19 de janeiro de 2017

Como está a correr a pré-venda



Mesmo correndo o risco deste post ser interpretado como uma mera acção de marketing (não nego que aceito todo o contributo positivo que possa advir daqui), sinto necessidade de fazer uma resanha às emoções que tenho vivido durante estes dias de pré-venda.

Um post no facebook com a imagem final já me tinha dado muitas esperanças quanto à forma como esta pré-venda poderia decorrer. Mas convenhamos, ando nisto há muito tempo e há muito tempo que não me iludo com o facebook e intenções ali expressas. Partilha-se um post, mostra-se intenção de compra e depois... bem, depois só quem sabe é o visado e esse normalmente tem pudor e fica calado!
Portanto, tinha uma esperança cautelosa de que a coisa pudesse correr bem. Também não havia muito a pensar, embora não tivesse (e não tenho) plano B, a máquina está em andamento e o dinheiro vai ter de aparecer. Aperta-se o botão e ... espera-se! Se fosse do tipo de roer unhas te-las-ia roído... até aos pulsos! 
Terça-feira, hora de almoço, altura de merda para lançar conteúdos, afirmam os gurus, mas a batata quente fervia muito e... zás, aqui vai disto!
As primeiras reacções são fantásticas, os conteúdos foram bem recebidos, mandei mensagens a todos os que se mostraram interessados e por conta da gripe que não me larga fui a um pequeno cochilo... duas horas, porra, como posso ter dormido duas hora?
Volto para o computador e abro a caixa postal, fico incrédulo, uma boa dezena de comprovativos, começo a abrir e... é mesmo... e chegam mais, e mais. È isto a tarde toda. tremo: "ai porra que acertei com isto!". O primeiro dia é a loucura completa, chego ao primeiro milhar e lanço-me no segundo. As garrafas saem. são 800 que têm de sair, ainda estamos longe, mas há cadência, a máquina não pára. Sinto o primeiro tremor ao ver os nomes. isto é gente séria, malta de muitos quadrantes e nalguns casos até nos antípodas das minhas posições, Que bom... querem ver que me tornei consensual?
Segundo dia, mais calmo mas muito emotivo, recebo telefonemas e mensagens, todas a manifestar apoio e carinho... estou sem saber onde meter as mão. Sério, não fui feito para receber elogios. 200 garrafas já voaram e volta o receio, será que consigo chegar às 800 a que me propus. O terceiro dia foi mais calmo. ainda não atingi as 300, mas noto que ainda tenho muita gente a querer participar, o mês está a ser duro e percebo que muitos estejam à espera do final para fazer o seu contributo. Mesmo assim o balanço já está a ser fantástico. A máquina já foi posta em andamento não há como parar agora!

Chego ao fim do dia e o sentimento é estranho. Todo o apoio, todo o interesse, todas as manifestações de carinho que me têm sido dirigidas, toda esta mole de gente (neste momento passam das 60 pessoas) me transformou o sentimento. Acreditem ou não, este projecto é cada vez mais partilhado convosco, deixou de ser meu em absoluto. Tem o meu nome, é um facto, mas é nosso e cuido dele com essa responsabilidade, com esse carinho, com esse empenho. Fico com pele de galinha quando penso que a viabilização deste projecto pela vossa parte significa que este é um vinho que vocês decidiram que tem de existir. Não conheço outro com uma génese tão comunitária. 

Quero por isso descansa-los e deixar a nota de que estou a tratar do nosso vinho com todo o carinho, com o máximo de empenho, com a noção da enorme responsabilidade que a vossa generosidade e confiança me depositou nas mão.
Querem saber, perdi o nervo e o medo, não sei bem como, mas tenho a certeza de que isto vai acontecer, de que as 800 garrafas vão para esse lado e que nascerá uma bonita comunidade de enófilos que tudo farei para honrar e respeitar em tudo o que fizer daqui para a frente. Não sei se acreditam, mas isto vai mudar a minha vida.
Muito e muito obrigado por permitirem que isto aconteça.



17 de janeiro de 2017

Pré - Venda aberta


E pronto, aqui estão as indicações para me ajudarem (com regalias fantásticas) a concretizar este sonho. vejam as instruções e o video, se permanecerem duvidas, cá estou para as esclarecer!
Muito, mas muito obrigado!




16 de janeiro de 2017

Que vinho é este afinal?



Amanhã arranca o período de pré-venda do meu vinho branco de Lisboa. Para já, e porque muitos me têm perguntado de que vinho se trata, deixa-me já ir adiantando trabalho.

Há muito que espero uma oportunidade de experimentar apanhar Fernão-Pires (FP) tendo em conta apenas a acidez. A minha teoria é a de que, desde que esta seja estável, consegue-se um vinho com um a paleta aromática mais próxima dos citrinos e mais afastada dos aromas enjoativo que a casta costuma apresentar. Para além disso fico em vantagem na capacidade evolutiva do vinho dai resultante.
Desde o inicio que percebi que não conseguiria fazer o vinho só de FP, já que o álcool ficará obrigatoriamente aquém dos limites de certificação. Arinto seria sempre a escolha óbvia e natural. Confere estrutura e álcool (o lote ronda os 11-11,5%) sem comprometer frescura .
para quem gosta de detalhes de enologia, o sumo limpo fermentou em cuba de inox, com leveduras naturais a temperaturas médias de 17ºC. fermentações certinhas, com arranques demorados como é da praxe com estas bichas.
Aparte disso, porque acho que o grande trabalho aqui é feito na garrafa ao longo do tempo, quero engarrafar o mais rápido possível.



Parece uma formula simples, e de certa forma é. Contudo, inspiram-me aqui as evoluções dos vinhos base de espumantes quando faço algumas garrafas de ensaio e deixo para crescer. Este triângulo (vindima precoce+garrafa cedo+tempo) tem-me dado vinhos maravilhosos, cheios de poder e nervo, salinos e iodados, perfumados e loucamente equilibrados.
Do triângulo, deixo-vos o mais fácil, dar tempo a algumas garrafas para se fazerem juntas de vós e deixar-vos fazer parte desta descoberta continua que agora se inicia.

Eis o meu primeiro vinho, um vinho de Lisboa, Não a única forma com que olho para a região, mas seguramente uma das visões que mais anseio ver revelada.
Espero que desfrutem tanto dele como eu tenho desfrutado até aqui.
Obrigado!

15 de janeiro de 2017

Imagem final


Eis a imagem final. Eis o aspecto de 6 garrafas (guardem este numero na cabeça)
Esta semana iniciarei a pré-venda deste vinho. Apelo a todos que se mantenham atentos e que me ajudem a concretizar este sonho sem ter de recorrer a nenhum tipo de financiamento que não o da compra directa. Ajudem-me a provar que os consumidores sabem escolher os seus vinhos, sabem apoia-los e que a eliminação de alguns  intermediários pode, por vezes trazer benefícios para ambos.
Ajudem-me, sobretudo, a mostrar que é possível!


Para além de preços muito, mas muito especiais, quem comprar o vinho nesta modalidade passará automaticamente a pertencer a um grupo (clube do produtor) com regalias fantásticas e alguns produtos exclusivos (vinhos, formações,...)

12 de janeiro de 2017

8 de janeiro de 2017

O vinho na ponta da Língua



Ponderei se seria "apropriado" escrever sobre este livro, afinal, o que tenho para dizer não é bom na generalidade.
Como escrever o que penso sem interferir no equilíbrio natural ou no distanciamento devido que a minha actividade e a da autora têm?
Honestamente não sei! O que sei é isto: não posso exigir rigor e honestidade crítica a toda a hora e ao mesmo tempo fazer parte da Junta Nacional dos Nins e dos Silêncios (JNNS). Não é justo para comigo, não é justo para com os valores que defendo e não é justo para quem considera a minha opinião. No limite até acho que não é justo para a autora, mas deixo para ela esse julgamento!
Ponderei se seria apropriado escrever sobre este livro ... e todos os botões do meu corpo gritaram que sim. 

Começo pelos aspectos positivos:

O livro é quanto a mim uma bela ideia, na onda dos manuais "A, B, C do vinho". Pretende, de uma forma simples e resumida, apresentar os aspectos mais importantes de quem quer desfrutar um pouco mais das experiências etílicas. Gosto da organização e da estrutura. Muito.
O grafismo está de se lhe tirar o chapéu. Imagens giras com cores vivas a puxar para o sentimento cool cosmopolita. Fresco, divertido e jovial como se pretende que seja na fase de descoberta em que se encontra o publico alvo. Muito bem esgalhado. A minha vénia!
Tentativa de expressão numa linguagem desempoeirada e divertida... uma espécie de conversa simples com o leitor. Aprovadíssimo!

Aspectos negativos:

O pior que lhe encontro é a gritante falta de revisão. O livro está cheio de erros e falhas técnicas básicos, facilmente identificáveis pelo mais simples dos enólogos. Sendo a autora tão conhecida (e reconhecida) no meio, custa-me entender como não pediu a algum técnico para ler e emendar o texto. Torna-se a meu ver muito grave quando temos em conta que o publico alvo dá os primeiros passos neste meio específico, criando-lhe deformações, e incutindo-lhe preconceitos que serão muito mais difíceis de emendar à posteriori.
Os textos têm uma construção que me cria dificuldades de compreensão. Ideias e processos nem sempre se encontram descritos de forma clara (até para quem os conhece). Há uma excessiva repetição de palavras que tornam a leitura maçuda quando se pretende precisamente o contrário.

A ideia com que fico é a de que o livro é uma espécie de transposição de uma longa conversa oral, com todas as bengalas e falhas deste canal, adjuvada por uma preocupante falta de revisão técnica. Será que publicaram o esboço? Não entendo!

Tal como está, não aconselho a ninguém, mas julgo que numa segunda edição, se houver vontade de uma revisão séria, pode transformar-se num manual de eleição para os iniciantes a enófilos. 

E não estou a brincar!






5 de janeiro de 2017

Quinta das Carrafouchas Branco 2015



Podcastas: Episódio 17

Quinta feira, dia de Podcastas, certo? Sabias, certo? Não te esqueceste, certo?

Desta vez foi o Wilson quem trouxe o vinho. Um Fabuloso branco de Lisboa, da Quinta das Carrafouchas, que por acaso, também tem dedo deste que te escreve. Um vinho de SONHO  que o gajo levou para a própria quinta onde é produzido. Local onde gravamos o episódio! Salganhada, não?

Para ouvir na tua plataforma preferida (tens os links aqui) e mostrar aos amigos, se gostares. Se não gostares, partilha com os inimigos!

Vá, toca a ouvir e já agora, nas plataformas, dá para avaliar. Ajudas-nos muito se o fizeres!
Ajuda-nos a fazer disto um podcast de sucesso e eu prometo que intercedo para que entres num episódio!


Beijos e abraços!

3 de janeiro de 2017

Lisboa branco by me - A Vindima


Lançar um projecto, realizar um sonho, apostar no risco, chama-lhe o que quiseres, sabe sempre melhor quando é acompanhada por pessoas que te fazem bem ao coração.

A ideia persegue-me há anos, iniciar uma linha de vinhos, meus, mesmo meus, onde, numa escala sempre pequena me dou o direito de expressar as regiões tal como as vejo. Apostar nas castas mal amadas e pegar nas D.O. com que ninguém sonha. Foi isso que me fez enólogo, o desafio imensamente maior de fazer surgir vinhos marcantes mas nas regiões sem créditos de estrela. Se fosse mais versado em futebol diria que não tenho vocação para ponta de lança, mas sim para o gajo que constrói o jogo... é o 10, certo? O Pablo Aimar! Isso é que me desafia.

Na preparação da vindima 2016 a família empurrou-me para a frente, fez cara feia e apontou o dedo à vinha. "vais e vais mesmo fazer esse vinho já!". E eu, bem mandado que sou... fui!

Então, numa demonstração incondicional de confiança e carinho, os amigos que puderam chegaram-se à frente e disseram: "Vais, mas não vais sozinho!". E não fui! 
Com o coração a rebentar de alegria, orgulho e gratidão fiz a vindima mais emotiva da minha vida, ao lado de muitas das pessoas que mais gosto neste mundo. 
Tenho dito a brincar que é o vinho com mais enólogos por metro quadrado que conheço. Se isto não sai bem...

Olha lá para as fotos, diz lá se a única coisa que pode sair daqui não é um vinho maravilhoso?
Não estão aqui todos os que torcem pelo bem deste projecto. Nem os presentes consegui retratar na totalidade. Mas eles sabem re sei que estão comigo e que lhes sou grato!






















Fotos By: Ricardo Ramos

29 de dezembro de 2016

Podcastas - Best of 2016

Quinta-feira é dia de Podcastas. Hoje, em jeito de resumo do ano, fizemos um apanhado dos melhores momento dos episódios até aqui. Confiram o resultado na plataforma onde gostarem mais de ouvir.

Gostaria de vos pedir também que subscrevam o Podcastas na vossa plataforma preferida e que o classifiquem. É um gesto simples mas de elevada importância para nós.
Desde já!

MUITO OBRIGADO

Para ouvir, clique na imagem!

22 de dezembro de 2016

Villa Oeiras - Carcavelos

O titulo não era para ser este. Inicialmente pensei em chamar-lhe Villa Oeiras - O último Carcavelos. Parei e lembrei-me das palavras do Tiago Correia, seu enólogo e guardião, ao afirmar que o esforço da Câmara Municipal de Oeiras vai no sentido de influenciar outros produtores a reatar a produção deste magnifico nectar.

Bom, comecemos pelo principio. A equipa do Podcastas  foi convidada a animar um momento de conversa e divulgação dos vinhos produzidos pela Câmara Municipal de Oeiras. Devo confessar que o meu conhecimento sobre este vinho era sobretudo teórico e umas provas mal feitas numas garrafas possivelmente maradas. 

Desta vez tive oportunidade de provar com orientação e, meus amigos, devo dizer-vos...

Oiçam o podcast e descubram por vocês mesmos! :)



19 de dezembro de 2016

Carta ao Pai Natal que há em ti



De manhã quando desci do quarto, deparei-me com uma árvore gigante na sala. Os putos estavam parvos como de costume e ontem não bebi álcool que chegue para estar com alucinações. Presumo portanto que seja Natal!

Sendo assim, e para evitar a desagradáveis comentários da minha parte, venho deixar uma listinha de presentes que me podes pôr no sapatinho sem necessidade de enfrentar terríveis humilhações.

Vinho: Aposta nos generosos. Madeira, Carcavelos, Porto e Moscatel. Contudo… toma atenção a dois ou três pormenores. Porto. LBV aceito… mas é o mínimo! Moscatel… roxo se faz favor. Madeira… os preços ajudam a perceber quais os que gosto mais. Carcavelos, como só há um… É à confiança!

Livros: Nada de gurus da auto-ajuda. Nada de romances ou histórias de amor, mesmo que meta vinho (já uma vez me enganei com isso e andei duas semanas em recuperação). Literatura da boa se faz favor. Biografias de gente inteligente ou que tenha feito algo útil pela Humanidade. Álbuns de viagem também gosto,... por ai!  Se forem livros sobre vinho, pede talão de troca pois há uma forte possibilidade de já os ter. Pensando bem… pede talão em todos não vá sair uma biografia da Cristina Ferreira ou do Cristiano Ronaldo. Estou sem grande tempo para ler, sabes!?!
Outra coisa, opta por comprar na Bertrand. Por nada em especial, há uma loja em Santarém, tenho cartão daquilo e se tiver muitos talões de troca posso apanhar uma overdose de compras.

Roupa: Não preciso, obrigado!

Material desportivo: Preciso muito de uma raquete de ténis, parti a que tinha. Que seja boa, leve. Topos de gama da Dunlop, Head e Babolat está bom! Sapatinhas de ténis, escolhe a marca Asics, e cuidado, nem todos os modelos são bonitos. Abre os olhos quando as comprares. Sapatilhas de corrida. Estrada, podem ser Nike ou Asics. Não sou muito exigente, são para complementar as outras que tenho, agora que vou iniciar novamente treinos para uma Maratona.

Bom, agora que já sabes toca a comprar que o tempo está a ficar curto. Com esta crise, preocupa-me que os melhores se esgotem. Como é hábito!

Adoro o espírito de Natal!




15 de dezembro de 2016

Podcastas - O Podcast de vinho mais ouvido em Portugal

Já aqui dei conta de que tenho a honra e o privilégio de fazer parte da equipa deste podcast. Mais do que ler uma daquelas descrições que eu seria capaz de fazer.... má e chata, ouve alguns episódios e tira as tuas conclusões.

Pela minha parte posso afirmar que me está a dar um gozo do caral*** . É uma cena desempoeirada, sem linguagens chatas ou pretensioso. De facto, até os vinhos que levamos servem apenas como núcleo de onde partem as conversas. O importante não é falar sobre o vinho, mas ter uma agradável conversa com o vinho.

A loucura é tanta que acedemos, vê lá tu, a fazer uma edição ao vivo. Loucura. Qualquer dia ainda vamos ter direito ao nosso acampamento de putos (no nosso caso serão gajas boas com garrafas de vinho icónicas nas mãos) à espera de conseguir lugar a primeira fila do pavilhão Atlântico. 

Bom, por agora será numa sala (nobilíssima aposto!) do Palácio do Marquês de Pombal em Oeiras. Vê o programa aqui em baixo e despacha-te a marcar.
Beijos e abraços!
Ah, e não esquecer de ouvir os Podcastas



14 de dezembro de 2016

Dia de prova - O Fernão Pires: 50% do blend

Enquanto esperam, fiquem com esta:

Hoje foi dia de visitar  e provar o vinho. Não vou usar meios termos. A.D.O.R.E.I!

Será (será porque ainda não os juntei) uma mistura de Fernão Pires e Arinto.
O Arinto é um Arinto.... feito aos mesmos preceitos que sigo em Bucelas, sem mas nem meio mas. Vinhas adultas e estágio com borra fina. Procuro  estrutura, esqueleto e acidez. Vejo o Arinto, não me canso de dizer, como uma casta masculina, com todas as responsabilidades que o homem tem na vida do casal (mais as dores de cabeça e obrigatoriedade de assentir às razões menos razoáveis que só a sensibilidade feminina se lembra de concluir).

O Fernão Pires é/será, acredito eu, a chave deste vinho. O factor de risco. O elemento que ditará  sucesso ou  fracasso desta obra. Nada de muito admirável se vos digo que o considero o elemento feminino.  Afinal, são ou não são as mulheres que mandam nesta merda toda?

Acredito que o Fernão Pires pode ser mais do que uma casta aromática apanhada tarde demais e usada para encher (como é tradição no Tejo e em Lisboa). Quis testar a hipótese de o apanhar com base na acidez, em total alheamento para os restantes parâmetros de maturação. Fermentação com leveduras indígenas e engarrafamento cedo (falta engarrafar). O resultado foi um vinho com 9% de álcool, sem a intensidade aromática que caracteriza a casta (Deus seja louvado) mas com equilíbrio e a prometer um desenvolvimento com muito interesse. E tem acidez... imaginem vocês. TEM ACIDEZ....

Até amanhã... sonhem com este vinho, se faz favor! :)






13 de dezembro de 2016

Primeiro Rótulo - esboço #1

Quem me segue no Facebook, já percebeu que preparo o lançamento do meu primeiro vinho.
Os motivos ficarão para outro post, mas desde já vos deixo com a ideia que abraçará todas as referências a serem criadas sob a égide Hugo Mendes Wines. Serão vinhos feitos a partir das castas nacionais mais presentes na região em questão (Lisboa numa primeira fase, Tejo logo de seguida). serão fruto da minha visão sobre as mesmas e logicamente, da minha total responsabilidade. Dai ter cedido às recomendações de usar o meu nome como marca. Julgo que faz sentido embora nem sempre me traga conforto vê-lo  numa garrafa.

O primeiro vinho é, como não podia deixar de ser, branco da região de Lisboa.

Escolhi duas castas. Fernão Pires e Arinto e preparo o seu engarrafamento. Espero ter entre 2000 e 2500 unidades (todas numeradas) que serão postas em pré-venda brevemente a preços mais simpáticos (para compensar e premiar todos os que me quiserem ajudar na concretização deste sonho)

Fica aqui o primeiro esboço da imagem. Não é ainda a definitiva, mas está muito próxima. 
mandem bitaites! :)





1 de agosto de 2016

Podcast de vinhos #2

Ainda sem nome, a conversa continua. Vamos lá ver se ajudam a encontrar um nome catita para o nosso rico podcast.

Desta vez a conversa andou à volta de um Areias Gordas Ribatejo 1996. Querem saber como ele está? Ouçam aqui:




26 de julho de 2016

Um Podcast de vinhos


Há algum tempo que não recebia um desafio tão empolgante como este que me foi feito pelos, Wilson Honrado e  Marco António.
A ideia era criar um podcast, uma conversa tendo o vinho como fuso e acharam que eu seria a pessoa ideal para dar a credibilidade à coisa. Não sei se terão feito mal o trabalho de casa ou se, de facto esperavam encontrar um estouvanado eno chato com dificuldade em estar calado. Não sei mesmo! Mas o resultado, para já é este:


Depois disto, a possível eleição do Trump nem parece uma coisa assim tão desastrosa, pois não?
Daqui para ai... com amor!

P.S.: Não por mim, mas pela trabalheira que fazer isto dá a estes dois, se gostam... partilhem nas vossas redes sociais, não tenham vergonha ou medo, não morde! Está bem? Vá.... :)


15 de junho de 2016

O sim ou sopas para "a minha" Bucelas


Mandar bocas é fácil. Afirmar uma crença, um caminho e uma direcção também não é impossível para quem observa e passa algum tempo a pensar nas coisas.

Pior é demonstra-lo.

Levámos 10 anos a coligir “dados”, a esperar pelo momento de por em prova a crença que temos sobre o que é de facto Bucelas e qual a melhor forma de a apreciar. Amanhã fechamos um ciclo (explico melhor no fim do dia) e iniciamos um roteiro em que estas  convicções vão ser postas à prova por bocas e cabeças de diferentes quadrantes.

10 anos de vinhos, 10 anos de estudo, 10 anos a remar contra a corrente, 10 anos de crenças que se confirmarão ou destruirão.

Se estou confiante? Sem dúvida!
Se estou nervoso?
Borradinho!


Desejem-nos sorte.


23 de maio de 2016

Bucelas no BPI Wine & Food - Lisboa 2016


Mastertasting – “Bucelas, toda uma nova região a conhecer”


Quando se "faz" e promove vinho ao tempo que o faço, perdemos a conta às oportunidades que temos para apresentações públicas. Independentemente da dimensão da plateia, o “esquema” é mais ou menos o mesmo: “apresentas novidades”, “apresentas o portefólio”, “apresentas uma harmonização em que o teu vinho fique a matar”… estão a ver a cena? 


Agora, a novidade veio há coisa de umas semanas quando o Fernando Melo me convidou para dividir com ele uma mastertasting dedicada a Bucelas. A intenção não foi só mostrar o que andamos a fazer, mas… evangelizar para a região! Sério? Entrámos nos "meus terrenos". Boa!

Confesso que o primeiro acto foi mesmo um torcer de nariz ao titulo. Nova região? ...Nova?
Mas é óbvio que o titulo tem uma grande carga de ironia e desafio. Cabe-nos contrariar, desmontar, remontar e tentar sacar novos embaixadores. 

"Muito bem oh Fernando, mete lá ai o meu nome"!

Escolhidos os vinhos, montou-se a coisa de forma a mostrar duas grandes virtudes: 1ª, a plasticidade do Arinto em Bucelas. 2ª, com recurso a uma mini vertical, mostra-se com clareza que em novo é um bom vinho, mas que a região precisa de tempo para aparecer. Vamos lá escandalizar as gentes afirmando que o Colheita da Quinta da Murta está na transição entre as colheitas de 2012 e 2013? Mas é mesmo assim? Não me enganei? Não! È mesmo assim!


O evento em questão, BPI Wine & Food - Lisboa 2016, na sua primeira edição, parece-me ter pernas para caminhar para novas edições. Ambiente cool, um espaço amplo para a malta fazer o que mais gosta neste tipo de certames. Comer, beber e conversar. Se juntamos o brilhantismo da organização das mastertastings e dos showcooking temos reunidos todos os elementos para um sucesso garantido.


A “aula” em si, consistiu na prova e conversa à volta de um espumante de 2012, três vinhos “colheita” que intentam expressar apenas a trilogia região-casta-ano de colheita sob a matriz do produtor (posso explicar isto com detalhe a quem mostrar curiosidade) e dois vinhos realizados com recurso às madeiras.


Não sou quem pode afirmar se resultou ou não, se estive à altura de representar a região, mas posso garantir que gostei muito de o ter feito. Senti o peso da responsabilidade, lembrei-me dos monstros que o fizeram antes de mim, tremi… tremi mesmo e ainda senti alguma náusea antes que o sorriso do Fernando me impelisse ao desbloqueio.



1 de abril de 2016

Tejo e Lisboa, duas promessas (ainda) por cumprir.


Não é segredo para ninguém que tenho um carinho especial pela região do Tejo e que desejo ai fazer "pinga" (embora ainda deixe muita gente de boca aberta por isso). Também não espanta que trabalhando há tanto tempo na Lisboa do vinho, a tenha, igualmente no coração.
Estas duas regiões partilham há muito um fado semelhante. Sendo terras produtivas, sempre se cultivou aqui o negocio da quantidade, mas recentemente também o das modas… das cópias, do muito a bom preço!

Há uns tempos, ambas começaram a dar ao país vinhos com maior destaque. Vinhos que sobressaem dos outros ali produzidos. Um olhar mais atento leva-me no entanto a concluir que parte deles é feito com recurso a castas internacionais, mais umas dioptrias e percebo que são castas internacionais trabalhadas ao jeito “POP”, ou seja… modas.
Falando com os meus colegas apercebo-me que está a haver um abandono progressivo das castas portuguesas. Por exemplo, tenho uma dificuldade incrível em encontrar um 100% Fernão Pires no Tejo.
Estas duas regiões, nunca perderam muito tempo a desenvolver uma identidade própria como outras regiões fizeram/fazem. Se isto faz parte do DNA produtor local? Não sei!
Um dos factos recorrentemente mencionado é o carácter menos intenso dos vinhos feitos com as castas tradicionais em detrimento daqueloutros feitos com as rainhas das castas internacionais. Deixei-me embalar por isso, confesso, até ganhar a percepção de que, sempre que uma casta da moda é introduzida, sempre que se procura com ela fazer “o grande vinho”, procura-se a melhor terra para a colocar e trabalha-se com produções equilibradas. Ficando o volume alimentado pelas outras, as menos nobres, as que já não merecem atenção, trabalho ou investimento. Muito menos esforço. Passaram a ser verbo de encher de entrada de gama, uma base onde assentará a maquilhagem. Parece-me injusto que não se criem oportunidades de as trabalhar à luz dos conhecimentos actuais.

Volta e meia sou brindado com alguns vinhos antigos que contraria todas as crenças entretendo difundidas por esse rebanho de gente que não sabe esperar, que tem do vinho apenas a visão industrial (que não está errada, mas é apenas uma das possíveis) e cujos egos não podem deixar de ser massajados constantemente. Não haja duvida que uma mão de castas estrangeiras sobremaduras, barradas com madeira nova a potes ainda arranca algumas distinções e palmadinhas nas costas. Pergunto-me se não valeria a pena o esforço de compreender e testar as castas nacionais. Não numa perspectiva de as conduzir pela cerca apertada da normalização mas deixando que se expressem, cabendo apenas ao enólogo o papel de interprete e auxiliar da sua natural propensão.

Que fique claro (e infelizmente é sempre necessário esclarecer este ponto) que não defendo mudanças radicais e absolutas, mas entre o tudo e o nada há tanto que pode ser trabalhado. Uns ensaios de campo hoje, uma microvinificação amanhã, um lote engarrafado no dia seguinte. Educação de críticos e consumidores noutro dia.
Tenho de ser justo e referir que ainda assim, é na Lisboa que encontro mais casos de tentativa de ruptura, de procura, de estudo, de teste, de desafio, mas são poucos. Não chegam ainda sequer para acreditar num movimento de mudança.

Gosto de pensar que a geração actual é uma fiel depositária da herança deixada pela anterior, com o ónus de adicionar valor e preparar o caminho para a que se segue. Julgo que não se tem feito muito neste sentido, apesar de andarem ambas em êxtase pela quantidade de medalhinhas sacadas nos infinitos concursozinhos espalhados pelo mundo. Só tem servido para legitimar mediocridade!

Basta olhar para o longo prazo para imediatamente se perceberem que já “ali à frente” isto vai tudo para o cano. As modas mudam muito e rapidamente. Se optarmos por, aos poucos e em paralelo criar uma identidade com recurso ao que é local, talvez os nossos netos possam viver de vender identidade, em quantidade que sustente as suas casas. 
Sonho com um futuro em que produtores e enólogos tenham orgulho no que é seu e exclusivo do seu chão. Em que tenham finalmente aprendido a fazer vinhos com as suas castas e que encharquem o mercado com vinhos cheios de carácter e alma. Até porque, acredito, que a sobrevivência do sector em Portugal passará por este tipo de vinhos num futuro não muito longínquo.

4 de fevereiro de 2016

José Rodrigues dos Santos e o conceito de MELHOR!

Ontem li por aí que José Rodrigues dos Santos (JRS) teria sido eleito o melhor escritor Português (da actualidade presumo). A fonte é muito vaga sobre quem são os 28 000 avalistas e o que lhes foi perguntado, mas vou acreditar que é uma amostra aleatória, representativa e bem inquirida da sociedade Portuguesa. 

Não li nunca JRS, não faz parte dos meus planos lê-lo, mas não rejeito a hipótese. Pelo que já vi nalgumas contracapas... este não é o momento. Julgo tratar-se de um autor que se enquadra na literatura de transição, algo entre a Literatura propriamente dita e a literatura light, a da outra senhora que manda toda a gente para o dito cesto do castigo no mais alto maltro do navio. Pode um autor de transição ser o melhor? (é para pensar!)

O que me aborrece é mesmo esta mania que temos de procurar o "melhor de...", muitas vezes fazendo confundir a pergunta com "o meu preferido" como se uma e outra tivessem leituras iguais. Não têm. A qualidade e o gosto não são uma e a mesma coisa!
Fica a sensação de que há sempre necessidade de alguém escolher pelos outros. Que eu, que tu não somos capazes de definir os nosso próprios critérios de gosto e consumir em conformidade com isso! Não dá jeito que isso aconteça, é um facto. Mas bolas...

No vinho é por aqui também. Elegem-se os melhores de tudo e de todo o lado. Alardeiam-se vinhos com a melhor relação qualidade/preço (isso é efectivamente o quê?) e é vê-los correr aos supermercados, às promoções convencidos que estão a levar para casa o melhor dos melhores, os únicos, os absolutos, mas ao preço dos maus. Que espertos que somos por conseguir ver o que mais nenhum ser vê. È o auge da manipulação (ou da estupidificação?).

Perguntem a esses 28 000 qual é o melhor prato e talvez vos saia um hambúrguer com o McDonald a ganhar para o melhor restaurante Português.
Mau, mau será mesmo que uma boa fracção da população passará a acreditar nisso!

Para quem não entendeu ainda, não tenho nada em desfavor do autor ou a sua obra mas sim contra esta mania de  se confundir gosto com qualidade numa primeira fase e depois impor essa "qualidade" aos outros como absoluta e indiscutível. 
Só isso!