23 de abril de 2017

Traz um Arinto também!


13 de Maio, dia 13 de Maio é a data para a derradeira masterclass de Arinto sob a égide Inspira Portugal.

Para quem não conhece o conceito, trata-se de uma prova realizada em parceria com os produtores e dividida em dois momentos:

Na masterclass, propomos, através da prova de 10 vinhos previamente escolhidos por um painel de provadores, a construção de uma matriz de prova e identificação da casta. Uma prova formativa que pretende explorar vários aspectos que vão desde a vinha à garrafa. No final teremos mais de 15 vinhos à prova livre para consolidação dos conhecimentos adquiridos. 
Num segundo momento convidamos os intervenientes a trazer um vinho de Arinto para a partilha durante o almoço e prova convívio (não é obrigatório).

Um  momento de lazer e de formação à volta de uma das mais importantes castas Portuguesas.

Ideias chave:
-Prova comentada de 10 vinhos.
-Prova livre de 15 vinhos.
-Almoço opcional com prova partilhada.

Nota:
Todos os vinhos presentes serão 100% Arinto.


Informações e inscrições para o mail: inspira.portugal@gmail.com ou na página do evento.

16 de abril de 2017

Vinhas Velhas de Portugal

by: Luis Antunes



O panorama "literário" vínico nacional é pobre em títulos. Principalmente naqueles que possamos considerar de referência. Apesar do vinho estar na moda, as publicações oscilam entre o b-a-bá da prova  e compilados de "estórias" que muitas vezes se esgotam após a leitura. Não é de todo o caso deste livro.

Numa viagem pelo pais vínico, o autor procurou as vinhas velhas, os vinhos correspondentes e as pessoas que os fazem nascer. Gosto particularmente do facto de não se ter remetido ao papel de mensageiro, dando estampa às suas opiniões e emoções. É um livro com vida, rico e cheio de sumo. Para ser bebido de penalti ou tragado pelos seus capítulos, consoante o gosto do consumidor. È seguramente uma das melhores obras a que deitei a mão nos últimos tempos. A mim inspira-me, deixa-me com muita vontade de visitar as vinhas e provar os vinhos. Não encontro melhor elogio que este.
Pouco me importa que digam que a selecção não é perfeita, que outra seria mais representativa, justa ou abrangente. È a escolha do autor, assumida enquanto tal. Isso chega-me!





Para além disso, estamos a falar de uma edição bilingue (Português e Inglês) de colecção. Numerada e feita acompanhar de um conjunto de selos que os CTT (editor) estamparam exclusivamente para a ocasião.
Um livro essencial na biblioteca de qualquer enófilo. 

Parabéns Luis. belíssimo e relevante obra.


6 de abril de 2017

Provas clandestinas


Pois é, estou danado!!!

Com este atraso na finalização do vinho. Desejo muito que vocês lhe ponhas as beiças em cima e me digam coisas. Tudo neste vinho é novidade para mim, obrigou-me a sair do conforto em muitos aspectos, tive de recorrer a abordagens nunca por mim testadas e, embora o resultado me encha de felicidade, preciso de saber se sentem o mesmo.

Farto de esperar decidi desafiar-vos para umas provas “clandestinas”. As regras são simples:

1) Juntem malta suficiente (8 a 10 pessoas) para se abrir uma garrafa e eu tentarei estar presente, se não puder, envio por correio a tempo dessa dita prova. O vinho segue como está, apenas garrafa e rolha.

2) no grupo terá de haver, pelo menos um “Patrono” (membros do clube criado com todas as pessoas que participaram e ainda vão participar na pré-venda!)


Tenho 10 garrafas para 10 provas clandestina.

Quem se habilita a quebrar mais uma regra?



4 de abril de 2017

Reabertura da pré-Venda



Depois do sucesso que foi a pré-venda do vinho Hugo Mendes Lisboa Branco 2016, 877 garrafas vendidas e uma lista de patronos que ultrapassa as 150 pessoas, recebi vários pedidos para reabrir o processo. Não cedi. E não o fiz porque achei que o devia a todos os que participaram e permitiram que esta iniciativa se concretizasse na primeira fase. Mas as insistências continuam e isso obrigou-me a repensar o caso.

Desta forma, irei abrir uma nova fase de pré-venda, mas com novos valores. Assim dou uma nova oportunidade a quem não comprou da primeira fase sem penalizar quem o fez. Os novos patronos passarão a integrar o clube formado por todos os anteriores clientes com todas as regalias destes.

O vinho encontra-se cheio, apenas à espera que a roupa lhe chegue ao pelo. O atraso deve-se apenas às legalidades inerentes ao primeiro vinho. As coisas não correm com a velocidade que esperamos e desejamos. Julgo que dentro de 3 a 4 semanas o vinho está na rua. È esse o tempo que darei a este novo período de pré-venda.



Os novos preços são: 

11 euros por uma garrafa
65 euros a caixa de 6 unidades 

IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3

Os interessados deverão transferir o valor correspondente para o IBAN assinalado e enviar mail para hugo.mendes@twawine.com com a resposta a estas duas perguntas:

1) Deseja factura com NIF? Se sim, indique qual.
2) Para a possibilidade de levantar o seu vinho numa garrafeira perto de si, qual a(s) cidade(s) que mais lhe convém?

Esta será a ultima oportunidade, antes do vinho passar para o valor final de 15€ por garrafa. Devo relembrar que, para além de adquirirem o vinho a um preço mais simpático, os patronos desta iniciativa passarão a pertencer a um grupo restrito que terá sempre regalias e descontos em vinhos e/ou acções organizadas sob a marca Hugo Mendes.

Não se atrasem, este novo período acaba dia 2 de Maio. Nem mais um dia!

24 de março de 2017

O vinho dos 40 anos

"Parabéns. Rega bem isso!", "Hoje é dia de escolher um bom vinho!", "Brinda a isso com um bom vinho", "... Escolhe um vinho especial...!" ...

Quem não leu já isto escrito no seu mural de Facebook vezes sem conta no dia de aniversário? É certinho, se gostamos de vinho, vão-nos recomendar que o aniversário seja marcado com um grande vinho. E a meu ver... bem recomendado!

A merda é na hora de escolher. È aqui que pareço a minha mulher quando olha para o guarda roupa a rebentar e afirma não ter nadinha para vestir (o varão já caiu duas vezes e não foi para ela andar a dançar!). Pois, não me apetece nenhum vinho especial mas apetece-me um vinho especial. Faço 40 anos que diabo, estou com uma crise de meia idade e quero algo que me inspire os próximos 40.



Lembrei-me de outro dia ter comprado umas garrafas a um "puto" no Facebook. Ele oferecia os frutos dos seus primeiros trabalhos aos amigos que assim quisessem experimentar. Despertou-me a curiosidade e ofereci-me para ficar com algumas. Foi isso que escolhi beber neste dia tão simbólico. Porquê? Porque tem uma certa carga mística. Estou a acompanhar os primeiros passos de um enólogo que me pareceu ainda cego pela sua paixão, orgulhoso das suas 50 garrafas e do seu trabalho. Chama-se Fábio Fernandes e  confesso que gostei do dedo de conversa que trocámos. Garrafas recicladas, sem imagem, sem especial cuidado no exterior, de litro imaginem o escândalo, apenas o ano de colheita marcado a caneta de feltro. Apenas paixão e pureza imberbe. Essa de que tantas vezes já me esqueço e que foi o engodo que me trouxe a este mundo.
Acho que é muito por aqui que vou querer andar nos próximos anos. A acompanhar e apoiar as novas paixões. 



O vinho é simples, sem excessos de maturação ou extracção. Nota-se que o Fábio quis apenas retirar o que o vinho tinha para dar. Não há aromas maricas ou bocas feitas a cinzel. Há um vinho que se expressa sem merdas, limpo, correcto e que traz impregnado a alma de quem o criou.
Morreu na perfeição ao prato de um lombo de mostarda cuja receita não podia ser mais simples e me foi dada à pressa pelo talhante no supermercado. "... deixo-lhe um golpe que você enche de mostarda!. Eu é que não fui na cantiga e deitei-lhe sal, ervas, alho, azeite e pinga... 
Ai não!!!

Foi isso. Contrariar a pressão e apreciar a complexidade das coisas simples, descontraídas e feitas com espírito puro. Partilha-las com gente que me faz bem. È disto que quero nos 40.







18 de março de 2017

Inscrições e Certificações


Não é de qualquer maneira que um vinho leva inscrito Lisboa, Tejo, Dão ou o nome de outra qualquer região demarcada. È necessário respeitarem-se um conjunto de procedimentos que terão forçosamente que iniciar com a inscrição do dito produtor na C.V.R., a Comissão Vitivinícola Regional. No Caso do meu vinho, é a da região de Lisboa.

Basicamente, estas comissões fornecem um selo de garantia (como o da imagem a baixo) que é colado na garrafa e é indicativo de que o vinho foi sujeito a provas físico-químicas e organolépticas e se encontra de acordo com os padrões legalmente admitidos. Essencialmente, indica que respeitam as normas de qualidade dos produtos alimentares e a origem. Parece difícil perceber mas não é. As diferentes regiões têm características que as tornam únicas. A C.V.R. tem o ónus de garantir que os vinhos respeitam essa proveniência (se o fazem bem, é uma discussão para termos outro dia).


Neste momento, encontramo-nos na fase de certificação do vinho e do rotulo. Neste ultimo, é preciso garantir que o que se escreve está em conformidade com as exigências da comissão e que não são introduzidos elementos enganosos.

A certificação do vinho é mais engraçada e procede-se assim: 
O produtor entrega 6 garrafas descaracterizadas (até a rolha tem de ser sem marcação). Traz uma delas para casa (a da foto) e as outras 5 são divididas entre análises laboratoriais, provas organolépticas e testemunhas para contra análise, em caso de ser necessário. Analisam-se parâmetros como álcool, acidez e rastreia-se a presença de alguns compostos que indiquem adulterações ou contaminações. Zela-se portanto pela boa saúde dos consumidores. A câmara de provadores, composta por especialistas, prova às cegas, e delibera se o vinho tem as características a que se propõe.
Se tudo estiver dentro do exigido, o vinho é aprovado e poderá ostentar o selo de garantia de qualidade regional.

Vamos torcer para que o nosso passe no "exame"!

15 de março de 2017

Dia de Enchimento - Hugo Mendes Lisboa Branco 2016


Tudo neste vinho tem sido uma aventura digna de filme. Quando não por causas naturais eu arranjo maneira de complicar e apanicar o momento. Dizem os mais próximos que se deve à responsabilidade que vem com a propriedade. O vinho é meu. Bom, não escamoteio essa hipótese, mesmo sabendo que sempre tratei como meus os vinhos que ajudei a fazer, o ónus financeiro nunca está do meu lado, logo o prejuízo também não. Contudo, julgo que aqui acresce muito o factor novidade e a necessidade que tive de sair da minha zona de conforto para chegar a este resultado. Ainda que amparado com uma parte de Arinto que não me traz muito de novidade, é o Fernão Pires quem marca o ritmo deste vinho e te-lo apanhado numa altura para a qual não tenho ponto de comparação não terá ajudado. De uma forma geral, o vinho, tanto em monocasta como depois em lote, sempre se mostrou limpo, claro e directo como o idealizei. Sempre correspondeu aos sinais que esperava dele, mas não sei como, apoderou-se de mim uma ansiedade que o dia do enchimento fez transbordar com comportamentos estranhos e patetas para alguém que assistisse.




Mesmo em casa alheia, meti o bedelho em tudo, até na afinação das máquinas, valha-me Deus, que vergonha. Sai de casa com a convicção de que, se queria ficar descansado, tudo tinha de ser feito respondendo às minhas normas, parecesse bem ou mal... Felizmente, a equipa da Quinta do Carneiro, para além da competência é extremamente compreensiva e paciente para comigo e a coisa deu-se, até com algum humor à mistura.



Não há nada de especial a registar sobre este momento, excepto o meu virginal comportamento que ora estava aqui a tirar garrafas da linha, como ali a tirara fotos, como acolá a medir o nível do vinho. Nos intervalos tirava uma garrafa da linha que provava e da qual retirava mais 10 minutos de calma pela não identificação de problemas (é isso que um enólogo mais procura num vinho) mas pela constatação de que o vinho também não sabia a nada (coisa que acontece SÓ A TODOS OS VINHOS durante o enchimento, fruto da agitação provocada pelo processo).

Tudo correu sem o mínimo percalço ou sinal passível para me deixar preocupado, mas foram precisos mais uns dias, cerca de uma semana, para voltar a provar o vinho e perceber que estava tudo lá, que nada fugiu. 
Resta-me agradecer a paciência do Ricardo e da sua equipa para com os meus ataques de diva mal achada de coração!



13 de março de 2017

1º crowdfunding para um vinho: Sucesso


Um dia destes contarei aqui, ou no canal de youtube a história desta aventura. Por agora quero comunicar-vos apenas do final do período da pré venda e do sucesso que foi a acção (em breve darei noticias do seguimento).

Quando iniciei isto, estava tão ocupado com tanta coisa que pouco pensei, planeei ou previ. E ainda bem que assim foi, pois só me apercebi da dimensão que isto teria de atingir já o carro ia em andamento.

O objectivo foi claro e simples, fazer pré venda de 800 garrafas das 2300 que existirão e assim financiar a operação. Já tinha anteriormente testado lotes de 200 garrafas com um sucesso incrível (em dois ou três dias desapareciam todas), mas esqueci de um detalhe. Eram vinhos que existiam e que a malta mais ou menos conhecia. Aqui, seria eu, a minha intenção de fazer o vinho e umas fotos vagas de uma vindima.

A resposta veio logo na abertura da coisa. As primeiras 24h foram alucinantes. Levei um banho de carinho e apoio, julgo que vendi as primeiras 200 logo ali. Sabia que a primeira semana era crucial. Julgo que consegui chegar ao primeiro terço. Foi ai que percebi o embate da coisa e o pânico se instalou. As pessoas aderiam a uma velocidade mais baixa e foi ai que a ficha caiu e que percebi no que me tinha metido. Aqui tenho de salientar as pessoas do meu circulo mais intimo que me apoiam incondicionalmente e a quem recorro quando preciso de energia. Família e bons amigos. Não tenho palavras para descrever o que fizeram por mim, seja como embaixadores "da marca" seja como suportes emocionais. 

O que não contava mesmo era com o empenho real de todos estes novos clientes. A um determinado momento senti que isto deixou de me pertencer, tornou-se uma espécie de movimento, de sociedade alargada, sei lá. Foi muito bom sentir este apoio, principalmente vindo de gente que sei nunca ter provada nada do que ajudo a fazer. 
Se isto não chegasse, mesmo à beira do final do prazo, ainda temi que não conseguisse vender as 800 garrafas. Toda a gente percebeu que a existência do vinho não estaria dependente do sucesso deste primeiro (eno)crowdfunding, mas tal como eu, não quiseram que fosse um fracasso (799 seria um rotundo fracasso) e tive muitas repetições de encomendas. Confesso que me emocionei com esses gestos.

Portanto, perceberam agora porque vos digo que isto é uma vitória nossa e não minha? Porque é mesmo! 

E agora a estatística:

877 garrafas
8300 euros
145 clientes

Por tudo isto, desculpem a vaidade (amanhã já passa), mas hoje, não me cabe um chicharo no cu de tanto orgulho!

Obrigado, obrigado e mais obrigado!



12 de fevereiro de 2017

Um vinho diferente de tudo o que foi feito até hoje?



Bom, podia dar uma de vendedor de banha da cobra, desses que encontra trabalho fácil em Portugal e dar-vos a ideia de que compus o comprimido do sucesso instantâneo, a formula do perfume com que Patrick Süskind arrebata o seu leitor no final apoteótico do romance O Perfume.

Não posso fazer isso! Nunca me dei bem com o logro, não é isso que está aqui em causa. Nunca será!

Um vinho de autor vive de muitos detalhes, mas vive essencialmente de um ponto de vista sobre algo. Neste caso é o meu sobre a região de Lisboa e duas das suas castas mais emblemáticas. Fernão Pires e Arinto.

Procurei que fosse um vinho limpo, fresco, de aromas delicado e medianamente intensos, mas ricamente complexos. Sabem aquela ideia das peras que fazem salivar, que comíamos da árvore em miúdos? Estão lá! Estão também lá uns toques citrinos maduros e uma linha vegetal que vem quase de certeza do Fernão Pires. Evitei contactos peliculares e batonagens. Quero toda a acidez protegida e desejo mantê-la viva e rústica pelo máximo tempo possível. Engarrafando cedo também ajuda nesta pretensão.

Todas as provas me têm dado bons sinais de evolução positiva, o vinho apresenta-se cada vez mais complexo, definido e limpo. O corpo segue o caminho dos bons Arintos, torna-se rico e mais gordo a cada nova prova.  Presumo que dará bom prazer no imediato (aconselho sempre a esperar dois ou três meses depois do engarrafamento) mas, a minha grande excitação é tentar perceber o que irá acontecer nos primeiros três a cinco anos, altura em que julgo que os aromas terciários aparecerão, que a salinidade estará evidente e que o vinho mostre todos os seus segredos.

Não vou esconder o entusiasmo. Estou muito esperançado neste vinho. Está-me a dar todos os sinais que me costumam deixar muito confiante. Já pedi rolhas para 25 anos, vamos ver quem aguenta mais tempo, se a rolha, o vinho ou a nossa vontade de o beber!

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já entrámos nas ULTIMAS 150. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resume como poderão fazer para reservar as vossas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3).
Para primeiras visitas, sugiro a leitura dos post com a etiqueta Branco Lisboa.


8 de fevereiro de 2017

E o vencedor é....



Depois de uma profunda análise a todas as propostas, decidi que há ali coisinhas muito boas. Tão boas que escolhi também, para além de um vencedor, duas mesões honrosas que não levarão o prémio na integra, mas terão direito a uma garrafa extra cada um. 

E o vendedor é:

Tomáz Vieira da Cruz:
Proposta 1: "If there was any magic in this world that was not magic, it was wine." , Lev Grossman (The Magicians, 2009).

Gosto muito destas imagens poéticas e românticas e acho que é uma frase que se adequa que nem uma luva ao espírito do projecto.

Menções Honrosas:

João Craveiro Lopes: "Sniff my ass!"

Mickael Santos:" Impressão do mapa de Portugal"


A proposta do João tem em si encerrada muita da ironia e humor que gosto de meter em tudo o que faço, encontrando um novo significado para o acto de analisar olfactivamente a rolha quando se abre uma garrafa, não deixando de ser uma piada entendida por todos. Já a proposta do Michael toca num ponto que muito me interessa também, a assumpção da nacionalidade em todos os aspectos.

Agradeço a todos a participação. Não se pode dizer que tenha havido uma frase de que não gostei, tive, como devem ter reparado, de recorrer a várias camadas de leitura para escolher os vencedores. No fundo são todos vencedores, mas... sem prémio! ;)

E agora, a parte em que me vão odiar. Preparados? Aqui vai!

Tal como avisei, não havia a garantia de que a frase vencedora seria impressa na rolha. O azar (porque seria impressa a vencedora não fosse eu ter tropeçado nisto) veio do facto de eu ter relido um poema de Charles Baudelaire que me apaixonou e me fez esquecer tudo o resto. Ora, cito:

Embriagai-vos

"È preciso estar sempre ébrio. È tudo: eis a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que vos quebra as costas e vos inclina para a terra, tendes de embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas embriagai-vos. E se porventura, nas escadas do palácio, na relva verde de uma vala, na solidão morna do vosso quarto, despertardes, a embriaguez já fraca ou desaparecida, pedi ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que se esvai, a tudo o que geme, a tudo o que passa, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio responder-vos-ão: "Está na hora de se embriagarem! Para que não se tornem escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos; Embriagai-vos incessantemente! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha!"

Não é soberbo? Não é arrebatador? Há como ficar indiferente a isto? Eu, perdoem-me... não consegui. Prefiro a consequência, da mesma forma que um apaixonado foge louco de todas as suas responsabilidades em busca da inebriante ilusão.
Escolhi para a rolha a parte a sublinhado.

Conto com o vosso perdão!



7 de fevereiro de 2017

HM Lisboa Branco 2016 - A caixa de 6

Pedi uma imagem simples, com o logo e que mantivesse a cor do cartão. Esta proposta aproxima-se muito do que tinha em mente. Simples, directa, universal.
Gosta?


6 de fevereiro de 2017

Message in a bottle cork



O desafio foi lançado e felizmente, aceite por muito boa gente. As propostas são excelentes e terei muita dificuldade em escolher um vencedor.

Ora vejam lá:

Amândio Cupido: I'm naked...Come back tomorrow."

Mário Conde: At Last, free... let the fun start! / Finalmente livre... Vem aí o prazer!

João Craveiro Lopes: Sniff my ass!

Nelson Moleiro: Drink wisely, drink till it's over!

Pedro Lima: "E hoje... Engoles ou cospes fora?"

Luís Chaves: "Desarolha" e descobre o segredo HM..."Umplug" and discover the HM secret

Tomáz Vieira da Cruz:

Proposta 1: "If there was any magic in this world that was not magic, it was wine." , Lev Grossman (The Magicians, 2009).
Proposta 2: "Wine is bottled poetry" , Robert Louis Stevenson


João Machado: HM Wines

Mickael Santos: Impressão do mapa de Portugal

Sérgio Dias: Lisboa

Ricardo Morais: Anda beber Jack :) 

Ricardo Ramos: Não voltar a introduzir

Paulo Correia: 

Proposta 1: "Hugo no pais das maravilhas"
Proposta 2: "Abre outra"
Proposta 3: "Onde fica o clitóris"
Proposta 4: "O desejado"
Proposta 5: "O principio do fim"

Ricardo Soares:

Proposta 1:  #nº desarrolhar
Proposta 2: #nº Jack
Proposta 3: "Olhe... cheire e beba!"
Proposta 4: "A culpa é do Hugo Mendes"

Mário Silva: "Welcome to the JACK world"

Valter Costa: "Primeiro cheirar, depois beber e por fim não dizer mal!"

Pingus Vinicus: 
Proposta 1: "Fique Bêbado com classe"
Proposta 2: "Beba tudo"

Filipe Raposo: "Espectacular não é?"

Paulo Sousa: "Beba e vá comprar outra"

Emília Freire: "Enjoy. Cheers!" 

João Manuel Oliveira: 
Proposta 1: "Lisboa numa garrafa"
Proposta 2: "Por favor, não usar novamente. Beba o vinho!"

Entradas de ultima hora!

André Faustino: "Lisboa por Mclub"

Temo Alves: " If is not cork please take a walk!"

Xico Ramisco: " I´ve been screwed!"

Preciso de mais um par de horas para escolher a minha preferida, mas entretanto digam lá qual preferem?

4 de fevereiro de 2017

O Cliente nº 100



Quando me iniciei nesta aventura estava longe de perceber no que me estava a meter, confesso. Na minha mente 800 garrafas metidas numa folha de Exel não pareciam nada de inacessível. Anteriormente já conseguira vender lotes de 200 garrafas com alguma facilidade. Achei portanto que as 800 seria um numero atingível e mandei-me sem fazer muitas contas. Em boa hora o fiz (ou melhor, não fiz!). Em boa hora deixei que o impulso e a certeza se sobrepusessem à razão.

Construí um ficheiro com umas 50 entradas, seria a minha base de clientes. Os sócios fundadores do Mclub (gostam do nome? Lê-se "Mê clube", à ribatejana), não pensei muito naquilo expecto o facto de achar que se pode fazer coisas muito giras com um grupo inicial de 50 pessoas.

Bom, bla, bla, bla, bla... fiquei impressionado quando há pouco estava a actualizar o ficheiro e me deparo com o sócio nº noventa e picos. Noventa e picos? É pá.... criei um monstro (tendo em conta que a estrutura sou eu e eu!).

Bom, vocês não têm tempo para conversas de merda e eu não vos quero fazer perder tempo. Só quero dizer que a transferência numero 100 será comemorada com uma oferta especial que acompanhará a entrega do vinho! Não digo o que é porque é surpresa, mas acho que vão gostar!
Mas quem será? Quem? Quem Quem? Quem terá essa sorte? Quem? Quem?

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já atingimos as 600. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resume como poderão fazer para reservar as vossas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3).
Para primeiras visitas, sugiro a leitura dos post com a etiqueta Branco Lisboa.





1 de fevereiro de 2017

Concurso: A melhor expressão impressa numa rolha!



Desde que iniciei este projecto que penso marcar o corpo da rolha com uma mensagem divertida, útil ou carinhosa. Algo que desperte um sorriso em quem se prepara para beber mais uma garrafa deste nosso vinho!

Seria tolo não abrir o brainstorming a Vossas Excelências e guardar para mim, só para mim, o prazer de debitar disparates sem fim na busca da expressão perfeita. Ficaria aquela imagem do gajo que se peida debaixo dos lençóis e guarda o cheiro só para si, não é?

Foi por isso que decidi  lançar-vos este desafio:

Duplico o numero de garrafas pré-compradas a quem submeter a melhor frase, expressão, ideia, disparate ou verborreia. O desafio mantém-se até ao final da semana (0:00 do dia 04 de Fevereiro) e que contarão, obviamente, as vendas efectuadas até lá como unidade duplicadora para o vencedor. Quem não comprou (pode fazê-lo entretanto! :) ) não será de todo excluído do concurso, embora as regras, por questões de respeito por quem já o fez, sejam as mesmas para todos. 

Resumindo:
Encontrem a expressão mais fixe para se meter no corpo da rolha. O/A autor/autora da que eu gostar mais, mesmo que decida não a imprimir, verá a sua encomenda duplicada à minha conta.

Venham lá pois então essas propostas giras, vaaaá!!!


30 de janeiro de 2017

O papel no Arinto no HM Lisboa Branco 2016



Gosto muito de pensar a composição dos vinhos com base na complementaridade das castas face ao pretendido. 
Já aqui expliquei que este foi idealizado a partir da vontade de explorar outras facetas do Fernão Pires (FP). Naturalmente me apercebi que, pensando em apanhar um  FP com base na acidez, puxando-o para níveis de maturação que revelassem  aromas mais contidos e cítricos, que permitissem uma boa base para uma saudável e longeva evolução, o vinho dai resultante seria pouco alcoólico, com um corpo delgado e curto de boca. Teria de ser complementado com outra casta que minimize esse impacto, uma casta "esqueleto" que estruturasse e sustentasse as pretensões sem interferir demasiado. Nos vinhos brancos e face à minha experiência, a solução era óbvia, o Arinto.

Numa nota de graça e curiosidade vos digo que ambas foram fermentadas em separado (e alturas diferentes) e assim têm evoluído. Tinha curiosidade em perceber as transformações dos primeiros meses em cuba de um FP feito desta maneira. A verdade é que não tem dado sinais de falta de estrutura e corpo para os 9% de álcool com que ficou. Tem-se vindo a compensar nesse campo e a intensificar o aroma (que baixará mal lhe junte o Arinto, para a reganhar lentamente nos meses que se seguem ao engarrafamento), o que me deixa algo perplexo e desconcertado.

Voltemos ao Arinto. Precisava aqui de um vinho robusto, com álcool mais alto e ai tive de condenar um pouco a acidez naturalmente alta que a casta tem. Apanharam-se as uvas ligeiramente mais tarde, com a acidez na casa das 6-7g/L e o álcool a babujar os 13%. Fermentação a temperaturas mais altas, média de 17ºC para não deixar aparecer os tropicais fabricados pela levedura, mesmo as naturais. Queria um vinho neutro e robusto, fresco e estruturado. Sei de antemão que um Arinto assim tem muito para dar com o tempo de garrafa, mas não se sobrepõe. O Arinto é uma casta de intensidade baixa e espectro largo.

Julgo que desta forma tenho os elementos que procurei desde o inicio. Um FP apoiado num Arinto que o ajudará a brilhar. Um vinho que me tem dado provas que vai estar apto a ser apreciado logo que passe o choque do enchimento (15-30 dias) mas que dará muitos prazeres e alegrias a quem tiver coragem de guardar umas garrafas. Não serei hipócrita, como em todos os grandes vinhos (minha opinião) é ai que se verá a sua  verdadeira identidade.

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já atingimos as 500 garrafas das 800 que disponibilizámos para esta acção. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resumme como poderão fazer para reservar as vossas garrafas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3). 
Para primeiras visitas, sugiro a leitura dos post com a etiqueta Branco Lisboa.




28 de janeiro de 2017

Nelson Guerreiro, campeão em título.


Época de nomeados, candidatos, premiados, ... Confesso que é cada vez mais penoso assistir a toda esta miséria, as escolhas despauterada, com critérios dúbios e muitas vezes sem o menor pingo de mérito. Assome-se uma profunda náusea que durante anos julguei ser simples fruto da sinusite do "cair da folha". Mas que raio anda esta gente a fazer?
Um flagelo, um flagelo, um flagelo!

Eis que no meio disto surge a noticia de que o Nelson Guerreiro ganhou o Concurso Nacional de Escanções.

Páro e respiro. 

Ganhou o trabalho porra, ganhou o trabalho! Não digo que o Nelson foi, de entre os candidatos quem mais fez para o merecer, não conheço todos os outros nem o seu percurso, não merecem a injustiça de uma avaliação sem elementos. Não estive lá para ver o desempenho de nenhum deles.  Mas conheço o Nelson e acompanho o seu percurso, a sua evolução, o seu empenho e a sua dedicação ao estudo. Se há quem mereça, ele estará certamente nesse lote.

Não posso afirmar que espero muito dele, que ponho as minhas fichas todas em jogo pois quem me segue sabe que tenho o dom de agoirar tudo o que acho bom (com as minhas previsões de sucesso garantido) e não quero de todo que isso aconteça ao percurso deste meu amigo. Mas se o conheço bem, isto nunca será um fim, é apenas um alento para o próximo passo!

Parabéns Nelson pelas tuas conquistas. Parabéns aos Escanções de Portugal que têm um representante combativo e aguerrido na prova internacional onde os irá representar. 
Que bem que sabe perceber que ainda há esperança para o trabalho e empenho!
E foi-se a sinusite, fónix....!

27 de janeiro de 2017

Como vamos proceder à entrega do vinho?



É talvez a questão que mais me tem sido colocada. E é das mais pertinentes!

Ora bem, nesta primeira incursão, gostaria, no limite, de entregar cada garrafa uma a uma, mão a mão. Isso nunca será obviamente possível, por isso a solução mais viável parece-me ser o estabelecimento de parcerias com espaços que se disponibilizem a ser depositários do vinho por um período de tempo a definir. Penso que as garrafarias são as mais facilmente elegíveis para este fim, mas não descarto outros.

Assim sendo, logo que esteja concluída a pré-venda, iniciarei os contactos para ter disponível, nas principais cidades, estes parceiros, se possível, quero ainda fazer em cada local uma prova aberta do vinho, mas isso veremos caso a caso e na altura!

De qualquer forma, com parcerias ou não, eu garanto a entrega do vinho e nos casos especais acordarei directamente com o cliente qual a melhor forma dessa entrega se realizar.

Ninguém pagará mais por isso, ninguém ficará sem vinho. Pedirei obviamente algum jogo de cintura, mas nada transcendente! O ónus disto é todo meu!

Se no meio de vós existir alguém que tenha um espaço e tenha gosto nesta parceria terei muito gosto. Se quiserem podemos ir adiantando assunto. entrem em contacto comigo! 

Não me canso de agradecer o maravilhoso apoio que esta iniciativa tem tido (neste momento já temos mais de 80 apoiantes, patronos, investidores... o que lhe quiserem chamar!). Ando esmagado com isto. Ainda falta um bocadinho, mas acredito que consigamos!
Muito obrigado.

26 de janeiro de 2017

Porta Velha 2011 - DOC Trás-os-montes

Quinta-Feira, dia de Podcastas (por acaso falhei na semana passada). Desta feita discutiu-se o sentido da D.O.C. Sabe o que é?
Então oiça, ora essa!

Carregue aqui para ir para o site (uma vez lá, escolha a plataforma onde mais gostar de ouvir)


23 de janeiro de 2017

Mas ... madeira porquê?


Uma das perguntas que mais me tem sido feita sobre o vinho é a questão da inclusão de madeira: "Tem madeira?". Não, não tem madeira! E não tem porque não quero madeira nestes vinhos (nos brancos, os tintos terão outra história). Convém aqui explicar um pouco mais sobre a forma como vejo a utilização deste material na realização de um vinho. Certo?

Para começar, não vejo a coisa como simplesmente, tem ou não tem madeira. È nova, semi-nova, usada, velha, "recauchutada",... é o quê? É Portuguesa, Francesa, Americana, Húngara? E o poro? E a queima? E depois, o vinho, fermenta lá desde mosto ou vai para lá quase vinho? Mais maduro ou mais ácido? Faz estágio ou não? Estágio longo ou curto? Já viram a quantidade de combinações que conseguimos fazer só com estes elementos que descrevi? É fácil perceber que temos aqui um cem numero de combinações e perfis possíveis! .
Tudo isto só para explicar que o caso não se pode pôr simplesmente no tem ou não tem!

E este... não tem! Não tem porque eu quis apanhar o Fernão Pires num estado menos mudarão, um estado em que a uva originará aromas mais citrinos ou fará um vinho neutro onde o aroma se desenvolva durante os estágios. A madeira, de alguma forma retira essa pureza aromática (pureza no sentido químico do termo), não a quero aqui para nada, só ia esconde os elementos que quero, precisamente, mostrar!
A minha experiência com vinhos sem madeira é a de que, quando apanhados na altura certa (cada enólogo e abordagem terá a sua) originam vinhos com uma evolução mais limpa, clara e expressiva da uva e do terroir. Além disso, as madeiras dão ao vinho aromas quentes e eu quero estes vinhos todos na linha frescura (aromas frios e sensações ácidas). É isso que pretendo com esta linha de brancos e foi por isso que optei por não usar madeiras.
Estamos falados? :)
Abraço!

21 de janeiro de 2017

Meio caminho andado



Depois de um dia meio afastado "dos relvados" devido a doenças da época e visitas (não Marcelinas) ao hospital eis que volto aqui para ver como andam as coisas.

Surpresa das surpresas, o dia de ontem correu muito bem e o de hoje nada mal. 

Acabámos de chegar a meio, às 400 garrafas. 

Este numero eram, para mim, os mínimos olímpicos, o limite inferior que me faria admitir o insucesso caso não fossem atingidos. Se esperava consegui-lo em menos de 5 dias? Nem nos meus melhores sonhos (sou um optimista depressivo!).
Será que conseguimos as 800 em mais 5 dias (sim, porque já não admito não conseguir as 800). não sei, mas sei que vamos tentar, certo?

Já nem sei que vos agradeça ou vos parabenize, honestamente, isto já não é só meu. Não é mesmo!

Bora lá fazer isto caminhar para as 800?
Conto com a vossa ajuda! :)