12 de abril de 2015

Os "Supertejanos"


Como é que um gajo faz para assumir que talvez não tenha julgado bem, que foi vitima do seu próprio preconceito? Que não há factor externo que justifique a adopção por uma visão unívoca para algo que, possivelmente, não é o problema mas que pode, muito bem ser parte da solução?

Tenho uma predilecção pelo trabalho com as castas nativas, pelo estudo de técnicas que as respeitem e façam florescer. Gosto dos "Slow Wines", aqueles que não se apressam para entrar no mercado nem para sair da garrafa. Não é segredo para ninguém.
Este gosto, não me cega para a realidade nem me molda a acção. Mas tem-me levado a interpretar esta coisa das castas exógenas (porque já meto no rol aquelas que sendo nacionais provêm de outros destinos) e práticas novo-mundistas como um caminho a evitar se queremos expressar verdadeiramente a identidade de um local.

Fica o reparo de que, quando defendo isto, em momento nenhum entendo que o negócio em si deva ser alicerçado nestes vinhos. Pelo menos não nos próximos 50-100 anos se o trabalho for bem feito. Falo especificamente dos vinhos bandeira para a região! Ou seja, falo de marketing e de comunicação, não de vendas ou "cash flow". Isso é outra guerra!

A região do Tejo não foi/é famosa por ter vinhos distintos, de qualidade elevada, produzidos para um padrão de elevada exigência. Sempre esteve associada à produção de volume a baixo preço, onde o critério de qualidade deriva muitas vezes de factores físicos-químicos, mais do que organolépticos.

Ora, isso mudou. Não parece, mas mudou (e será interessante relacionar essa mudança com a conversão da designação Ribatejo para Tejo). Eu diria que se vive um período de transição. Inicialmente foi preciso adaptar vinhas e adegas. Esse trabalho está feito ou vai adiantado. No vinho, também por isso fomos assistindo nos últimos 15-20 ano a uma estrondosa mudança. Começam a aparecer, finalmente, os esboços dos grandes vinhos, os tais "vinhões" que se procuravam há 10 anos quando comecei a trabalhar no meio. 

Estes vinhos são feitos, na sua maioria à custa do virar das costas às castras tradicionais. E isso, era algo que até aqui não conseguia assimilar e deglutir com facilidade. Confesso que sempre defendi que o caminho seria pegar nas castas tradicionais e começar a trabalha-las bem. Com conhecimento e inteligência. 
É difícil encontrar muitos vinhos feitos com 100% de castas da região, mesmo a aromática Fernão Pires está em desuso nos vinhos extremes. Já ninguém quer aquilo, dizem-me!
E eu andava triste e um pouco ressentido.

Mas até os tolos teimosos têm as suas epifanias. A minha chegou-me à força de ver alguns desses vinhos, finalmente a ombrear com os melhores nas escolhas de quem nos diz se o vinho é bom ou não presta.
A verdade é que os vinhos do Tejo nunca tiveram tanta popularidade como têm hoje, seja em que patamar de qualidade for.
Vou ser claro. Sempre achei que isso era possível, foi isso que me fez ser enólogo, mas nunca acreditei que fosse com recurso ao abandono parcial ou absoluto das castas tradicionais.

De repente, levei uma lambada nas fuças e percebi que afinal o que mais temia não aconteceu. A região conseguiu fazer vinhos que se impõem no mercado e estão a conseguiram criar uma identidade.
Essa história não é  nova. Tudo isto se sobrepõe, de forma quase perfeita ao surgimento dos Supertoscanos, os vinhos que as entidades certificadoras se viram forçadas a reconhecer pelo facto da sua fama se ter sobreposto ao da própria região, mandando-os para o bolo dos vinhos mais reconhecidos de Itália no plano internacional.
No caso do Tejo, não é preciso brigar. As autorizações foram feitas antecipadamente.

Toda esta conversa não é ainda uma declaração. Muito menos uma posição definitiva. È uma assumpção de um novo olhar para uma possível nova visão.

Estaremos a assistir ao nascimento dos Supertejanos?

______________


Post Scriptum:
Para tentar perceber melhor o que se está a passar, pretendo em breve juntar um numero de vinhos suficientes para fazer uma prova comparativa cujos resultados me possam dar novas luzes sobre este assunto. Vou dando notícias.


25 de março de 2015

Fermentação Maloláctica em vinhos brancos. Estará a maçã envenenada?


Hoje em dia (detesto esta expressão!), é mais ou menos ponto assente que os vinhos tintos "têm" de fazem fermentação maloláctica (FML). Sabem porquê? (respondam nos comentários.)
Mas então e os brancos?

Resumidamente, para quem não se lembra, a FML consiste na transformação do ácido málico em acido láctico. O primeiro é responsável, grosso modo, por conferir aromas verdes ao vinho (do tipo da maçã), o segundo, confere notas lácteas que podem ser de iogurte, leite, natas, queijo,...

Se nos tintos é quase uma necessidade, nos brancos, só o é em regiões do globo onde os factores que afectam o crescimento e a maturação das uvas a isso o obrigam. Ou seja, se vamos para Champanhe, onde os mostos atingem valores de acidez tão elevados que fazem com que os vinhos sejam imbatíveis enquanto novos, é de esperar que uma operação que promova o decréscimo dessa sensação seja muito bem recebida. Para além disso, esta operação origina na maior parte dos casos, mais complexidade pela inclusão de notas gordas que podem aumentar a profundidade aos vinhos.

Considero que, numa casta pouco aromática, em que quero fazer estágio de barrica pode ser uma mais valia, se e só se, a acidez for suficientemente elevada.
Nos climas temperados como o nosso, a maturação das castas é, regra geral equilibrada. Ou seja, para o grau de açúcar prendido temos acidez condicente e muito apelativa para ao consumo.

Tirando honrosas excepções, diria que não temos necessidade de promover FML nos vinhos brancos por cá, a menos que procuremos especificamente os seus efeitos organolécticos. A fazê-lo, nas condições habituais, perderíamos demasiada frescura e daríamos peso a vinhos que já o têm por si. 

A beleza da enologia reside também na arte de contrariar o estabelecido, de provocar os dogmas e de testar continuamente novas abordagem. Mesmo assim, eu arriscaria o resumo, a ideia generalista, a afirmação de que, quem não se quer enganar, quem não quer ter surpresas, quem só quer tirar partido do que a uva dá naturalmente, quem não está para arriscar (sem merdas. sem ironias, sem segundas leituras, com toda a legitimidade) e quem pretende preservar o aroma primário da casta e a leveza do vinho, esqueça a FML. Por outro lado,com castas de aromas pouco intensos, boa estrutura e apanhadas em estados de maturação em que não faz mal perder alguma acidez, a FML pode ser uma boa amiga dentro e fora da barrica. 
Acima de tudo , este é um assunto cheio de "ses" e "depende". Nunca esquecer isto!

Mais uma vez, não se trata de certo ou errado. È mais uma ferramenta que ajuda a definir o perfil. Usada de forma ajuizada pode dar vinhos fabulosos. Não a usar também!

E vocês? Que vinhos brancos com FML preferem? E em quais acham que nunca daria certo?

15 de março de 2015

Quem define o perfil do vinho?

Considero muito difícil, se não impossível,  atribuir a responsabilidade pelo perfil de um vinho a algo ou alguém de forma absoluta.  Acima de tudo, acho indesejável deixar a escolha nas mãos de uma única pessoa ou entidade.
Pronto. Poderia acabar o post já aqui!

Para melhor entendimento da afirmação, deixem-me dividir a produção de vinhos em três categorias distintas. Três porque dentro dos vinhos ditos industriais, consigo distinguir duas categorias. Assim, temos as abordagens: Ultra Industrial, Industrial Moderada e Terroarista. 

Na definição do perfil propriamente dito, defendo a importância de quatro entidades distintas que se combinam entre si. São elas: Vinha; Produtor; Enólogo; Mercado.
A vinha, em toda a amplitude do termo (solo, localização, altitude, clima, castas, histórico, etc). Mercado, toda a cadeia entre a produção e o consumo, toda a pressão de procura e oferta, é normalmente representado pelo comercial. Produtor, sua acção, sua paixão e sua intervenção. Sobre o Enólogo não preciso dizer nada, pois não?

Entidades responsáveis pela definição do perfil de um vinho.

Obviamente que as combinações que farei de seguida, requerem todas as ressalvas que têm de ser feitas. Aquele exemplo e o outro que todos conhecem. Isto não passa de um exercício reflexivo, não se esqueçam! 

A abordagem Ultra Industrial não é mais do que uma visão meramente cartesiana do negócio. O vinho é um produto alimentar que respeita um conjunto de regras especificas e que requer outro conjunto de atributos. O perfil destes vinhos deverá ser definido pelo mercado e pelo enólogo. O técnico assume aqui um papel fundamental na interpretação e concretização das demandas do mercado, mas não molda o produto à sua imagem, apenas interpreta o que lhe é pedido. A cara do projecto deve ser a marca. O produtor deve manter-se afastado das decisões técnicas. 


Entidades responsáveis pela definição do perfil do vinho na abordagem Ultra Industrial. 

Numa abordagem diferente, não obstante os vinhos continuarem a ser abordados como produtos de série, existe espaço para que não só a vinha se possa mostrar como também o enólogo possa dar largas a alguma veia criativa. Se a tiver. Nesta abordagem, a vinha tem um papel crescente na definição do perfil da bebida. Continuam contudo o mercado e o enólogo a possuir um maior peso na definição do perfil. A cara do projecto continua a ser a marca, com aparição fortuitas do produtor, ou não. Apelido esta abordagem de Industrial Moderada. Será, porventura a mais difícil de definir e atribuir exemplos. Pessoalmente, não tenho muitas duvidas ou reticências em mandar para aqui as regiões de Bordéus e Champanhe, para dar alguns macro exemplos.

Entidades responsáveis pela definição do perfil do vinho na abordagem Industrial Moderada. 

Reconheço que é um verdadeiro acto de terrorismo agrupar tudo o resto numa divisão a que chamo Terroarista. Mas, aqui, a dispersão é muita, as variáveis imensas e as formas de abordar infindáveis. Apenas me foquei no essencial para este post. Quem contribui e decide para o perfil do vinho. 
Aqui, e não nos outros, considero o papel do produtor preponderante. Nas demais, o produtor deve limitar-se a ser gestor. A definir caminhos, objectivos e a fazer por retirar o melhor partido dos recursos ao seu dispor. Nesta abordagem contudo, só teremos algo distinto se o produtor se envolver no processo criativo. Se o vinho não resulta da harmonização do sonho do produtor, capacidade da vinha e interpretação do enólogo corre sérios riscos dos quais destaco dois. Perca de identidade . Excessiva dependência do enólogo.
Qual é o problema? Independentemente da forma como estas casas se organizam, importa fomentar um espírito de continuidade temporal. É importante respeitar o passado e preparar o futuro. São normalmente explorações em nome pessoal ou familiar e portanto, não faz sentido que o elemento mais importante da engrenagem se demita do processo criativo que só por acaso, expressa o seu próprio património. 
Contudo, o produtor não está sozinho, nem a sua vontade dever ser férrea. O respeito pelo que a vinha dá, a procura da melhoria dessa dádiva e a correcta interpretação de ambos (vinha e produtor) requer um técnico com sensibilidade e que entenda e respeite a sintonia. Só ele pode tocar decentemente este instrumento. Mas sem protagonismo (isso é outro post!). Aqui, obviamente que a cara do projecto deve ser sempre o produtor.
Se nas duas primeiras abordagens estamos claramente no domínio do "faço o vinho que mercado procura", nesta entendo que passaremos para o "procuro o mercado para o vinho que faço".

Entidades responsáveis pela definição do perfil do vinho na abordagem Terroarista.
Se me perguntam qual prefiro, eu direi que... bem, vocês sabem. Sou pela visão terroarista, porque sou emocional!
Mas aproveito para reforçar que não desdenho de nenhuma das outras. Coisa que espanta num pais onde parece que temos obrigação de ser parciais e obtusos em tudo o que fazemos. Reconheço as virtudes de cada uma delas, bem como os seus malefícios. Para um enólogo, penso que todas elas têm aliciantes e desafios interessantes. Para o consumidor, só o conjunto das três permite diferenciação e oferta democrática. Não tem de haver abordagens santas e outras diabólicas. Não aceito aqui o principio futebolístico de torcer apenas por um clube.



Resumo das diferentes influências na definição dos perfis dos vinhos, tendo em conta o tipo de abordagem.



12 de março de 2015

Great Wines Score Alike



Tomem lá mais esta. Lembrem-se que existe em várias cores (tanto a camisola como a estampagem) e nos modelos que vos mostro de seguida. 
Encomendem já e divirtam-se!



2 de março de 2015

Onde se faz o vinho?


O vinho faz-se na vinha!

Quem nunca leu estas parangonas panfletárias?
Pois eu vos digo. È mentira. Ouviram? Mentira!

A apoiar-me, tenho a simples evidência de nunca me ter cruzado com nenhuma planta que em vez de cachos desse vinho pronto. Fosse em garrafa ou b.i.b.. Quem me desmente?

Para quem não sabe, na vinha fazem-se uvas e é isso que se colhe!

Ainda que o meu grau de tolice me permita fazer uma leitura que extrapole o mero sentido sintático desta afirmação, não gosto dela. É absoluta demais. Manda para a obscuridade todo o trabalho, bem como os processos criativo e interpretativo que ocorrem do portão da adega para dentro. Não é justa!

Mais ridícula se torna, num pais que teima em não decidir se quer ser "Velho Mundo" ou "Novo Mundo". Onde os produtores que melhor conseguem pagar as contas são aqueles que abandonam  o romantismo e se riem desta afirmação.
Então? O que têm a dizer agora?



25 de fevereiro de 2015

Murta rosé 720 Nuits - 2012



È um facto que os vinhos da Quinta da Murta estão hoje marcados, de forma indelével, pelo cunho que lhes imprimo. Dada a natureza do projecto, mesmo não querendo, acabam por expressar em parte, as minhas ideias, as minhas inquietudes e a minha noção de equilíbrio. Sinto isto especialmente quando faço uma prova vertical a qualquer das referências, particularmente no clássico e no espumante. Distingo de forma clara, os vinhos do Nuno Cancela de Abreu, uma zona de transição e depois os meus. Tento imaginar como serão os do meu sucessor...

Pesa embora a forma como me revejo nos vinhos, não sinto qualquer das referências existentes como criação minha. Eu sou apenas um fiel depositário que tem como obrigações preservar, adicionar valor e preparar caminho para quem se seguir.Todas elas foram criadas pelo Nuno (à excepção do Espumante rosé) , eu apenas as tenho adaptado e feito evoluir, como é minha obrigação.

Nesta nova referência, no entanto, o sentimento é diferente. Fui eu quem "teve a ideia, boa?" , fui eu quem "inventou" o vinho, fui eu o "dono da bola". Fui eu que perguntei... Porque não?
È óbvio que em todos os vinhos, o resultado é fruto do contributo individual dos vários elementos de uma equipa, do seu suor, do seu esforço, por vezes até do seu sacrifício e da forma como vamos interagindo uns com os outros. Contudo, nada do que encerra esta garrafa existiria se, em 2008 eu não tivesse olhada para as barricas e para os rosés de uma outra forma, se não tivesse desejado contrariar as modas e testar esta louca hipótese. Feito crescer usando técnicas que já tinham provado servir para as demais referências da casa. Estágio longo em barricas muito usadas.

Isto não me traz mais que responsabilidade, entenda-se. Não quero nenhum tipo de reverência, nenhum tipo de distinção face aos meus colegas de equipa, mas... porra, ao fim de 9 anos aqui, ver finalmente sair um vinho que não existiria se eu aqui não tivesse passado, ver nascer uma nova história, é quase tão forte, pasmem-se, como ter mais um filho. È a certeza de que fica algo de mim.

O seu perfil sai tanto do que esperamos de um rosé que, sou honesto, fiquei admirado, e não necessariamente feliz, quando me informaram que o vinho tinha sido aprovado pela CVRLisboa. Hoje, depois de o termos mostrado a alguns amigos e parceiros, fico ainda mais abismado com a aceitação que este vinho está a ter. Pensei que seria daqueles vinhos que ou se ama ou se odeia… 

Se calhar ainda não o fizémos esquisito o suficiente!

22 de fevereiro de 2015

Casa Cadaval - Trincadeira 2002


Nesta fase, será difícil desconhecer que uma das regiões onde procuro, com afinco, fazer vinho nos tempos mais próximos é a minha região berço, o Tejo. Aflorei os motivos neste post.

Confesso que andava meio arredado do que se anda a fazer na região, principalmente porque tenho andado a descobrir outras que conheço pior. Recentemente, voltei a comprar vinhos da região e, devo salientar que há dois factos que me têm entristecido numa primeira análise. Primeiro, cada vez é mais difícil encontrar um vinho contendo só castas nativas (o castelão então...). Segundo, nos poucos que contrariam o primeiro facto, quando encontro vinhos extremes, os descritores só vagamente os consigo associar aos que a minha pobre memória registou.

Contudo, não sou cego e vejo que a mudança para castas internacionais, para estilos mais consensuais e para abordagens menos regionalistas tem trazido fama e glória junto dos consumidores e da critica um pouco por todo o lado. Isso deve justificar a mudança...

O que me deixa verdadeiramente confuso, é mesmo a prova de vinhos como este que, passados 13 anos me gritam o quanto vale a pena apostar nas castas locais e aplicar-lhes métodos que os deixem expressar o que a uva tem para dar.

Não precisam ir a correr comprar o vinho, ele não resulta, quanto a mim de uma visão como a que acabo de descrever. Eu diria que foi um vinho feito para ser vendido nos primeiros anos de vida, provindo de um ano onde a maturação dos fenóis não se deu por completo. Tem, por isso, junto com a delicadeza da evolução positiva dos constituintes do vinho, um toque de cereal doce que atribuo à evolução dos herbáceo. A esta junta-se uma acidez viva, persistente mas dura. Diria que se vindimou tarde, com necessidade de corrigir acidez, mas antes de ter os fenólicos maduros. Nada de estranho. O normal na época. Especialmente para vinhos idealizados para consumir nos primeiros 10 anos.
Mas... o que está para além disto tudo é que me põe a sonhar!



17 de fevereiro de 2015

Um Toque de Açúcar



Este é o titulo de uma das crónicas que Maria de Lourdes Modesto incluiu na compilação de cronicas à qual chamou "Sabores com História". Versa o texto sobre as doses de açúcar empregues na doçaria, especialmente a conventual.
Não vou aqui reproduzir toda a crónica, não me ficaria bem (comprem o Livro), contudo, uma passagem resume as intenções da autora e, dá força às minhas próprias convicções:

"Hoje, o gosto está a ir no sentido do doce menos doce. Já são poucos os que apreciam dar uma dentada num bolo e sentir aquele "raspar nos dentes" e o pigarro na garganta" que as grandes concentrações de açúcar provocam."

Antes de fazer a transposição para o vinho, deixem-me dizer que admiro profundamente o facto desta senhora de experiente idade, criada numa época de convicções "fixistas", ter a ousadia de propor uma leitura adaptativa das receitas "ancestrais". Não resisto a mais uma tirada que explica, de forma brilhante, o seu ponto de vista:

"As receitas não são intocáveis. Há formulas de base a manter, mas a sua interpretação permite adaptações ao gosto pessoal, regional e de cada tempo histórico".

No respeitante ao vinho, principalmente num pais em que o seu consumo anda inquestionavelmente amantizado com a mesa, entendo que a primeira citação encontra a minha própria convicção sobre o gosto actual do consumidor, a segunda no entanto, deixa-me sem mais que dizer!


10 de fevereiro de 2015

Coisas que me aborrecem - (V)



Esta moda crescente dos Restaurantes bons e muito bons andarem a comprar e servir vinho com marca própria. 
PARA QUÊ? 

Não me entendam mal. Isto aborrece-me, especialmente enquanto cliente!

8 de fevereiro de 2015

Sobre as escalas, o que há ainda para dizer?



Pouco. Quase nada!

Do muito que tenho falado sobre o assunto, gostaria de relembrar duas conclusões:

1º Cada vez mais me convenço de que as pontuações quantitativas não servem aos produtores, e não servem de todo aos consumidores. Servem a todos os intermediários, principalmente a distribuição e o retalho que se rejam pelos padrões do passado. Quem, historicamente, ganha dinheiro com o negócio.

2º Usar escalas "da escola", que toda a gente conhece  - e tem para elas uma leitura ÚNICA E INEQUÍVOCA - mas com deformações, adaptações, ajustes,..., é algo que me incomoda. Se não é um acto deliberado para deturpar a interpretação é uma distracção imperdoável. 
Seja qual for o motivo, um consumidor que apanha um vinho com 14 valores vai achar que é um vinho com bastante qualidade, quando todos os "iniciados" sabem que está no limite superior do sofrível.

Não vale a pena argumentar, até porque parte das pessoas se vai limitar a ler e discutir o título, por isso conto-vos uma história que se passou há dias entre mim e a minha mulher.

A Sara, gosta de vinho, consome moderadamente e, o facto de estar casada comigo faz com que tenha mais atenção ao que bebe. Não é enófila, no sentido de procurar conhecimento sobre o assunto (vejo alguns de vocês a rir neste momento... suas mentes perversas!), mas prova com frequência, tem o mínimo de técnica e descreve decentemente um vinho. Mas nunca pontuou.
Acontece que, por motivos académicos, tenho-me visto forçado a provar e avaliar vinhos segundo uma matriz, que não é a minha... se é que eu tenho alguma. 
Não vos vou maçar com mais detalhes. Provávamos um vinho, em tudo mediano, rapado e sem grandes qualidades. Algum desequilibro entre o que é e o que ainda temos de esperar que venha a ser. Sem defeitos, mas sem grandes qualidades a destacar. Habituado às escalas, dei-lhe 14,5. Ela, muito admirada, declarou que a sua nota estaria entre os 11 e os 13. Afiançou-me que aquele vinho não merecia os 14,5 que lhe estava a dar.

Juro que ainda tentei explicar que ela estava errada, embora certa. Que essa avaliação não corresponderia ao que o mercado (e atenção, o mercado, não o consumidor) está habituado. Que... Esquece... Desisti e fiz um esforço para mudar o assunto! 

6 de fevereiro de 2015

O vinho não pode ser um produto industrial. Porquê?



O que come o seu filho ao pequeno almoço?

Os meus, um bebe leite com chocolate e uma pêra e o outro come papa ou iogurte.
A pêra compro-a no supermercado. Acredito que seja filha de uma produção intensiva com recurso a todos os químicos autorizados. 
Na lista de ingredientes do leite com chocolate lê-se: leite, açúcar, cacau, estabilizador, carragenina, sal, aroma, pirofosfato férrico e vitaminas.
Na papa, encontro fruta, amido de farinha de arroz, leite desnatado... em pó, proteinas do leite, maltodextrina, gordura vegetal, sais minerais, emulsionante, vitaminas e AROMATIZANTE.
Por sua vez os iogurtes... não são diferentes. È pelo mix entre o leite o a papa.

Não sei dos vossos, mas os meus filhos estão "institucionalizados" durante o dia e, a sua dieta passa por alimentos que espero sejam muito, muito, mas muito saudáveis! "NOT!"
È claro que não são, pelo menos nunca o serão na origem dos ingredientes que jamais poderão ser... imaculados. Não esquecerei da primeira vez que dei, com profunda mágoa, salsichas ao meu filho mais velho e ele exclamou: "Salsichas pai? Adoro...!"

Em casa não é diferente. A falta de disponibilidade leva-nos a recorrer ao supermercado para compra de frescos e embalados. Se não sabem eu digo. Não acredito na pureza de nenhum produto que venha do supermercado, acredito pouco nos que vêm dos mercados (sobretudo frescos e fruta) e só confio... só confio... olha... já não sei, honestamente, em quem ou no quê confio.

Vale a pena continuar com esta descrição, ou já entenderam? 

È verdade. Somos mais cuidadosos com a alimentação dos nossos filhos do que com a nossa e, se para eles recorremos a tantos alimentos de produção industrial (e massiva), que têm, obrigatoriamente, de conter químicos que salvaguardem a vida do produto, o que dizer daquilo que nós próprios ingerimos.

Comemos merda e merda damos aos nossos filhos!
Logo... que sentido faz esse purismo desmedido com o vinho. Um produto tão controlado e regulado que é mais puro que o iogurte que dou ao meu filho?

Ainda mais numa realidade em que os consumidores não sabem (nem querem aprender), na sua maioria, distinguir um vinho que foi feito com todos os recursos da industria de um outro que nasce do risco e da quase ausência de manipulação química.

Há dias, como o de hoje, em que tudo isto me parece uma profunda hipocrisia. Um profundo disparate. Uma pesada mentira. Reparem. As quantidades que ingerimos de vinho, não são comparáveis com as doses de carne e o peixe alimentados a rações e antibióticos, a vegetais e frutos feitos crescer com hormona e químicos, a iogurtes esterilizados e carregados de aromas. Tudo isso nós ingerimos.

A hipocrisia é tanta que, nos vinhos, apesar do que se diz, os casos de maior sucesso (económico e nem só) são aqueles tem a abordagem industrial (fácil de definir. Para esses, o vinho é um produto, de cariz alimentar, feito para dar dinheiro e criar o menor numero possível de problemas, correndo o menor risco que se conseguir). Ou seja, exigimos purismo e compramos o oposto. Se no fim, se é o preço quem manda... para quê tanta conversa? Tanta repulsa? Tanto salamaleque?

Valerá a pena ser diferente das outras industrias? 
Porquê? 
Para quê?

QUEM PAGA ISSO?



3 de fevereiro de 2015

Esporão - Um exemplo no marketing online?

Para mim, o Marketing nas redes sociais baseia-se essencialmente em dois factores: (1) Humanização do produto; (2) Despertar de emoções no presumível consumidor. O resto é uma consequência natural. 

Este produtor tem-me surpreendido nos últimos tempos na forma, quanto a mim, bastante assertiva com que espalha a sua mensagem. Não pensei que fosse ver isso nos tempos mais chegados, muito menos, confesso, a partir de uma das maiores empresas do sector. Possivelmente por achar que grandes casas têm sempre tendência a agarrar-se à abordagem institucional até não poderem mais. Com esta pelo menos foi ao contrário, fazendo ver aos "quase inertes" pequenos produtores como se faz!

O meu conselho é que explorem e interpretem para depois reproduzirem a formula, mas adaptada às vossas "à vontades". Mas façam, mostrem-se... expliquem-se! O tempo do ficar calado acabou!




30 de janeiro de 2015

By The Wine - O principio da revolução dos produtores?

Foto de Jorge Nunes, usada sem autorização.


Ainda não fui  mas, se o meu Amigo Jorge Nunes diz que é bom (E vale a pena ler o que ele escreveu sobre isso), eu acredito e atribuo já um prémio à ideia de abrir um espaço desta natureza.

Louvo a iniciativa da José Maria da Fonseca ao mesmo tempo que na minha conspurcada mente se formulam ideias...

Imaginem que os outros produtores vêm nisso uma oportunidade de castigar a restauração pelas pesadas margens com que trabalham o vinho. Imaginem só a hipótese de, mesmo os pequenos se juntarem em consórcios e abrirem restaurantes, wine bars e demais pontos de venda, onde colocam os seus portefólio a preços decentes ao mesmo tempo que concorrem com a hotelaria pela boa gastronomia.... imaginem só!

Eu ia rir tanto....

25 de janeiro de 2015

O Cozinheiro do rei D. João VI

By: Hélio Loureiro




O Quê? O Chefe Hélio Loureiro, para além de tudo o que já faz, agora também é romancista? 

Bom, a julgar pela amostra, eu diria que não tem motivos para se envergonhar de dizer que sim.
Trata-se de um romance histórico de escrita simples e sem grande profundidade técnica, no que ao conteúdo diz respeito, pese embora o facto de, julgo, ter caracterizado a época e os personagens reais o suficiente para tornar interessante esta estória dentro da História de Portugal.

O autor apresenta-nos um cozinheiro que, ao longo do tempo da narrativa nos descreve os acontecimentos mais marcantes segundo a sua perspectiva. Para além da intriga politica e dos acontecimentos históricos, temos bastas descrições de alimentos, pratos, cozinhas e alguns dos vinhos que se consumiam à época. Aqui e ali somo brindados com a descrição de receitas que podemos, assim o desejemos, reproduzir. Gosto particularmente desta perspectiva.

Como disse no inicio, trata-se de uma obra simples para leitura descontraída. A trama é-nos revelada no inicio e mesmo os aspectos nublados são facilmente dedutíveis. Isso, tira a pressão e deixa-nos o deleite e a descontracção necessárias para nos deleitarmos com as iguarias descritas.  Uma tarde ou duas chegam bem e garanto-vos, para quem gosta dos tachos, sendo Português, não dará o tempo e o dinheiro por mal empregue.

Apenas uma advertência. A leitura deste livro engorda.

17 de janeiro de 2015

Prémios TWA 2014





Eu sei! Todos vocês já se perguntam sobre os mais democráticos prémio atribuídos à margem da fileira vínica Portuguesa. Sinto a vossa pergunta ecoar na minha mente:

"Então? Quando lanças isso pá?"


Pois bem. Depois de um longo minuto de reflexão decidi que este ano, não se atribuirão prémios alguns.

Motivo -  Foi um ano muito, mas muito fraquinho para a maior parte das categoria.  Faltou criatividade e inspiração. Senti falta de entrega e paixão. Não me faz sentido premiar, mesmo que a brincar, a mediocridade e a falta de exigência. Seria fazer bitola por baixo e nisso, estamos já muito bem servidos!

15 de janeiro de 2015

Diário - Um branco especial



Querido Diário:

Então? Tinhas saudades minhas? Pensaste que te tinha abandonado?
Nada disso!
A farra tem sido muita e a vontade de vir aqui escrevinhar pouca. Mas não fiques triste, não é nada pessoal!

Antes de mais, espero que 2015 te traga entradas fantásticas. Desejo usar as tuas linhas só para descrever bons momentos e fantásticos acontecimentos. Tudo farei para que tal assim seja.

Ainda há por aí muita gente com a ideia de que o trabalho do Enólogo se resume à vindima e depois a uns engarrafamentozitos. Nada anda mais longe da verdade e, já o disse anteriormente, muito menos quando falamos de adegas de brancos. Talvez seja por isso que ainda muito boa gente (e é mesmo assim, isto nada revela do carácter de quem assim age) aceite/defenda que o enólogo visite a adega apenas duas vezes num ano.



Ontem, por exemplo, foi um dia importante. Ao fim de muitos meses (mais de um ano), o vinho destinado a ser o próximo Clássico da Quinta da Murta saiu finalmente das barricas. Este é um vinho muito peculiar, já que resulta da junção de diferentes abordagens enológicas.
Como sabes, usamos apenas a casta Arinto para fazer os "Quinta" e torna-se por isso difícil encontrar naturalmente o mesmo grau de complexidade que um lote de castas consegue atingir. O que faço é simplesmente pegar na casta e fermentar pequenas porções em diferentes condições de maturação, volume, vasilhame, temperaturas,... Depois, na sala de prova, logo se verá quais delas combinam melhor entre si e nos dão um vinho mais harmonioso.

Neste caso, o lote foi previamente escolhido, gosto mais assim. Desta forma, quando o vinho sai das barricas, já sei o que vai para onde e torna a acção logística mais facilitada. Agora, é colar, filtrar e engarrafar. O mais rápido possível para que o estágio em garrafa seja o máximo possível antes do mercado nos exigir a sua libertação. Gosto que seja no mínimo um ano, principalmente porque a experiência me diz que, nesta referência, 12 meses, é o tempo mínimo que a madeira leva a casar com o vinho. 
Não gosto de nada "descasado". Seja a madeira, o gás dos espumantes ou a aguardente dos fortificados.
Por isso... é esperar, pacientemente para que quando figurar na prateleira nos possa continuar a dar as alegrias dos seus irmão mais velhos.
Até amanhã.





23 de dezembro de 2014

Cegueira da prova cega


Quem me conhece afirma, fazendo disso uma anedota, que ao longo do tempo tenho vindo a tornar-me contra a prova cega.
De facto, assim não é! Só o absolutismo me aborrece. Não concebo a ideia de que a total idoneidade e isenção na prova possa vir unicamente do facto desta se realizar na total ignorância dos dados do vinho. Vou mais longe, acho que é precisamente o contrário.

Pensem neste exemplo, muitas vezes real:
Estão a avaliar um vinho do qual nada sabem. Imaginem que ele é colocado num flight onde a maioria dos vinhos são novos, acabados de fazer e lançar no mercado. Este vinho, longe de estar morto, dá-vos já sinais de evolução (não necessariamente cansaço). O que fazem? Consideram que é da idade dos outros e penalizam o seu estado avançado de decomposição ou, consideram a sua maioridade e dão-lhe uma nota a condizer.
Quando avalio um vinho gosto de ser justo, tanto com o vinho como com quem o vai consumir na base da avaliação que lhe der. No caso citado, o desconhecimento do ano de colheita penaliza ambos. È preciso explicar porquê?

O conceito usado em concursos como o IWC, é, quanto a mim, bastante mais justo. Ali, organizam-se os vinhos segundo a sua proveniência e esse conjunto é apresentado aos júris. Para além da origem, sabe-se também o ano de colheita, a quantidade de açúcar residual e as castas utilizadas. Estes elementos, não sendo reveladores da marca ou do nome do produtor, parecem-me essenciais na avaliação séria, honesta e coerente de um conjunto de vinhos. Podemos avaliar uma Baga da Bairrada ao lado de um Syrah do Alentejo sem nada saber sobre cada um deles?

Por ultimo, deixem-me referir que considero a prova inteiramente cega, muito útil para o treino do provador ou para a sua avaliação enquanto tal, na mesma medida em que a considero inútil para um vinho. Primeiro pelas dificuldades que cria ao avaliador, segundo porque o nosso cérebro, na ausência de dados, tem tendência para se defender, valorizando o que entende melhor. São os vinhos mais simples, com aromas mais directos e maior concentração de açúcar que saem beneficiados. Os vinhos complexos, muito secos, com aromas menos revelados (essencialmente os que coloco na categoria 3), confundem um cérebro desinformado que ainda nos tenta proteger do envenenamento. 

No limite, a prova inteiramente cega é outra forma (indirecta) de influenciar o cérebro. Tão "má" como a fama do rótulo.







17 de novembro de 2014

Portugal - Mais de 200 castas...


A pedido de algumas famílias, consegui convencer o meu "Dealer" das camisolas a "arranjar" mais para a malta. Assim, passarei a publicar, com a frequência com que as for criando, imagens do boneco e antevisão do produto final.
Normalmente, podem escolher as cores para as camisolas, o tipo de camisola (Sweat, sweat com carapuço e t-shirt) e as cores das estampas!
Os preços começam, normalmente, nos 9,99€ para as t-shirts mais simples e depois variam consoante a estampa e complexidade do boneco!

Estas, durante o "lançamento" ficam em 9,99€ para a t-shirt e 24,99€ para a sweat com capuz.
Quem estiver interessado contacte-me, via Facebook ou mail.


16 de novembro de 2014

Diário - #winecult, um passo de gigante


Querido diário,

Hoje demos um passo grande. O nosso primeiro projecto de tinto passou para as barricas.
Para além das escolhas e dos seus porquês, que guardarei para o local próprio, importa referir porque é este momento mais importante do que uma simples trasfega, uma simples mudança de tercios.

Transferir um vinho tinto para uma barrica é um passo de assumpção. É um passo de compromisso. È uma aposta num futuro que desconhecemos mas que arriscamos adivinhar. Em produções de garagem como a nossa, joga-se o tudo ou nada. Umas vezes ganha-se, outras perde-se.
Não quero dramatizar em demasia um passo simples, mas este revestiu-se de significado.

Até para mim que tenho alguma experiência, devo confessar que foi um ano estranho, confuso, cheio de falsos sinais. Durante a fermentação, cada dia tínhamos um vinho novo na cuba, uns dias saia da adega feliz, outros tristes, sempre com imensas duvidas. Sempre a fazer contas de cabeça.
Hoje, senti que até à primeira gota de vinho entrar na barrica, o Ricardo estava com a mesma tenção e as mesmas duvidas que eu. Provámos repetidamente o vinho à procura de um vislumbre do futuro. 
Já íamos a meio da primeira barrica quando o Ricardo olhou para mim, ergueu o copo e disse: 

"ei... isto vai ser um grande vinho!"

Rimos os dois e nesse momento, as duvidas foram-se. 

Não é verdade que um vinho tem de se mostra aos seus criadores logo no inicio da vida. Não é verdade que os sinais iniciais venham a corresponder obrigatoriamente ao resultado final. Não é verdade que num vinho feito fora de controlo industrial as certezas abundem.

Independentemente disso, as barricas estão agora cheias, os batoques selados, a casa arrumada. Está nas mãos dos Deuses!

Este vinho está a ser feito para quebrar regras, para provocar, talvez também para inovar. Quando se contraria muito do que nos é implantado durante anos e anos de pratica, surgem duvidas, receios, ressalvas, ses...

Mas sabe (so focking) bem!






14 de novembro de 2014

Vinhos Portugueses no topo das classificações internacionais põem a nu a falência do Marketing de curto prazo!

Foto usada a partir daqui


Estranho! 
Muito estranho! 

Estes classificaçõe de 3ª (Douro Chryseia 2011) e 4o (Quinta do Vale Meão 2011), top wines pela Wine Spectator são mesmo para vinhos Portugueses?

FEITOS COM CASTAS NACIONAIS?

Como é possível! 
Tanta Merlot, tanta Syrah, tanta Cabernet, tanta moda e modinha e depois é isto? E os sticky products, esses grandes motores da internacionalização dos vinhos Portugueses que consistiam no lote entre castas PT com outras mais famosas? Onde ficam nestas tabelas?
Então anda um gajo a investir e a seguir os conselhos dos grandes gurus do Marketing de vinhos nacionais e depois é isto?
Está mal, só vos digo!

Pior ainda é que agora vou ter de gramar com as reportagens feitas por eno analfabetos (tenho duvida se serão apenas eno...) onde, mais do que os vinhos, a sua origem, a cultura subjacente, interessará a massagem ao ego ferido dos pobres Portugueses que, continuam a deixar-se "enrabar" de todas as maneiras, por todos os tipos de poder, mas não obstante, têm outra vez os "melhores vinhos do mundo" (mesmo que uma coisa não tenha nada a ver com a outra).

Acabam por não lhes tocar porque custam mais de 5€ e como sabemos, 5€  é considerado uma fortuna para dar por um vinho. Ninguém em Portugal cai nesse logro!
Haja alegria que ignorância não nos falta!

Os meus sinceros parabéns a quem continua a insistir nesta loucura que é fazer vinhos Portugueses em Portugal!
"Gandas" Malucos!