17 de maio de 2017

As renovadas "revistas de vinhos"



Vinhos - Grandes escolhas, eis o nome da "nova" publicação Portuguesa dedicada ao vinho que vem fecha o ciclo de mudanças neste departamento do sector. Meto nova entre aspas porque não só é feita pela esmagadora maioria da equipa que comandava a Revista de Vinhos até Março do corrente como também, depois da leitura do seu primeiro numero constato, como seria de esperar, que a matriz continua a mesma, sem grandes alterações. Como se tivesse havido um refrescar da revista antiga. Nada contra, muito pelo contrário. Funcionava, vendia e eram lideres, para quê mexer!?!?

Precisamente o que não foi entendido pela equipa da Essência do Vinho que fechou a Wine e assumiu o titulo Revista de Vinhos. Ao que aparenta, decidiram transformar a revista nº 1 na extinta nº 2 mantendo o nome da primeira. Não estou bem a ver que tipo de liderança esperam obter, mas espero para ver o desenrolar dos próximos meses. Para mais, cometeram erros graves (na minha avaliação) logo no primeiro numero. Não começa bem.

Para já, naquilo que é a minha opinião pessoal, a equipa da nova revista leva a melhor e é a que me consegue transmitir alguma segurança no trabalho que desenvolve. Mesmo quando não concordo com muito do que ali se escreve ou escolhe, demonstram conhecer muito bem o seu caminho, transmitem segurança e coerência. Não levarão muito tempo, julgo,  a assumir o seu papel de líderes. 

Resumindo, esta troca mostrou tantas fragilidades nesta fileira da divulgação que me fez lembrar a recomendação que o meu avô me deu tantas vezes: "Não te baixes muito que mostras o cu!". Pois é, viram-se para ai muitos cus por estes dias. Confesso que fiquei apreensivo com muito do que li nas redes e do que perpassou dessas conversas. 
Espero que tudo isto tenha servido para que se operem melhorias. Desejo que assim seja. Detesto pensar que o nosso trabalho está a ser entregue a "putos" imberbes para ser avaliado e divulgado. 

Pelo sim pelo não... vou ficar de olho!

8 de maio de 2017

A perfeição leva muito tempo a construir!



Querido Diário:

Um dos mantras que mais repito a quem trabalha comigo é o de que o perfil perfeito não vem na primeira colheita de um vinho. Leva tempo, precisa de trabalho, investigação, afinação. Se nos vinhos tranquilos acredito serem necessárias pelo menos 3 colheitas para afinar a 4ª, nos vinhos espumantes esse tempo é bem capaz de duplicar.

Quando entrei na Quinta da Murta, em Dezembro de 2005, tínhamos um espumante, já reconhecido como sendo de boa qualidade. A aptidão de Bucelas para produção de vinhos deste tipo era por demais evidente. Mas ainda não estávamos satisfeitos. Havia margem para progressão... muita! 
Não te quero entediar com detalhes, mas na minha óptica, estes vinhos são dos que acusam mais a intervenção humana. São somatório de minudências, muitas vezes tidas como desprezáveis nos "outros" vinhos, mas que aqui podem ditar entre ter um belo vinho ou um vinho perfeito. 
Entre esses longínquos dias e hoje já alterámos quase tudo. Desde a recondução de alguns talhões, passando para a logística de vindima, métodos de prensagem, fermentações (foi o primeiro vinho a "ver-se livre" das leveduras seleccionadas) ..., diria que a única semelhança são mesmo as cubas onde é feito e boa parte das mãos que o fazem nascer.

Tudo isto para que entendas que apesar de muito contentes com as edições passadas, especialmente as que vêm desde 2011 e que têm demonstrado claramente esta afinação do método, receber os resultados das análises físico-químicas da certificação e ter todos os parâmetros dentro dos nossos padrões de perfeição é qualquer coisa que me faz ficar de peito cheio e muito orgulho de fazer parte da história destes vinhos.



5 de maio de 2017

A vinha do vinho HM Lisboa branco 2016

Todo o vinho precisa de uma vinha não é? 

Sabem bem que não, certo? Quem não conhece as sábias palavras atribuídas a Abel Pereira da Fonseca no seu leito de morte a seus filhos: "Não se esqueçam que também de uvas se faz vinho!". 
Não resisto a contar este pequeno episódio aquando da prospecção de umas vinhas, há uns bons dois anos atrás pelas encostas de Alenquer. O viticultor dizia-me que havia ali muito vinho nas redondezas feito com casta Alcântara. Eu não querendo dar parte fraca não me descosi, mas indaguei qualquer coisa que o fez perceber que eu tinha sido apanhado na trama. Notei isso pelo sorriso e depois de uma pausa perguntou: "Conheces essa casta, não?". Eu aprendi o valor do trabalho numa empresa cheia de "velhos" espertalhões e danados para a partida, percebi logo que estava a ser "enrabado". Não tive saída e respondi: "Não estou a ver...". Ele soltou uma gargalhada e desfez o mistério. É açúcar pá! É açúcar!  Não te lembras que as sacas tinham escrito Alcântara por causa da fábrica? Temendo que ele ainda me quisesse apanhar de recarga apressei-me a afirmar que não estava familiarizado com sacas de açúcar.

E não estou, por isso tive mesmo de procurar uma vinha. Sabia que uvas queria e como as queria. Procurava Fernão Pires (FP) num local que não fosse demasiado quente ou com solos que aqueçam demasiado pois queria colhe-las com base na acidez. Esse factor favoreceria também o Arinto que o queria apenas bem estruturante. Neste não precisaria de nada transcendente. O segredo seria a data da colheita e a fase em que colheria o FP.



Em conversa, o meu amigo Ricardo Santos, enólogo na Quinta do Carneiro (e um não menos talentoso running winemaker), mencionou-me que tinha um parcela de FP com as características que eu procurava. Maturação tardia, terreno plano e bem arejado. Solos argilo-calcários típicos da maior parte da região de Lisboa. Por isso pouco atreito a doenças e com menor necessidade de intervenção. Vinhas adultas (25 anos) e pobres. Pretendia produções abaixo das 10 ton/ha, por isso fiquei seduzido pelas 6 ton/ha que me apresentou. A chave da conversa: "Aquela parte da parcela, devido a irregularidades do solo tem de ser apanhada à mão!"
Não tive duvidas. É essa que quero. Vamos experimentar!



Experimentei e adorei o resultado. Tanto que não descansei enquanto não arranjei maneira de verter o liquido para garrafas. O resto da história vocês já conhecem... até porque fazem parte dela! 

4 de maio de 2017

Será que me ajudam a chegar às 1000?

Já referi aqui várias vezes que quando me meti nisto não sabia ao que vinha. Que todo este processo foi um somatório de experiências e sensações novas, muitas delas inesperadas.

Os objectivos estão mais que cumpridos, foi assim logo na primeira fase da pré-venda. A segunda trouxe mais umas garrafas para a contagem que nos deixou próximos das 1000.

Escusado será dizer que é um numero que me deixa a babar e a pensar: "Será que se estender isto mais um bocadinho conseguimos lá chegar?". Será?

Não sei, mas podemos tentar certo? Até porque temos uns dias ainda até o vinho estar totalmente vestido para entrega. 
Mais que nunca vou precisar da vossa ajuda na divulgação disto. Estamos a pouco menos de 100 para atingir as 1000 garrafas. È isso que me proponho para estes dias, enquanto esperamos pelas cápsulas (a propósito, foi a versão 1 a escolhida). 100 garrafas aos preços promocionais da 2ª fase de pré-venda. As derradeiras, as mais difíceis, as duras, mas também aquelas que mais nos orgulharão.

Será simples. Paramos quando receber as cápsulas (único elemento em espera para dar o processo por concluído e entregar o vinho) ou quando atingirmos as 1000 unidades vendidas.

Ficam com os dados:



11 euros por uma garrafa (P.V.P.: 15€)
65 euros a caixa de 6 unidades 

IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3

Os interessados deverão transferir o valor correspondente para o IBAN assinalado e enviar mail para hugo.mendes@twawine.com com a resposta a estas duas perguntas:


1) Deseja factura com NIF? Se sim, indique qual.
2) Para a possibilidade de levantar o seu vinho numa garrafeira perto de si, qual a(s) cidade(s) que mais lhe convém?


3 de maio de 2017

As caixas... at last!

Já repararam que isto tem sido um "enredo" com significativos atrasos. Claro que já repararam! Como não?

Primeiro é o rotulo que só arranca depois de aprovados o vinho e a imagem depois é a cápsula que tem precedência de rotulo para que a coisa tenha algum jeito e,... o diabo mora nos detalhes! Devo dizer-vos que quando se trata de primeira colheita (para mim é uma estreia absoluta) é atraso em cima de atraso, em cima de atraso... especialmente quando contamos com a ajuda preciosa de 0 pessoas!


Depois da entrega de hoje, ficam a faltar apenas as cápsulas. Sei que vai ser rápido, tenho essa promessa da magnifica empresa que as vai produzir! :) 
(Nota-se muito que estou a usar o blog para pressionar?)

Agora, voltando à terra, quem gosta da caixa escreva "EU"!




2 de maio de 2017

Se o vinho fosse meu, escolhia a ...

O exercício é simples. Tendo em conta a posição do logótipo na cápsula, qual o posicionamento que mais vos agrada? Imagem 1 ou 2?


IMAGEM 1 - Logótipo a meio do corpo.


IMAGEM 2 - Logótipo na base da cápsula.

30 de abril de 2017

My name is Mendes... Hugo Mendes

Tomem lá fresquinho, o primeiro registo de prova deste nosso vinho.

GARFICOPO- His name is Mendes, Hugo Mendes

Sinto-me muito feliz ao ler as palavras do Amândio Cupido no seu blog GARFICOPO, alguém que se entusiasmou desde a primeira hora pelo projecto deste vinho. Posso até revelar que ele foi o primeiro patrono, dele é a primeira venda. Também por isso a responsabilidade é maior. Não só o homem prova o vinho pelo que ele é realmente, mas ainda tem de lhe colocar em cima o peso do investimento que fez.
Passou no teste julgo eu. 

Um bom motivo para me sentir um pouco mais feliz e orgulhoso!

Foto usada a partir do blog GARFICOPO

Aproveito a oportunidade para relembrar que o 2º e ultimo período de pré venda se aproxima a passos largos do fim. A oportunidade de comprar o vinho num preço mais simpático tem os dias contados. Aproveitem.

11 euros por uma garrafa
65 euros a caixa de 6 unidades 

IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3

Os interessados deverão transferir o valor correspondente para o IBAN assinalado e enviar mail para hugo.mendes@twawine.com com a resposta a estas duas perguntas:

25 de abril de 2017

Primeira prova Clandestina

O desafio foi lançado e muita gente se quis chegar à frente.
A primeira já aconteceu, os clandestinos reuniram-se no laboratório da garrafeira Wines9297 e tive a sorte de me poder imiscuir no grupo.

Foi uma experiência extraordinária, provou-se o vinho, discutiram-se pormenores, escolhas, resultados... previmos o futuro. O ambiente descontraído da tertúlia, mesmo ao meu gosto! 

Aqui deixo uma foto desta grupeta fantástica de clandestinos.



O Jorge Nunes (Joli), fez um post excelente que expressa melhor do que a minha capacidade o que lá se passou. Convido-vos a ler aqui.

Ainda uma nota, meio fora de assunto, sobre este novo espaço que a Helena criou. Gostei mesmo muito, vejo ali um potencial monstro e sinto um enorme orgulho em poder dizer que sou amigo de malta tão criativa e inovadora. Parabéns Helena e Alberto. Votos de muito sucesso para o Lab!

Relembro que a pré venda ainda continua activa por mais alguns dias (com especiais condições para quem comprou na primeira fase) e que ainda tenho umas garrafas para oferecer a patronos clandestinos. Cheguem-se à frente... divirtam-se!

23 de abril de 2017

Traz um Arinto também!


13 de Maio, dia 13 de Maio é a data para a derradeira masterclass de Arinto sob a égide Inspira Portugal.

Para quem não conhece o conceito, trata-se de uma prova realizada em parceria com os produtores e dividida em dois momentos:

Na masterclass, propomos, através da prova de 10 vinhos previamente escolhidos por um painel de provadores, a construção de uma matriz de prova e identificação da casta. Uma prova formativa que pretende explorar vários aspectos que vão desde a vinha à garrafa. No final teremos mais de 15 vinhos à prova livre para consolidação dos conhecimentos adquiridos. 
Num segundo momento convidamos os intervenientes a trazer um vinho de Arinto para a partilha durante o almoço e prova convívio (não é obrigatório).

Um  momento de lazer e de formação à volta de uma das mais importantes castas Portuguesas.

Ideias chave:
-Prova comentada de 10 vinhos.
-Prova livre de 15 vinhos.
-Almoço opcional com prova partilhada.

Nota:
Todos os vinhos presentes serão 100% Arinto.


Informações e inscrições para o mail: inspira.portugal@gmail.com ou na página do evento.

16 de abril de 2017

Vinhas Velhas de Portugal

by: Luis Antunes



O panorama "literário" vínico nacional é pobre em títulos. Principalmente naqueles que possamos considerar de referência. Apesar do vinho estar na moda, as publicações oscilam entre o b-a-bá da prova  e compilados de "estórias" que muitas vezes se esgotam após a leitura. Não é de todo o caso deste livro.

Numa viagem pelo pais vínico, o autor procurou as vinhas velhas, os vinhos correspondentes e as pessoas que os fazem nascer. Gosto particularmente do facto de não se ter remetido ao papel de mensageiro, dando estampa às suas opiniões e emoções. É um livro com vida, rico e cheio de sumo. Para ser bebido de penalti ou tragado pelos seus capítulos, consoante o gosto do consumidor. È seguramente uma das melhores obras a que deitei a mão nos últimos tempos. A mim inspira-me, deixa-me com muita vontade de visitar as vinhas e provar os vinhos. Não encontro melhor elogio que este.
Pouco me importa que digam que a selecção não é perfeita, que outra seria mais representativa, justa ou abrangente. È a escolha do autor, assumida enquanto tal. Isso chega-me!





Para além disso, estamos a falar de uma edição bilingue (Português e Inglês) de colecção. Numerada e feita acompanhar de um conjunto de selos que os CTT (editor) estamparam exclusivamente para a ocasião.
Um livro essencial na biblioteca de qualquer enófilo. 

Parabéns Luis. belíssimo e relevante obra.


6 de abril de 2017

Provas clandestinas


Pois é, estou danado!!!

Com este atraso na finalização do vinho. Desejo muito que vocês lhe ponhas as beiças em cima e me digam coisas. Tudo neste vinho é novidade para mim, obrigou-me a sair do conforto em muitos aspectos, tive de recorrer a abordagens nunca por mim testadas e, embora o resultado me encha de felicidade, preciso de saber se sentem o mesmo.

Farto de esperar decidi desafiar-vos para umas provas “clandestinas”. As regras são simples:

1) Juntem malta suficiente (8 a 10 pessoas) para se abrir uma garrafa e eu tentarei estar presente, se não puder, envio por correio a tempo dessa dita prova. O vinho segue como está, apenas garrafa e rolha.

2) no grupo terá de haver, pelo menos um “Patrono” (membros do clube criado com todas as pessoas que participaram e ainda vão participar na pré-venda!)


Tenho 10 garrafas para 10 provas clandestina.

Quem se habilita a quebrar mais uma regra?



4 de abril de 2017

Reabertura da pré-Venda



Depois do sucesso que foi a pré-venda do vinho Hugo Mendes Lisboa Branco 2016, 877 garrafas vendidas e uma lista de patronos que ultrapassa as 150 pessoas, recebi vários pedidos para reabrir o processo. Não cedi. E não o fiz porque achei que o devia a todos os que participaram e permitiram que esta iniciativa se concretizasse na primeira fase. Mas as insistências continuam e isso obrigou-me a repensar o caso.

Desta forma, irei abrir uma nova fase de pré-venda, mas com novos valores. Assim dou uma nova oportunidade a quem não comprou da primeira fase sem penalizar quem o fez. Os novos patronos passarão a integrar o clube formado por todos os anteriores clientes com todas as regalias destes.

O vinho encontra-se cheio, apenas à espera que a roupa lhe chegue ao pelo. O atraso deve-se apenas às legalidades inerentes ao primeiro vinho. As coisas não correm com a velocidade que esperamos e desejamos. Julgo que dentro de 3 a 4 semanas o vinho está na rua. È esse o tempo que darei a este novo período de pré-venda.



Os novos preços são: 

11 euros por uma garrafa
65 euros a caixa de 6 unidades 

IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3

Os interessados deverão transferir o valor correspondente para o IBAN assinalado e enviar mail para hugo.mendes@twawine.com com a resposta a estas duas perguntas:

1) Deseja factura com NIF? Se sim, indique qual.
2) Para a possibilidade de levantar o seu vinho numa garrafeira perto de si, qual a(s) cidade(s) que mais lhe convém?

Esta será a ultima oportunidade, antes do vinho passar para o valor final de 15€ por garrafa. Devo relembrar que, para além de adquirirem o vinho a um preço mais simpático, os patronos desta iniciativa passarão a pertencer a um grupo restrito que terá sempre regalias e descontos em vinhos e/ou acções organizadas sob a marca Hugo Mendes.

Não se atrasem, este novo período acaba dia 2 de Maio. Nem mais um dia!

24 de março de 2017

O vinho dos 40 anos

"Parabéns. Rega bem isso!", "Hoje é dia de escolher um bom vinho!", "Brinda a isso com um bom vinho", "... Escolhe um vinho especial...!" ...

Quem não leu já isto escrito no seu mural de Facebook vezes sem conta no dia de aniversário? É certinho, se gostamos de vinho, vão-nos recomendar que o aniversário seja marcado com um grande vinho. E a meu ver... bem recomendado!

A merda é na hora de escolher. È aqui que pareço a minha mulher quando olha para o guarda roupa a rebentar e afirma não ter nadinha para vestir (o varão já caiu duas vezes e não foi para ela andar a dançar!). Pois, não me apetece nenhum vinho especial mas apetece-me um vinho especial. Faço 40 anos que diabo, estou com uma crise de meia idade e quero algo que me inspire os próximos 40.



Lembrei-me de outro dia ter comprado umas garrafas a um "puto" no Facebook. Ele oferecia os frutos dos seus primeiros trabalhos aos amigos que assim quisessem experimentar. Despertou-me a curiosidade e ofereci-me para ficar com algumas. Foi isso que escolhi beber neste dia tão simbólico. Porquê? Porque tem uma certa carga mística. Estou a acompanhar os primeiros passos de um enólogo que me pareceu ainda cego pela sua paixão, orgulhoso das suas 50 garrafas e do seu trabalho. Chama-se Fábio Fernandes e  confesso que gostei do dedo de conversa que trocámos. Garrafas recicladas, sem imagem, sem especial cuidado no exterior, de litro imaginem o escândalo, apenas o ano de colheita marcado a caneta de feltro. Apenas paixão e pureza imberbe. Essa de que tantas vezes já me esqueço e que foi o engodo que me trouxe a este mundo.
Acho que é muito por aqui que vou querer andar nos próximos anos. A acompanhar e apoiar as novas paixões. 



O vinho é simples, sem excessos de maturação ou extracção. Nota-se que o Fábio quis apenas retirar o que o vinho tinha para dar. Não há aromas maricas ou bocas feitas a cinzel. Há um vinho que se expressa sem merdas, limpo, correcto e que traz impregnado a alma de quem o criou.
Morreu na perfeição ao prato de um lombo de mostarda cuja receita não podia ser mais simples e me foi dada à pressa pelo talhante no supermercado. "... deixo-lhe um golpe que você enche de mostarda!. Eu é que não fui na cantiga e deitei-lhe sal, ervas, alho, azeite e pinga... 
Ai não!!!

Foi isso. Contrariar a pressão e apreciar a complexidade das coisas simples, descontraídas e feitas com espírito puro. Partilha-las com gente que me faz bem. È disto que quero nos 40.







18 de março de 2017

Inscrições e Certificações


Não é de qualquer maneira que um vinho leva inscrito Lisboa, Tejo, Dão ou o nome de outra qualquer região demarcada. È necessário respeitarem-se um conjunto de procedimentos que terão forçosamente que iniciar com a inscrição do dito produtor na C.V.R., a Comissão Vitivinícola Regional. No Caso do meu vinho, é a da região de Lisboa.

Basicamente, estas comissões fornecem um selo de garantia (como o da imagem a baixo) que é colado na garrafa e é indicativo de que o vinho foi sujeito a provas físico-químicas e organolépticas e se encontra de acordo com os padrões legalmente admitidos. Essencialmente, indica que respeitam as normas de qualidade dos produtos alimentares e a origem. Parece difícil perceber mas não é. As diferentes regiões têm características que as tornam únicas. A C.V.R. tem o ónus de garantir que os vinhos respeitam essa proveniência (se o fazem bem, é uma discussão para termos outro dia).


Neste momento, encontramo-nos na fase de certificação do vinho e do rotulo. Neste ultimo, é preciso garantir que o que se escreve está em conformidade com as exigências da comissão e que não são introduzidos elementos enganosos.

A certificação do vinho é mais engraçada e procede-se assim: 
O produtor entrega 6 garrafas descaracterizadas (até a rolha tem de ser sem marcação). Traz uma delas para casa (a da foto) e as outras 5 são divididas entre análises laboratoriais, provas organolépticas e testemunhas para contra análise, em caso de ser necessário. Analisam-se parâmetros como álcool, acidez e rastreia-se a presença de alguns compostos que indiquem adulterações ou contaminações. Zela-se portanto pela boa saúde dos consumidores. A câmara de provadores, composta por especialistas, prova às cegas, e delibera se o vinho tem as características a que se propõe.
Se tudo estiver dentro do exigido, o vinho é aprovado e poderá ostentar o selo de garantia de qualidade regional.

Vamos torcer para que o nosso passe no "exame"!

15 de março de 2017

Dia de Enchimento - Hugo Mendes Lisboa Branco 2016


Tudo neste vinho tem sido uma aventura digna de filme. Quando não por causas naturais eu arranjo maneira de complicar e apanicar o momento. Dizem os mais próximos que se deve à responsabilidade que vem com a propriedade. O vinho é meu. Bom, não escamoteio essa hipótese, mesmo sabendo que sempre tratei como meus os vinhos que ajudei a fazer, o ónus financeiro nunca está do meu lado, logo o prejuízo também não. Contudo, julgo que aqui acresce muito o factor novidade e a necessidade que tive de sair da minha zona de conforto para chegar a este resultado. Ainda que amparado com uma parte de Arinto que não me traz muito de novidade, é o Fernão Pires quem marca o ritmo deste vinho e te-lo apanhado numa altura para a qual não tenho ponto de comparação não terá ajudado. De uma forma geral, o vinho, tanto em monocasta como depois em lote, sempre se mostrou limpo, claro e directo como o idealizei. Sempre correspondeu aos sinais que esperava dele, mas não sei como, apoderou-se de mim uma ansiedade que o dia do enchimento fez transbordar com comportamentos estranhos e patetas para alguém que assistisse.




Mesmo em casa alheia, meti o bedelho em tudo, até na afinação das máquinas, valha-me Deus, que vergonha. Sai de casa com a convicção de que, se queria ficar descansado, tudo tinha de ser feito respondendo às minhas normas, parecesse bem ou mal... Felizmente, a equipa da Quinta do Carneiro, para além da competência é extremamente compreensiva e paciente para comigo e a coisa deu-se, até com algum humor à mistura.



Não há nada de especial a registar sobre este momento, excepto o meu virginal comportamento que ora estava aqui a tirar garrafas da linha, como ali a tirara fotos, como acolá a medir o nível do vinho. Nos intervalos tirava uma garrafa da linha que provava e da qual retirava mais 10 minutos de calma pela não identificação de problemas (é isso que um enólogo mais procura num vinho) mas pela constatação de que o vinho também não sabia a nada (coisa que acontece SÓ A TODOS OS VINHOS durante o enchimento, fruto da agitação provocada pelo processo).

Tudo correu sem o mínimo percalço ou sinal passível para me deixar preocupado, mas foram precisos mais uns dias, cerca de uma semana, para voltar a provar o vinho e perceber que estava tudo lá, que nada fugiu. 
Resta-me agradecer a paciência do Ricardo e da sua equipa para com os meus ataques de diva mal achada de coração!



13 de março de 2017

1º crowdfunding para um vinho: Sucesso


Um dia destes contarei aqui, ou no canal de youtube a história desta aventura. Por agora quero comunicar-vos apenas do final do período da pré venda e do sucesso que foi a acção (em breve darei noticias do seguimento).

Quando iniciei isto, estava tão ocupado com tanta coisa que pouco pensei, planeei ou previ. E ainda bem que assim foi, pois só me apercebi da dimensão que isto teria de atingir já o carro ia em andamento.

O objectivo foi claro e simples, fazer pré venda de 800 garrafas das 2300 que existirão e assim financiar a operação. Já tinha anteriormente testado lotes de 200 garrafas com um sucesso incrível (em dois ou três dias desapareciam todas), mas esqueci de um detalhe. Eram vinhos que existiam e que a malta mais ou menos conhecia. Aqui, seria eu, a minha intenção de fazer o vinho e umas fotos vagas de uma vindima.

A resposta veio logo na abertura da coisa. As primeiras 24h foram alucinantes. Levei um banho de carinho e apoio, julgo que vendi as primeiras 200 logo ali. Sabia que a primeira semana era crucial. Julgo que consegui chegar ao primeiro terço. Foi ai que percebi o embate da coisa e o pânico se instalou. As pessoas aderiam a uma velocidade mais baixa e foi ai que a ficha caiu e que percebi no que me tinha metido. Aqui tenho de salientar as pessoas do meu circulo mais intimo que me apoiam incondicionalmente e a quem recorro quando preciso de energia. Família e bons amigos. Não tenho palavras para descrever o que fizeram por mim, seja como embaixadores "da marca" seja como suportes emocionais. 

O que não contava mesmo era com o empenho real de todos estes novos clientes. A um determinado momento senti que isto deixou de me pertencer, tornou-se uma espécie de movimento, de sociedade alargada, sei lá. Foi muito bom sentir este apoio, principalmente vindo de gente que sei nunca ter provada nada do que ajudo a fazer. 
Se isto não chegasse, mesmo à beira do final do prazo, ainda temi que não conseguisse vender as 800 garrafas. Toda a gente percebeu que a existência do vinho não estaria dependente do sucesso deste primeiro (eno)crowdfunding, mas tal como eu, não quiseram que fosse um fracasso (799 seria um rotundo fracasso) e tive muitas repetições de encomendas. Confesso que me emocionei com esses gestos.

Portanto, perceberam agora porque vos digo que isto é uma vitória nossa e não minha? Porque é mesmo! 

E agora a estatística:

877 garrafas
8300 euros
145 clientes

Por tudo isto, desculpem a vaidade (amanhã já passa), mas hoje, não me cabe um chicharo no cu de tanto orgulho!

Obrigado, obrigado e mais obrigado!



12 de fevereiro de 2017

Um vinho diferente de tudo o que foi feito até hoje?



Bom, podia dar uma de vendedor de banha da cobra, desses que encontra trabalho fácil em Portugal e dar-vos a ideia de que compus o comprimido do sucesso instantâneo, a formula do perfume com que Patrick Süskind arrebata o seu leitor no final apoteótico do romance O Perfume.

Não posso fazer isso! Nunca me dei bem com o logro, não é isso que está aqui em causa. Nunca será!

Um vinho de autor vive de muitos detalhes, mas vive essencialmente de um ponto de vista sobre algo. Neste caso é o meu sobre a região de Lisboa e duas das suas castas mais emblemáticas. Fernão Pires e Arinto.

Procurei que fosse um vinho limpo, fresco, de aromas delicado e medianamente intensos, mas ricamente complexos. Sabem aquela ideia das peras que fazem salivar, que comíamos da árvore em miúdos? Estão lá! Estão também lá uns toques citrinos maduros e uma linha vegetal que vem quase de certeza do Fernão Pires. Evitei contactos peliculares e batonagens. Quero toda a acidez protegida e desejo mantê-la viva e rústica pelo máximo tempo possível. Engarrafando cedo também ajuda nesta pretensão.

Todas as provas me têm dado bons sinais de evolução positiva, o vinho apresenta-se cada vez mais complexo, definido e limpo. O corpo segue o caminho dos bons Arintos, torna-se rico e mais gordo a cada nova prova.  Presumo que dará bom prazer no imediato (aconselho sempre a esperar dois ou três meses depois do engarrafamento) mas, a minha grande excitação é tentar perceber o que irá acontecer nos primeiros três a cinco anos, altura em que julgo que os aromas terciários aparecerão, que a salinidade estará evidente e que o vinho mostre todos os seus segredos.

Não vou esconder o entusiasmo. Estou muito esperançado neste vinho. Está-me a dar todos os sinais que me costumam deixar muito confiante. Já pedi rolhas para 25 anos, vamos ver quem aguenta mais tempo, se a rolha, o vinho ou a nossa vontade de o beber!

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já entrámos nas ULTIMAS 150. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resume como poderão fazer para reservar as vossas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3).
Para primeiras visitas, sugiro a leitura dos post com a etiqueta Branco Lisboa.


8 de fevereiro de 2017

E o vencedor é....



Depois de uma profunda análise a todas as propostas, decidi que há ali coisinhas muito boas. Tão boas que escolhi também, para além de um vencedor, duas mesões honrosas que não levarão o prémio na integra, mas terão direito a uma garrafa extra cada um. 

E o vendedor é:

Tomáz Vieira da Cruz:
Proposta 1: "If there was any magic in this world that was not magic, it was wine." , Lev Grossman (The Magicians, 2009).

Gosto muito destas imagens poéticas e românticas e acho que é uma frase que se adequa que nem uma luva ao espírito do projecto.

Menções Honrosas:

João Craveiro Lopes: "Sniff my ass!"

Mickael Santos:" Impressão do mapa de Portugal"


A proposta do João tem em si encerrada muita da ironia e humor que gosto de meter em tudo o que faço, encontrando um novo significado para o acto de analisar olfactivamente a rolha quando se abre uma garrafa, não deixando de ser uma piada entendida por todos. Já a proposta do Michael toca num ponto que muito me interessa também, a assumpção da nacionalidade em todos os aspectos.

Agradeço a todos a participação. Não se pode dizer que tenha havido uma frase de que não gostei, tive, como devem ter reparado, de recorrer a várias camadas de leitura para escolher os vencedores. No fundo são todos vencedores, mas... sem prémio! ;)

E agora, a parte em que me vão odiar. Preparados? Aqui vai!

Tal como avisei, não havia a garantia de que a frase vencedora seria impressa na rolha. O azar (porque seria impressa a vencedora não fosse eu ter tropeçado nisto) veio do facto de eu ter relido um poema de Charles Baudelaire que me apaixonou e me fez esquecer tudo o resto. Ora, cito:

Embriagai-vos

"È preciso estar sempre ébrio. È tudo: eis a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que vos quebra as costas e vos inclina para a terra, tendes de embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas embriagai-vos. E se porventura, nas escadas do palácio, na relva verde de uma vala, na solidão morna do vosso quarto, despertardes, a embriaguez já fraca ou desaparecida, pedi ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que se esvai, a tudo o que geme, a tudo o que passa, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio responder-vos-ão: "Está na hora de se embriagarem! Para que não se tornem escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos; Embriagai-vos incessantemente! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha!"

Não é soberbo? Não é arrebatador? Há como ficar indiferente a isto? Eu, perdoem-me... não consegui. Prefiro a consequência, da mesma forma que um apaixonado foge louco de todas as suas responsabilidades em busca da inebriante ilusão.
Escolhi para a rolha a parte a sublinhado.

Conto com o vosso perdão!



7 de fevereiro de 2017

HM Lisboa Branco 2016 - A caixa de 6

Pedi uma imagem simples, com o logo e que mantivesse a cor do cartão. Esta proposta aproxima-se muito do que tinha em mente. Simples, directa, universal.
Gosta?


6 de fevereiro de 2017

Message in a bottle cork



O desafio foi lançado e felizmente, aceite por muito boa gente. As propostas são excelentes e terei muita dificuldade em escolher um vencedor.

Ora vejam lá:

Amândio Cupido: I'm naked...Come back tomorrow."

Mário Conde: At Last, free... let the fun start! / Finalmente livre... Vem aí o prazer!

João Craveiro Lopes: Sniff my ass!

Nelson Moleiro: Drink wisely, drink till it's over!

Pedro Lima: "E hoje... Engoles ou cospes fora?"

Luís Chaves: "Desarolha" e descobre o segredo HM..."Umplug" and discover the HM secret

Tomáz Vieira da Cruz:

Proposta 1: "If there was any magic in this world that was not magic, it was wine." , Lev Grossman (The Magicians, 2009).
Proposta 2: "Wine is bottled poetry" , Robert Louis Stevenson


João Machado: HM Wines

Mickael Santos: Impressão do mapa de Portugal

Sérgio Dias: Lisboa

Ricardo Morais: Anda beber Jack :) 

Ricardo Ramos: Não voltar a introduzir

Paulo Correia: 

Proposta 1: "Hugo no pais das maravilhas"
Proposta 2: "Abre outra"
Proposta 3: "Onde fica o clitóris"
Proposta 4: "O desejado"
Proposta 5: "O principio do fim"

Ricardo Soares:

Proposta 1:  #nº desarrolhar
Proposta 2: #nº Jack
Proposta 3: "Olhe... cheire e beba!"
Proposta 4: "A culpa é do Hugo Mendes"

Mário Silva: "Welcome to the JACK world"

Valter Costa: "Primeiro cheirar, depois beber e por fim não dizer mal!"

Pingus Vinicus: 
Proposta 1: "Fique Bêbado com classe"
Proposta 2: "Beba tudo"

Filipe Raposo: "Espectacular não é?"

Paulo Sousa: "Beba e vá comprar outra"

Emília Freire: "Enjoy. Cheers!" 

João Manuel Oliveira: 
Proposta 1: "Lisboa numa garrafa"
Proposta 2: "Por favor, não usar novamente. Beba o vinho!"

Entradas de ultima hora!

André Faustino: "Lisboa por Mclub"

Temo Alves: " If is not cork please take a walk!"

Xico Ramisco: " I´ve been screwed!"

Preciso de mais um par de horas para escolher a minha preferida, mas entretanto digam lá qual preferem?