23 de Julho de 2014

Porquê TWA?

Foto usada a partir daqui.


Não sou muito prendado na arte de criar nomes. Este blog é uma das provas disso mesmo. The Wizard Apprentice (TWA para os amigos) é difícil de escrever e dizer. È grande, como não devem ser as marcas, e origina um acrónimo partilhado por uma companhia de aviação e pela publicação do mais influente critico do mundo (em todas as áreas) que só por acaso também actua no vinho. Podia ser pior?
Penso que não!

Contudo, há uma razão de ser.
Nos meus primeiros anos de profissão, trabalhei com um consultor de renome (Nuno Cancela de Abreu) e fui o 2º enólogo da casa. Naquela altura, tal como agora, era frequente receber visitas de "estrangeiros".
Sempre gostei das coisas no sítio, mas nunca gostei de termos como enólogo residente, 2º enólogo... "o outro", e por isso, quando me perguntavam se eu era o enólogo, eu respondia que não! Era o "the wizard apprentice"!

Acho a expressão feliz porque resume muito de mim, da minha forma de estar e dos meus gostos. Senão reparem:

1º: Sou, desde sempre fã de literatura fantástica, com predominância para aqueles que tentam criar ou recriar a inexistente mitologia das ilhas britânicas (Lendas Arturianas, Tolkien,...).

2º Tenho um fascínio pela "alquimia" das coisas, o seu funcionamento... o seu fundo. A forma como interagem os elementos para chegar ao resultado (há até colegas que me classificam como químico na abordagem ao conhecimento enológico. Eu penso que sou mais bioquímico!).

3º Entendo que a aquisição do conhecimento é contínua e infinita, fazendo de nós eternos aprendizes.

4º Era de facto um aprendiz de enólogo, pois não tinha uma única hora de formação dedicada ao vinho especificamente.

Por tudo isto, na hora de criar um blog que funcionasse como diário de bordo, caderno de campo e "pensatório", não me ocorreu que se chamasse outra coisa senão TWA.

O que acham?

21 de Julho de 2014

O Vinho, o Crespo, a Sónia e eu.

Acedi a um convite do meu bom amigo Crespo. A tarefa não era complicada. Ir à Rádio Pernes para falar de vinho, com vinho, no programa, A "Sónia Convida". 
Amendoins!

Tenho a afirmar que foi uma experiência fantástica e que só não a repito se não me deixarem! Agora fiquei viciado e quero mais!

Um muito obrigado à Sónia Lobato, mentora da ideia e claro, ao Crespo por se ter lembrado de me incluir! Parece pouco, mas, é preciso  uma enorme generosidade para dividir um espaço, que à partida pode ser usado de forma auto promocional (não digo que o seja, apenas pode!) com alguém que, em igualdade de circunstâncias, pode competir pelas mesmas oportunidades. Só as pessoas grandes são capazes de dividir assim! 
Ès grande [Crespo] pá!

Espero que gostem e que lá no fundo, esta nossa conversa possa ter alguma utilidade!
Seja como for, não deixem de comentar!


(clicar sobre a imagem para ouvir)



20 de Julho de 2014

Revisitando posts - Enólogos Consultores


Talvez pouca gente saiba, ou se recorde que, quando comecei a escrever aqui, fi-lo de forma anónima. Já não me lembro bem porque assim foi. Talvez um fundo daquele medo disforme que, constantemente, nos cala a todos!
Assinava  como Wizarap, resultante da abreviatura do nome do blog, pois a minha imaginação não dava, não dá, para muito mais que isso, no que à criação de nomes diz respeito!

Assim foi até escrever um post que intitulei Enólogos Consultores. Achei que seria uma cobardia não o assinar e que, a sua leitura perderia força e sentido reflexivo. Desta forma, não só passei a assinar todos os posts como ainda cometi a heresia de mandar o texto para a Revista de Vinhos (RV) que, para meu espanto, o quis publicar na secção "Correio do Leitor" (pp 20 e 21 da edição nº232 de Março de 2009). Ganhei, inclusivamente uma garrafa que fiz questão de partilhar com outros enólogos.

Porque escrevi eu aquilo?
Naquela altura, o João Paulo Martins tinha um espaço de opinião na RV e numa das crónicas falou sobre, precisamente, os enólogos consultores.
Fiquei um pouco revoltado com o sentido que ele deu ao texto e achei que deveria colocar o dedo na ferida. Foi o que fiz!

Os resultados foram muito giros para alguém que tinha começado há pouco tempo a trabalhar na área (2 anos) e era, completa e absolutamente anónimo e inócuo (ainda sou, com a graça de Deus).
De salientar que o impacto se deu com a publicação da "carta" na revista. Recebi telefonemas, mais de apoio do que de oposição (inclusivamente do consultor da casa onde trabalhava!). Era apresentado como "o gajo que escreveu a carta da RV" nos simpósios que as marcas de produtos enológicos fazem para enólogos. Senti que muito enólogo se viu representado no protesto, mas, para além de umas palmadinhas nas costas, não surgiu mais nada. Não surgiu resposta dos visados, não surgiu apoio dos "revoltosos". Nada, apenas o silêncio normal e cobarde que reina neste sector. Ninguém quer perder posições, ninguém quer arriscar dar um passo atrás. Confesso que tive ilusões. 

Confesso que me desiludi!

Ainda não estou certo se foi um acto de coragem ou da mais profunda imprudência. Tenho duvidas se foi benéfico ou prejudicial para a minha carreira profissional. Que a afectou, tenho certeza!

O post em si, dividi-o em duas partes. Uma caracterização que, quando analisada aos dias de hoje, acho que pecou por ligeira e branda. O post era dirigido à super classe de enólogos consultores, aqueles que assumem muito mais do que podem cumprir, acabei por dar um sentido demasiado generalista que colocou toda a gente no mesmo saco. Hoje apontaria sem dúvida mais pecados e, de forma mais violenta. Mas talvez separasse ainda mais as águas. Na segunda parte do post, tentei fazer um pouco de futurologia. Penso que ainda é cedo para afirmar que errei, mas o caminho não nos está a levar no sentido das minhas previsões.
Pretendo, num próximo post, rever esta parte!

Em suma, foi, talvez, o post mais importante que escrevi, principalmente pelo confronto interior que provocou. Pelos dilemas, pelo risco, pela exposição, pela gestão do medo a que obrigou, pela vitória dos valores face à prudência. Pela forma como permitiu ter chegado até aqui!




30 de Junho de 2014

Inspira Portugal - Vinhos Brancos Crescidos - (Agradecimentos)


Antes de entrar em conclusões mais profundas sobre os vinhos provados nas master class (falarei apenas desses e noutro post). Não posso deixar de, nesta fase fazer o devido agradecimento a todos os que se envolveram nesta aventura. 

Começo por todos os enófilos que aderiram - devo dizer com muito orgulho- desde a primeira hora. De inicio temi que provar vinhos crescidos fosse um risco que muitos não estaria dispostos a correr. A verdade é que as 25 vagas ficaram preenchidas em menos de 9 horas. Prova que existe, ou começa a existir curiosidade (isto para manter as expectativas baixas) por vinhos que não se esgotem nos 12 meses imediatamente após a colheita. Só por isso já valeu a pena.

Tenho ainda um dívida de gratidão para com o Prof. Virgílio Loureiro que prontamente acedeu a comandar a prova. Foi sem dúvida decisivo para que tudo corresse com o sucesso que obtivemos. A sua cultura vínica, a sua eloquência e o seu discurso apaixonada cativaram, sem dúvida, uma boa mão de indecisos que até aqui desconfiariam destes vinhos.

Aos produtores, enólogos e amigos que acederam "assaltar" o espólio das suas adegas de forma a que pudéssemos ter material sobre o qual trabalhar, o meu muito obrigado (serão alvo de um post à parte).

Agradeço ainda à Quinta das Carrafouchas, na  sua alma vínica, António Maria que, não só cedeu e preparou os dois espaços que utilizámos como ainda coordenou toda a logística inerente ao bom desenrolar do evento. O carisma crescente que vêm granjeando junto dos enófilos que vos rodeiam, só se justifica, nesse vossa profunda paixão por receber todos como se amigos da casa se tratassem, bastando a quem entra, referir que ama o vinho. São, deveras inspiradores.

Não menos importante, o apoio de quem nos forneceu o repasto. Solar dos Pintor, na pessoa do Sr Luís e às mãos mágicas da Dona Áurea.

Um especial obrigado ao meu amigo Joaquim Delgado, eterno voluntário para ajudar nos eventos, mesmo não fazendo ideia do que é e como se serve vinho, mesmo sabendo que os seus temas de discussão não passam pelos pormenores idiossincráticos do vinho. Mesmo sabendo que as suas bebidas de eleição são o Gim e a Cerveja, está lá e supera o que lhe é pedido. 
Obrigado pá!

23 de Junho de 2014

Vale da Capucha 2010


Mais um produtor se aliou à master class de dia 28. Dando a palavra ao produtor, pode ler-se:


"Vale da Capucha é uma pequena vinha reconvertida pela minha família nos finais da década passada. Nascidos na lógica da enorme produtividade destinada ao mercado do vinho “a barril” da grande Lisboa, decidimos outro caminho e renascer para a viticultura. Em vez do tinto, virámo-nos para o branco, o que confundiu um poucos os nossos pares da denominação de origem, habituadíssimos a trabalhar tintos. Nos nossos 13 ha plantámos as castas brancas portuguesas que melhor pudessem exprimir o local (9 km do mar, argilo-calcario fossilizado) e iniciamos a produção dos vinhos, sob os princípios da viticultura biológica, para garantir a máxima expressão da vinha e a sustentabilidade do solo e sua biodiversidade.

O vinho que vos proponho é um dos poucos Alvarinhos fora da tradicional zona granítica, de Monção/Melgaço/Rías Baixas, da colheita de 2010, a nossa segunda, vinificado sem mostos rapados, sem leveduras adicionadas, a 18º, sem “fermaid”, sem nada (a não ser o “ainda” necessário anidrido sulfuroso…). Repousou em borra fina e foi engarrafado mais tarde, na primavera de 2012, já relativamente estável e límpido. Não sei se é às cegas a nossa master-class, portanto reservo-me nas notas de prova!

Até sábado.

Pedro Marques"

Relembro que as vagas para a master class se encontram esgotadas, ainda existem algumas para o programa a partir do almoço... mas poucas!

20 de Junho de 2014

Quinta da Silveira Branco 2008



Mais um vinho confirmado para a master class de dia 28. Dele o produtor diz o seguinte:

"Elaborado com as castas Rabigato, Malvasia Fina e Códega do Larinho, através de maceração pelicular (24h) em lagares de granito, com pisa a pé durante essa mesma maceração. Decantação a frio sem uso de enzimas e fermentação expontanea em cuba inox com controlo de temperatura (cerca de 14ºC). Elegante no nariz, com aromas típicos de evolução em garrafa, onde se destacam os aromas a mel e queroseno. Boca volumosa, cheia, com final longo e muito agradável. Branco com corpo."

Cresce a empolgação e a espectativa. Dia 28 de Junho saberemos em que forma estão estes vinhos.

Nota: Para a master class, a lista de espera é enorme. Para o almoço e programa da tarde ainda restam alguma (poucas) vagas! 

17 de Junho de 2014

Independent Winegrowers' Association - 10 anos



10 anos não é nada, dirão.
Não, de facto 10 anos não representa uma enormidade de tempo na vida de uma pessoa. Pode nem ter um impacto determinante na vida dos grandes vinhos. Mas, quando falamos de pessoas que juntam esforços para promover vinhos, garanto-vos, 10 anos é uma eternidade.

Nestas coisas das associações, lembro-me sempre de uma alegoria que um padre amigo gostava de fazer aos jovens catecumenado que se preparavam para o sacramento da confirmação. Era mais ou menos assim:

-Sabem qual é a diferença entre o Céu e o Inferno?
O Inferno é uma enorme mesa corrida, cheia de deliciosas iguarias e na qual cada conviva é obrigado a comer com pauzinhos chineses de 2 metros de comprimento.
O céu é precisamente a mesma coisa! 
-Então não há diferença? - Precipitava-se o aspirante mais afoito.
-A diferença está na atitude de quem se senta à mesa. No inferno cada qual tenta, desesperadamente, comer sozinho. Passam fome! 
Já no Céu cada um alimenta aquele que se senta na sua frente! Andam gordos e felizes!

Posto isto, entenderão as razões pelas quais julgo ser um grande feito, o facto de uma associação de produtores continuar um sucesso passados 10 anos. Principalmente porque o retorno nunca vem de forma proporcional ou na mesma janela de tempo para todos, criando, inevitavelmente a tentação de transformar o banquete numa experiência infernal.

Os meus mais sincero parabéns! Muitos e bons anos de vida!

Não me vou alongar em relatos do evento anual no qual estes produtores reúnem no Hotel Ritz em Lisboa um conjunto de media e de amigos no qual fazem o especial favor de me incluir. Deixarei, no final do post, alguns links de outros blogs onde o evento foi suficientemente relatado.
Gostaria de destacar, apenas dois ou três pontos.


Para comemorar os 10 anos de existência, fizeram e apresentaram um branco (abençoado Pedro que não tinha tinto para fornecer) resultado do lote entre vinhos de cada um dos produtores. Todos estão representados, cada um com uma casta característica da sua exploração. Um vinho bonito que me deixa com ideias.

Foram convidadas a estar presentes as restantes associações de produtores de vinho do nosso país. Demonstrativo, mais uma vez, de que os membros IWA já se ajeitam a comer com os paus grandes e que estão, talvez, abertos a ampliara a mesa (não a associação, entenda-se)!




Todos os produtores IWA têm vinhos que de alguma forma me seduzem. Uns mais que outros, até porque é sabida a minha preferência por vinhos brancos e aqui encontro boa parte da minha lista top de preferências.
Sou obrigado a ser indelicado para com os restantes "vinhões", mas houve um, que me seduziu sobremaneira pela "originalidade". Chama-se ou vai-se chamar Solo, aparece sob a chancela Ameal e, talvez pela combinação com a história, foi, para mim, a grande novidade vínica do evento.
Deliciou-me ouvir o Pedro Araujo contar como o vinho nasceu. "Fez-se como quis". "Fermentou, parou, reiniciou fermentação, parou outra vez, diferentes velocidades".... ahhh! 
O resultado é algo único, que sai, a meu ver, da linha dos outros vinhos da casa. Sem dúvida, algo que os white winelover terão de provar!

O evento noutros Blogs:
Joli
Pingas no Copo
Airdiogo num copo

7 de Junho de 2014

Topos de gama em meias garrafa! Está bonito!


Há dias tive um choque do qual ainda não consegui recuperar.
Entrei num pequeno restaurante de bairro (mas de qualidade média) e à vista saltou-me um perfilada de meias garrafas (375 ml). O primeiro impacto não foi de uma repulsa maior do que nas demais ocasiões em que este volume me passa à frente dos olhos.

Um olhar mais atento levou-me o queixo ao chão. Perdi a noção do que fazia ali. Na minha mente apenas uma pergunta. Será real?
Sai do transe e quando dei por mim, percebi que a questão não tinha permanecido somente na minha mente.
O meu interlocutor, respondeu-me em triunfo que sim, eram garrafas reais, que muita gente ainda as desconhecia e confirmou os meus receios, eram TOPOS DE GAMA de algumas das mais prestigiadas casas Portuguesas.

Sinceramente, nem ouvi os seus argumentos a favor desta pérola do armazenamento e engrandecimento de vinho. Não quero saber. Sou fundamentalista. Abomino as meias garrafas. Acho que não adicionam nada de bom ao vinho, excepto uma efémera noção de que são mais vendáveis nos restaurantes.
Tolero, quando estamos a falar de entradas de gama e vinhos para consumir num espaço curto de tempo. Agora... TOPOS DE GAMA?
Sério?

Revolvem-me as entranhas pensar que se andaram/andam a gastar milhares em campanhas de promoção de consumo de vinho a copo e depois, os produtores (que são os... ou dos... mais interessados) são os primeiros a roer a corda.

Já os imagino galantes a afirmar que sabiam e que até avisaram, que as estratégias em favor do consumo a copo estavam erradas e talhadas para o fracasso.  

Sabe bem ver toda a gente a remar para o mesmo lado! 
Vão para o diabo pá! Mais valia terem-nos postos em BiB. Ao menos aí, sempre marcavam uma posição contra a hegemonia do vidro.

1 de Junho de 2014

5ª de Mahler 2000

È já no próximo dia 28 que poderemos tirar a prova dos 9 a alguns do vinho branco Portugueses com mais idade. Será que estão ainda em condições de consumo? Será que estão melhores?

As inscrições para a master class (consulte o programa), esgotaram nas primeiras 9 horas após a abertura, contudo, ainda é possível inscreverem-se para o almoço, seguido de prova partilhada de muitas dessas garrafas que vocês têm em cave. Perdidas ou por opção.


Para a master class, temos alguns vinhos já confirmados e começo hoje, pelo primeiro, um vinho oferecido pelo produtor Ribatejano Areias Gordas. O 5ª de Mahler 2000. 
O produtor descreve-o desta forma:

"Este vinho 100% Fernão Pires, uma das melhores e seguramente a mais versátil casta branca portuguesa, foi feito para beber novo. Mas os preconceitos, e a "falta" de uma estabilização tartárica artificial fizeram com que ao fim de um ano de idade ele fosse ficando para velho. E ficou, e ficou. Para 14 anos depois continuar a mostrar a sua graça. E que graça! Já não é o frutadinho jovial, mas em vez de cabelos brancos, ficou cada vez mais loiro, e tudo sem platinados nem pintados. Agora é a harmonia de uma suave evolução em garrafa que se destaca. Não está velho, apenas antigo e experiente. O que o segura? Mais que a acidez, que também tem, no Fernão Pires é a estrutura e robustez natural, sem ginásios, mas com uma vida saudável de muito caminhar, primeiro na vinha, depois em garrafa, sopas, e descanso. Foi feito a pensar no vinho em si e em quem o vai beber, e não para inchar o ego de um qualquer parasita do vinho".



Fiquem atentos aos próximos. 

27 de Maio de 2014

Um dia de enólogo-vendedor

Querido diário:

Há já algum tempo que não te falo. Não é por falta de vontade. Não. É mesmo por falta de tempo e disponibilidade física, mas essencialmente mental.

Hoje achei que devia, primeiro porque te queria contar que, mais uma vez, fui chamado a visitar clientes e confesso que, aos poucos começo a gostar disto, não só pelo que se passa a conhecer, mas especialmente pelas pessoas que nos tocam pelo caminho!

O dia foi passado a vaguear pelos restaurantes das praias entre a Ericeira e Adraga, com um finalzinho em Colares que valeu, uma inesperada visita a um amigo, colega de profissão. O Francisco Figueiredo na Adega Regional de Colares.



Confesso que nunca tinha visitado e fiquei muito agradado com o que vi. Uma adega que me fez recuar no tempo, até aos dias de meninice em que ainda assisti às muitas Adegas da Ribeira de Santarém a processarem uvas do Campo do Rossio.
Sou um apaixonado confesso por estas tecnologias antigas, por estas adegas que são verdadeiras máquinas do tempo.
Já deves ter adivinhado certo? 
Sonho, um dia ter a minha própria adega "Vintage"!










Se eu fosse bom a descrever vinhos. Se eu tivesse vocação para o fazer, dir-te-ia que deu ainda para provar Um Ramisco e um Malvazia de 2011. 
O Ramisco já o conhecia bem, não me surpreendeu por isso. O Malvazia, deixou-me a sonhar com uma garrafas bem guardadas e abertas daqui a 10 ou 15 anos!
Estarei a exagerar?





E ainda...
Um livrinho novo, sobre a história de Colares que, logo que o leia, farei aqui relato!



23 de Maio de 2014

Inspira Portugal - "Brancos Portugueses Crescidos" - (IV)

Estão desejosos de saber pormenores?
Estão loucos para marcarem a vossa presença?
Têm o vinho escolhido e no frio?

Pois bem. Aqui fica o programa!



Não se esqueçam de que existem apenas 25 vagas para a master class!
No mail, informem em que modalidade se estão a inscrever!


13 de Maio de 2014

Inspira Portugal - "Brancos Portugueses Crescidos" - (III)



Inspira Portugal - "Brancos Portugueses Crescidos" - (II)
Inspira Portugal - "Brancos Portugueses Crescidos" - (I)


Eu seu que prometi notícias até ao final da semana passada, mas... isto de fazer as coisas por carolice, tem muito que se lhe diga!

Muito bem, as novidades são boas e muito me entusiasmam. Parece que o universo congemina a nosso favor, pois não só a ideia está a ser muito bem acolhida pelos produtores como são os próprios consumidores interessados em participar quem me tem ajudado e dinamizado na organização do evento.

Ora vejam lá a pré ficha técnica e digam lá se não promete.

Data: 28 de Junho de 2014
Local: Quinta das Carrafouchas


  • Manhã : Master class sobre brancos crescidos. 

Esta prova é patrocinada pelos produtores (que revelarei muito em breve, bem como os vinhos) e dirigida por um especialista em vinhos crescidos. Será realizada em sala e terá, em principio um limite de inscrições!


  • Almoço: Almoço volante.

Almoço de convívio realizado no espaço exterior da Quinta das Carrafouchas


  • Tarde: Mesa redonda / Prova de vinhos 

Cada participante é convidado a trazer, da sua garrafeira privada, um vinho para partilha. A discussão andará à volta de  tópicos que proporei em breve, assim como na dissecação dos próprios vinhos em prova.

Preços: Variável entre 15 e 25€

O valor a pagar será descrito de forma mais detalhada em post próximo (quando abri inscrições), varia consoante a escolha dos momentos a participar e se o participante opta por trazer ou não vinho.

Tão depressa quanto possível, lançarei o programa completo e abrirei inscrições.





6 de Maio de 2014

Vou a Londres comprar vinho! Volto já!





"Enquanto os consumidores de vinho britânicos seguem em rebanho para a Europa Continental nos chamados "cruzeiros dos copos", não é de forma alguma desconhecido para os seus congéneres portugueses viajarem na direcção oposta para descobrirem os vinhos mais importantes de Portugal à venda em Londres a um preço mais baixo do que em Lisboa."*

Será isto uma vil calunia?

____
*By: Richard Mayson em Os Vinhos e Vinhas de Portugal edição Portuguesa de 2005. Original de 2003.

5 de Maio de 2014

Inspira Portugal - "Brancos Crescidos" - (II)



Prometi que ia dando notícias sobre a organização do próximo Inspira Portugal. Aqui estou eu para fazer o ponto da situação.

Conto, até ao final da semana divulgar o local, a data e os preços definitivos. Estou ainda a ver espaços... está quase!

No contacto com os produtores, tem surgido uma duvida pertinente, relacionada com a idade dos vinhos. "A partir de quando consideramos ter um vinhos crescidos?".
Não acredito, em consciência, que esta pergunta tenha ou vá ter algum dia uma resposta conclusiva, mas tenho de ser prático e lembrei-me que, possivelmente a melhor resposta têm-na aqueles que vendem o vinho. Quem o introduz no consumidor de uma forma menos personalizada. Se quiserem generalizar... os distribuidores!
As respostas que obtive, coincidem, pelo que as tomarei como certas.

De uma forma geral, sublinho, geral, uma distribuidora tem hoje, dificuldade em vender um vinho branco cuja colheita seja anterior a 2010. 
Logo, para o efeito desta prova, consideremos apenas os vinhos de colheitas iguais ou inferiores a 2010.

E pronto, logo que tenha mais informações aviso!




24 de Abril de 2014

Inspira Portugal - "Brancos Portugueses Crescidos"




A reter:
-Prova formativa à volta de vinhos brancos com "idade".
-Data e local a definir (num raio máximo de 100 km de Lisboa, possivelmente no final de Maio).
- Almoço facultativo.
- Mesa redonda informal para discussão do tema. 
-Preço Low cost.




Não é preciso muito trabalho, para me convencer a participar nalgum evento que ande à volta de vinhos com idade. Em especial se forem brancos!

Chamem-lhes velhos, evoluídos, não novos,... o que quiserem!
Porque não temos expressões, no nosso Português que definam, convenientemente, vinhos que deixaram que o tempo os fizesse, chamo-lhes, provisoriamente... Vinhos Crescidos.

Desta forma, e depois de uma ligeira conversa no TWAfacebook sobre o tema, decidi que este seria um bom assunto para fazer ressurgir o projecto Inspira Portugal.

Para quem não sabe ou não se lembra, o Inspira Portugal é um projecto que iniciei (e parei) há cerca de dois anos visando, essencialmente dois aspectos:

-Formação enófila sobre vinhos Portugueses de castas Portuguesas.
-Divulgação de vinhos e produtores que apostam nas castas Portuguesas.

Desta forma, proponho, em data e local a apontar muito em breve, que nos reunamos para fazer prova de que, essa história dos vinhos brancos terem de ser bebidos imediatamente após a colheita é uma das mais caras mentiras do mundo dos vinhos.

Proponho ainda que se aproveite a ocasião para se fazer uma mesa redonda informal sobre o tema.

Normalmente, estes eventos metem almoço. Vou tentar que seja algo barato, para assim permitir a presença de todos. - estimo valores entre os 15 a 20€.

Nota:
Os produtores e enólogos que não possam ou não queiram estar presentes mas têm vinhos que gostaria de ver mostrados a esta comunidade enófila, falem comigo através dos contactos aqui expostos ou por mensagem de Facebook!

Vamos lá mostrar a esta rapaziada o que andam a perder!

Brevemente avançarei data, local e preço!
Mantenham-se atentos!




20 de Abril de 2014

Ponto de situação.


Querido diário:

Os dias têm sido curtos para vir aqui falar contigo um bocadinho.
Entre a agitação de um novo projecto familiar e algumas deslocações  de trabalho, tenho a ajudar o cansaço pelo acumular das noites de vigília a tentar interpretar os motivos do choro do filho e da má disposição da mãe.

No entanto, o sonho continua. Tenho aproveitado para pensar e repensar em como vou pôr em prática a ideia que tenho na cabeça. Algo que, para não variar, se reveste de alguma complexidade logística (a seu tempo vou largando detalhes).
Pode dizer-se por isso, que me encontro na fase de planificação e operacionalização do projecto.
Ou seja, se eu fosse uma vinha, estaria naquela fase, em que o inverno está a acabar e a primavera vem aí para rebentar em força!

Para já, avanço-te, que um dos objectivos mais ambiciosos é mesmo o de transformar em vantagem, este "problema" de partir sem dinheiro para investir.

Como, perguntas tu?

Vais ter de pagar para ver! ;)




9 de Abril de 2014

Coisas que me aborrecem (IV)

È esta, mas podiam ser tantos outros, felizmente, do mesmo género...


Ah, e tal...

Não, porque está muito amarelo!

Não, porque é de 2006!

Não, porque não cheira a frutos tropicais com especial e absoluta evidência do maracujá!

Não, porque não é directo e intenso o suficiente!

Não, porque... E porque... E porque...

Vão para o c******* pá! 



24 de Março de 2014

Um post à Pingus Vinicus



Por norma, tendo a não confiar nos "sempre felizes". Soam-me a falso, a plástico! Às vezes a patético.
Soa-me a infelicidade envergonhada!

Toda a gente sabe que somos um país de melancolia, que as nossas obras poéticas maiores são escritas por desgraçados na desgraça! Diz o meu bom amigo Rui Massa que é uma herança Celta. Eu acredito.

Também me debato, constantemente com a amargura, inadaptação e tristeza depressiva. Sinto, confesso, um prazer estranho, quando penso e escrevo na depressão. 

Não tenho por isso, pachorra para as imensas fotos de garrafas especiais, em cenários especiais, com pratos especiais, com descrições perfeitas e na companhia de gente especial que grassam por essas redes sociais fora, como se a beleza da vida fosse construida apenas  de momentos subliminarmente bons!
A felicidade constante soa-me a second life. Associar o consumo de vinhos, somente aos momentos, aparentemente, bons, é uma patetice!
Este tipo de sentimento, transporto para o que leio nos blogs, sites, revistas,... Tudo muito bonito, polido e feito por gente muito, mas muito avisada. Nada contra. 
Apenas não consumo!

È por tudo isto que não tenho pejo em afirmar que considero o Pingus Vinicus, o mais humano dos bloggers nacionais. Não deixa de ser irónico que nenhum outro nick seja tão assumidamente um personagem, um heterónimo eno literário. Este, pertença do Rui Massa.
Gosto do facto do Pingus ser um de nós.  Com iguais medidas de felicidade e infelicidade. Gosto do facto de ser um tipo mundano, com relatos humanizados daquilo que sente quando bebe o vinho, dos motivos que o levam a bebe-lo!
Nada diferente da experiência de todos nós.
Gosto do que escreve o Pingus porque, à sua maneira, me sinto retratado nas suas amarguras, nas suas frustrações e no sentido anestésico com que usa o vinho.

Não vou discutir se ele é o melhor, o pior ou o do meio. Apenas alerto aqueles mais incautos que alegam que assim, ele não faz qualquer divulgação aos vinhos que posta. Faz sim, e muito.
Quem pensar o contrário, não percebe um boi de marketing!

Amigo Rui! Ergo o meu copo a ti e mais à tua loucura sã! Que nos presenteies por muitos e bons anos com estas brilhantes caricaturas. Nossa e da vida de merda que todos levamos nos intervalos dos estados etílico.
Ès grande!

(para quem não conhece, o blog de que falo chama-se Pingas no copo e podem lê-lo aqui!)