paródia, acedemos.
A Sónia levou o pão e o queijo e nós o vinho!
O que precisam saber mais?

Está aqui o registo audio! para ouvir e pedir por mais (pois, que isto é viciante e eu quero ir lá outra vez!)

Espero que gostem.

Clicar na imagem para ouvir

25 de Setembro de 2014

A Sabedoria do Mendes (V)

Foto usada a partir daqui.


O Vinho, é dos produtos que mais sofre com o MAIOR erro, jamais cometido no que diz respeito os controlo do processamento e acondicionamento dos alimentos. 

Trata-se do facto de fazer corresponder o termo Qualidade a um produto que cumpre as regras de Segurança Alimentar.
È a mais básica das mentiras!

25 de Agosto de 2014

Nem os Monty Python....

Querido diário:

Nota prévia:
Todos os anos, quando começo a fazer análises à uva, tenho por hábito guardar os mostos brancos, que depois deixo fermentar. A desculpa é a de que gosto de ter uma ideia prévia sobre possíveis problemas fermentativos. A verdade é que estas fermentações libertam no laboratório, os aromas do Setembro da minha meninice, ligeiramente diferente dos aromas mais limpos das fermentações à séria. Amenizam o saudosismo hedonístico e criam ambiente para a época que se inicia.



Imagina agora isto:
Chego à adega de manhã e o produtor já cá está. Espera um grupo de eno turistas que marcaram visita para as 9:30. Encetamos conversa enquanto começo a preparar o trabalho do dia. Reparo, que as garrafas com o mosto da semana passada ficaram tapadas e iniciaram fermentação. Estão ambas tombadas (são garrafas de água de 1,5L) e gordas como o mais roliço dos glutões após uma feijoada à transmontana.
A partir daqui tudo se passa muito rapidamente.
Eu dirijo-me às garrafas para lhe libertar o gás, mas sem dar devida importância ao assunto. Ao rodar a primeira rolha, uma explosão faz o meu patrão proteger-se como se estivesse numa zona de guerra. Eu perplexo, tento contornar o esguicho. Sou, por momentos, um vencedor de um grande prémio de formula um. Aquilo molha tudo ao seu redor e, aparentemente, eu estou ileso.


Eis se não quando, reparo na chegada de um grande autocarro. De lá sai uma turma de 37 crianças mais monitores. È precisamente nessa altura que sou informado que esse grupo é para mim... Boa! Mesmo a calhar!
Ao olhar-me de alto, reparo no cenário da foto. Porra! Vão mesmo acreditar que foi sumo de uva.




Não aguento mais... disparo numa gargalhada que não consigo controlar e é assim que recebo a "canalha". "Fica tudo" espantado. Com ar de quem pergunta sobre o tipo de palhaço que estou a tentar ser.

No fim, correu tudo bem. Acreditaram que eu me tinha distraído com a brincadeira e fui tarde à casa de banho e ainda saíram daqui muito contentes com a possibilidade de hoje à noite, poderem desafiar os pais a deixar um pouco de vinho na garrafa para fazer vinagre.

Lembrei-me da frase do meu amigo Jorge Nunes, repetida à exaustão uma destas noites: 

"Desta, nem os Monty Python se lembravam!"




13 de Agosto de 2014

Porque sou enólogo?



26 de Julho, marca uma data importante. Para além de algumas questões pessoais, corresponde ao inicio da minha aventura "conjugal" com o vinho. Foi em 2004, pelo que fez 10 anos.

Já era um apaixonado pelo vinho quando entrei para a universidade. Contudo, nunca ponderei a  hipótese de pagar as contas desta maneira. O meu caminho era outro. Queria ser investigador e descobrir a cura para o cancro. Não ambicionava menos que um prémio Nobel como recompensa.

Não adianta esmiuçar os motivos pelos quais o mundo da investigação me desiludiu, mesmo antes de começar. Adianta explicar que a dada altura comecei a olhar para este fabuloso mundo como uma possibilidade, e muito empolgante. Soma-se o facto de, desde sempre, me ter seduzido mais uma casa em ruínas que necessita ser recuperada do que uma moradia novinha em folha. Muito mais trabalho, mas com resultados mais saborosos.
Ora, sendo eu um Ribatejano, nascido e criado no coração da região, conhecia bem a realidade do sector ali. Estava (e ainda está, embora reconheça a evolução dos últimos 10 anos) a precisar de muito trabalho de reconversão, remodelação, reorganização, "rementalização", ..., acima de tudo, alguma reorientação!
Logo, havia muito trabalho a fazer e eu, desde sempre que me senti seduzido pelo cheiro da terra. Assisti a muitas vindimas, brinquei à volta de muitos reboques de uva (curiosamente, mais branca que tinta), passei horas, dias, enfiado em adegas, levado pela mão do meu avô (que ia lá para beber e conversar). Pensei... PORQUE NÃO?

E assim foi. Tinha pouco tempo para decidir. Estavamos nas férias entre o 4º  e o 5º ano do curso (Engenharia Biotecnológica). Teria de, muito em breve escolher estágio e queria fazer algo que fosse útil para o futuro. Com a ajuda de dois amigos, visitei algumas adegas e, das possíveis, escolhi a Alorna para experimentar. Foi lá que fiz o meu primeiro e único estágio de vindima. 
Deu inicio, precisamente no dia 26 de Julho.

Não vale a pena afirmar que foi uma experiência do outro mundo (um dia destes conto porquê) e que por isso decidi que ela mesmo isto que queria fazer, pois não?

Quando finalmente tive de escolher o estágio curricular, já sabia o que queria, queria uma experiência com a industria da cerveja, pela sua abordagem de topo. Achei que, sendo industrias com a mesma base, poderia ter muito a levar para o vinho, já que a minha mais valia seria (e penso que será sempre) esta de vir de outra área e poder olhar os mesmos problemas, mas de outras perspectivas.

Nisto tudo, a maior ironia foi mesmo o facto de até hoje nunca ter trabalhado no Tejo. A oportunidade (e as posteriores) que me surgiu foi em Bucelas (e Lisboa) e por aqui tenho estado. 
Mas... a procissão ainda vai no adro! 
Um dia destes... volto a "casa".