12 de fevereiro de 2017

Um vinho diferente de tudo o que foi feito até hoje?



Bom, podia dar uma de vendedor de banha da cobra, desses que encontra trabalho fácil em Portugal e dar-vos a ideia de que compus o comprimido do sucesso instantâneo, a formula do perfume com que Patrick Süskind arrebata o seu leitor no final apoteótico do romance O Perfume.

Não posso fazer isso! Nunca me dei bem com o logro, não é isso que está aqui em causa. Nunca será!

Um vinho de autor vive de muitos detalhes, mas vive essencialmente de um ponto de vista sobre algo. Neste caso é o meu sobre a região de Lisboa e duas das suas castas mais emblemáticas. Fernão Pires e Arinto.

Procurei que fosse um vinho limpo, fresco, de aromas delicado e medianamente intensos, mas ricamente complexos. Sabem aquela ideia das peras que fazem salivar, que comíamos da árvore em miúdos? Estão lá! Estão também lá uns toques citrinos maduros e uma linha vegetal que vem quase de certeza do Fernão Pires. Evitei contactos peliculares e batonagens. Quero toda a acidez protegida e desejo mantê-la viva e rústica pelo máximo tempo possível. Engarrafando cedo também ajuda nesta pretensão.

Todas as provas me têm dado bons sinais de evolução positiva, o vinho apresenta-se cada vez mais complexo, definido e limpo. O corpo segue o caminho dos bons Arintos, torna-se rico e mais gordo a cada nova prova.  Presumo que dará bom prazer no imediato (aconselho sempre a esperar dois ou três meses depois do engarrafamento) mas, a minha grande excitação é tentar perceber o que irá acontecer nos primeiros três a cinco anos, altura em que julgo que os aromas terciários aparecerão, que a salinidade estará evidente e que o vinho mostre todos os seus segredos.

Não vou esconder o entusiasmo. Estou muito esperançado neste vinho. Está-me a dar todos os sinais que me costumam deixar muito confiante. Já pedi rolhas para 25 anos, vamos ver quem aguenta mais tempo, se a rolha, o vinho ou a nossa vontade de o beber!

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já entrámos nas ULTIMAS 150. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resume como poderão fazer para reservar as vossas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3).
Para primeiras visitas, sugiro a leitura dos post com a etiqueta Branco Lisboa.


8 de fevereiro de 2017

E o vencedor é....



Depois de uma profunda análise a todas as propostas, decidi que há ali coisinhas muito boas. Tão boas que escolhi também, para além de um vencedor, duas mesões honrosas que não levarão o prémio na integra, mas terão direito a uma garrafa extra cada um. 

E o vendedor é:

Tomáz Vieira da Cruz:
Proposta 1: "If there was any magic in this world that was not magic, it was wine." , Lev Grossman (The Magicians, 2009).

Gosto muito destas imagens poéticas e românticas e acho que é uma frase que se adequa que nem uma luva ao espírito do projecto.

Menções Honrosas:

João Craveiro Lopes: "Sniff my ass!"

Mickael Santos:" Impressão do mapa de Portugal"


A proposta do João tem em si encerrada muita da ironia e humor que gosto de meter em tudo o que faço, encontrando um novo significado para o acto de analisar olfactivamente a rolha quando se abre uma garrafa, não deixando de ser uma piada entendida por todos. Já a proposta do Michael toca num ponto que muito me interessa também, a assumpção da nacionalidade em todos os aspectos.

Agradeço a todos a participação. Não se pode dizer que tenha havido uma frase de que não gostei, tive, como devem ter reparado, de recorrer a várias camadas de leitura para escolher os vencedores. No fundo são todos vencedores, mas... sem prémio! ;)

E agora, a parte em que me vão odiar. Preparados? Aqui vai!

Tal como avisei, não havia a garantia de que a frase vencedora seria impressa na rolha. O azar (porque seria impressa a vencedora não fosse eu ter tropeçado nisto) veio do facto de eu ter relido um poema de Charles Baudelaire que me apaixonou e me fez esquecer tudo o resto. Ora, cito:

Embriagai-vos

"È preciso estar sempre ébrio. È tudo: eis a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que vos quebra as costas e vos inclina para a terra, tendes de embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas embriagai-vos. E se porventura, nas escadas do palácio, na relva verde de uma vala, na solidão morna do vosso quarto, despertardes, a embriaguez já fraca ou desaparecida, pedi ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que se esvai, a tudo o que geme, a tudo o que passa, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio responder-vos-ão: "Está na hora de se embriagarem! Para que não se tornem escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos; Embriagai-vos incessantemente! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha!"

Não é soberbo? Não é arrebatador? Há como ficar indiferente a isto? Eu, perdoem-me... não consegui. Prefiro a consequência, da mesma forma que um apaixonado foge louco de todas as suas responsabilidades em busca da inebriante ilusão.
Escolhi para a rolha a parte a sublinhado.

Conto com o vosso perdão!



7 de fevereiro de 2017

HM Lisboa Branco 2016 - A caixa de 6

Pedi uma imagem simples, com o logo e que mantivesse a cor do cartão. Esta proposta aproxima-se muito do que tinha em mente. Simples, directa, universal.
Gosta?


6 de fevereiro de 2017

Message in a bottle cork



O desafio foi lançado e felizmente, aceite por muito boa gente. As propostas são excelentes e terei muita dificuldade em escolher um vencedor.

Ora vejam lá:

Amândio Cupido: I'm naked...Come back tomorrow."

Mário Conde: At Last, free... let the fun start! / Finalmente livre... Vem aí o prazer!

João Craveiro Lopes: Sniff my ass!

Nelson Moleiro: Drink wisely, drink till it's over!

Pedro Lima: "E hoje... Engoles ou cospes fora?"

Luís Chaves: "Desarolha" e descobre o segredo HM..."Umplug" and discover the HM secret

Tomáz Vieira da Cruz:

Proposta 1: "If there was any magic in this world that was not magic, it was wine." , Lev Grossman (The Magicians, 2009).
Proposta 2: "Wine is bottled poetry" , Robert Louis Stevenson


João Machado: HM Wines

Mickael Santos: Impressão do mapa de Portugal

Sérgio Dias: Lisboa

Ricardo Morais: Anda beber Jack :) 

Ricardo Ramos: Não voltar a introduzir

Paulo Correia: 

Proposta 1: "Hugo no pais das maravilhas"
Proposta 2: "Abre outra"
Proposta 3: "Onde fica o clitóris"
Proposta 4: "O desejado"
Proposta 5: "O principio do fim"

Ricardo Soares:

Proposta 1:  #nº desarrolhar
Proposta 2: #nº Jack
Proposta 3: "Olhe... cheire e beba!"
Proposta 4: "A culpa é do Hugo Mendes"

Mário Silva: "Welcome to the JACK world"

Valter Costa: "Primeiro cheirar, depois beber e por fim não dizer mal!"

Pingus Vinicus: 
Proposta 1: "Fique Bêbado com classe"
Proposta 2: "Beba tudo"

Filipe Raposo: "Espectacular não é?"

Paulo Sousa: "Beba e vá comprar outra"

Emília Freire: "Enjoy. Cheers!" 

João Manuel Oliveira: 
Proposta 1: "Lisboa numa garrafa"
Proposta 2: "Por favor, não usar novamente. Beba o vinho!"

Entradas de ultima hora!

André Faustino: "Lisboa por Mclub"

Temo Alves: " If is not cork please take a walk!"

Xico Ramisco: " I´ve been screwed!"

Preciso de mais um par de horas para escolher a minha preferida, mas entretanto digam lá qual preferem?

4 de fevereiro de 2017

O Cliente nº 100



Quando me iniciei nesta aventura estava longe de perceber no que me estava a meter, confesso. Na minha mente 800 garrafas metidas numa folha de Exel não pareciam nada de inacessível. Anteriormente já conseguira vender lotes de 200 garrafas com alguma facilidade. Achei portanto que as 800 seria um numero atingível e mandei-me sem fazer muitas contas. Em boa hora o fiz (ou melhor, não fiz!). Em boa hora deixei que o impulso e a certeza se sobrepusessem à razão.

Construí um ficheiro com umas 50 entradas, seria a minha base de clientes. Os sócios fundadores do Mclub (gostam do nome? Lê-se "Mê clube", à ribatejana), não pensei muito naquilo expecto o facto de achar que se pode fazer coisas muito giras com um grupo inicial de 50 pessoas.

Bom, bla, bla, bla, bla... fiquei impressionado quando há pouco estava a actualizar o ficheiro e me deparo com o sócio nº noventa e picos. Noventa e picos? É pá.... criei um monstro (tendo em conta que a estrutura sou eu e eu!).

Bom, vocês não têm tempo para conversas de merda e eu não vos quero fazer perder tempo. Só quero dizer que a transferência numero 100 será comemorada com uma oferta especial que acompanhará a entrega do vinho! Não digo o que é porque é surpresa, mas acho que vão gostar!
Mas quem será? Quem? Quem Quem? Quem terá essa sorte? Quem? Quem?

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já atingimos as 600. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resume como poderão fazer para reservar as vossas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3).
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1 de fevereiro de 2017

Concurso: A melhor expressão impressa numa rolha!



Desde que iniciei este projecto que penso marcar o corpo da rolha com uma mensagem divertida, útil ou carinhosa. Algo que desperte um sorriso em quem se prepara para beber mais uma garrafa deste nosso vinho!

Seria tolo não abrir o brainstorming a Vossas Excelências e guardar para mim, só para mim, o prazer de debitar disparates sem fim na busca da expressão perfeita. Ficaria aquela imagem do gajo que se peida debaixo dos lençóis e guarda o cheiro só para si, não é?

Foi por isso que decidi  lançar-vos este desafio:

Duplico o numero de garrafas pré-compradas a quem submeter a melhor frase, expressão, ideia, disparate ou verborreia. O desafio mantém-se até ao final da semana (0:00 do dia 04 de Fevereiro) e que contarão, obviamente, as vendas efectuadas até lá como unidade duplicadora para o vencedor. Quem não comprou (pode fazê-lo entretanto! :) ) não será de todo excluído do concurso, embora as regras, por questões de respeito por quem já o fez, sejam as mesmas para todos. 

Resumindo:
Encontrem a expressão mais fixe para se meter no corpo da rolha. O/A autor/autora da que eu gostar mais, mesmo que decida não a imprimir, verá a sua encomenda duplicada à minha conta.

Venham lá pois então essas propostas giras, vaaaá!!!


30 de janeiro de 2017

O papel no Arinto no HM Lisboa Branco 2016



Gosto muito de pensar a composição dos vinhos com base na complementaridade das castas face ao pretendido. 
Já aqui expliquei que este foi idealizado a partir da vontade de explorar outras facetas do Fernão Pires (FP). Naturalmente me apercebi que, pensando em apanhar um  FP com base na acidez, puxando-o para níveis de maturação que revelassem  aromas mais contidos e cítricos, que permitissem uma boa base para uma saudável e longeva evolução, o vinho dai resultante seria pouco alcoólico, com um corpo delgado e curto de boca. Teria de ser complementado com outra casta que minimize esse impacto, uma casta "esqueleto" que estruturasse e sustentasse as pretensões sem interferir demasiado. Nos vinhos brancos e face à minha experiência, a solução era óbvia, o Arinto.

Numa nota de graça e curiosidade vos digo que ambas foram fermentadas em separado (e alturas diferentes) e assim têm evoluído. Tinha curiosidade em perceber as transformações dos primeiros meses em cuba de um FP feito desta maneira. A verdade é que não tem dado sinais de falta de estrutura e corpo para os 9% de álcool com que ficou. Tem-se vindo a compensar nesse campo e a intensificar o aroma (que baixará mal lhe junte o Arinto, para a reganhar lentamente nos meses que se seguem ao engarrafamento), o que me deixa algo perplexo e desconcertado.

Voltemos ao Arinto. Precisava aqui de um vinho robusto, com álcool mais alto e ai tive de condenar um pouco a acidez naturalmente alta que a casta tem. Apanharam-se as uvas ligeiramente mais tarde, com a acidez na casa das 6-7g/L e o álcool a babujar os 13%. Fermentação a temperaturas mais altas, média de 17ºC para não deixar aparecer os tropicais fabricados pela levedura, mesmo as naturais. Queria um vinho neutro e robusto, fresco e estruturado. Sei de antemão que um Arinto assim tem muito para dar com o tempo de garrafa, mas não se sobrepõe. O Arinto é uma casta de intensidade baixa e espectro largo.

Julgo que desta forma tenho os elementos que procurei desde o inicio. Um FP apoiado num Arinto que o ajudará a brilhar. Um vinho que me tem dado provas que vai estar apto a ser apreciado logo que passe o choque do enchimento (15-30 dias) mas que dará muitos prazeres e alegrias a quem tiver coragem de guardar umas garrafas. Não serei hipócrita, como em todos os grandes vinhos (minha opinião) é ai que se verá a sua  verdadeira identidade.

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já atingimos as 500 garrafas das 800 que disponibilizámos para esta acção. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resumme como poderão fazer para reservar as vossas garrafas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3). 
Para primeiras visitas, sugiro a leitura dos post com a etiqueta Branco Lisboa.




28 de janeiro de 2017

Nelson Guerreiro, campeão em título.


Época de nomeados, candidatos, premiados, ... Confesso que é cada vez mais penoso assistir a toda esta miséria, as escolhas despauterada, com critérios dúbios e muitas vezes sem o menor pingo de mérito. Assome-se uma profunda náusea que durante anos julguei ser simples fruto da sinusite do "cair da folha". Mas que raio anda esta gente a fazer?
Um flagelo, um flagelo, um flagelo!

Eis que no meio disto surge a noticia de que o Nelson Guerreiro ganhou o Concurso Nacional de Escanções.

Páro e respiro. 

Ganhou o trabalho porra, ganhou o trabalho! Não digo que o Nelson foi, de entre os candidatos quem mais fez para o merecer, não conheço todos os outros nem o seu percurso, não merecem a injustiça de uma avaliação sem elementos. Não estive lá para ver o desempenho de nenhum deles.  Mas conheço o Nelson e acompanho o seu percurso, a sua evolução, o seu empenho e a sua dedicação ao estudo. Se há quem mereça, ele estará certamente nesse lote.

Não posso afirmar que espero muito dele, que ponho as minhas fichas todas em jogo pois quem me segue sabe que tenho o dom de agoirar tudo o que acho bom (com as minhas previsões de sucesso garantido) e não quero de todo que isso aconteça ao percurso deste meu amigo. Mas se o conheço bem, isto nunca será um fim, é apenas um alento para o próximo passo!

Parabéns Nelson pelas tuas conquistas. Parabéns aos Escanções de Portugal que têm um representante combativo e aguerrido na prova internacional onde os irá representar. 
Que bem que sabe perceber que ainda há esperança para o trabalho e empenho!
E foi-se a sinusite, fónix....!

27 de janeiro de 2017

Como vamos proceder à entrega do vinho?



É talvez a questão que mais me tem sido colocada. E é das mais pertinentes!

Ora bem, nesta primeira incursão, gostaria, no limite, de entregar cada garrafa uma a uma, mão a mão. Isso nunca será obviamente possível, por isso a solução mais viável parece-me ser o estabelecimento de parcerias com espaços que se disponibilizem a ser depositários do vinho por um período de tempo a definir. Penso que as garrafarias são as mais facilmente elegíveis para este fim, mas não descarto outros.

Assim sendo, logo que esteja concluída a pré-venda, iniciarei os contactos para ter disponível, nas principais cidades, estes parceiros, se possível, quero ainda fazer em cada local uma prova aberta do vinho, mas isso veremos caso a caso e na altura!

De qualquer forma, com parcerias ou não, eu garanto a entrega do vinho e nos casos especais acordarei directamente com o cliente qual a melhor forma dessa entrega se realizar.

Ninguém pagará mais por isso, ninguém ficará sem vinho. Pedirei obviamente algum jogo de cintura, mas nada transcendente! O ónus disto é todo meu!

Se no meio de vós existir alguém que tenha um espaço e tenha gosto nesta parceria terei muito gosto. Se quiserem podemos ir adiantando assunto. entrem em contacto comigo! 

Não me canso de agradecer o maravilhoso apoio que esta iniciativa tem tido (neste momento já temos mais de 80 apoiantes, patronos, investidores... o que lhe quiserem chamar!). Ando esmagado com isto. Ainda falta um bocadinho, mas acredito que consigamos!
Muito obrigado.

26 de janeiro de 2017

Porta Velha 2011 - DOC Trás-os-montes

Quinta-Feira, dia de Podcastas (por acaso falhei na semana passada). Desta feita discutiu-se o sentido da D.O.C. Sabe o que é?
Então oiça, ora essa!

Carregue aqui para ir para o site (uma vez lá, escolha a plataforma onde mais gostar de ouvir)


23 de janeiro de 2017

Mas ... madeira porquê?


Uma das perguntas que mais me tem sido feita sobre o vinho é a questão da inclusão de madeira: "Tem madeira?". Não, não tem madeira! E não tem porque não quero madeira nestes vinhos (nos brancos, os tintos terão outra história). Convém aqui explicar um pouco mais sobre a forma como vejo a utilização deste material na realização de um vinho. Certo?

Para começar, não vejo a coisa como simplesmente, tem ou não tem madeira. È nova, semi-nova, usada, velha, "recauchutada",... é o quê? É Portuguesa, Francesa, Americana, Húngara? E o poro? E a queima? E depois, o vinho, fermenta lá desde mosto ou vai para lá quase vinho? Mais maduro ou mais ácido? Faz estágio ou não? Estágio longo ou curto? Já viram a quantidade de combinações que conseguimos fazer só com estes elementos que descrevi? É fácil perceber que temos aqui um cem numero de combinações e perfis possíveis! .
Tudo isto só para explicar que o caso não se pode pôr simplesmente no tem ou não tem!

E este... não tem! Não tem porque eu quis apanhar o Fernão Pires num estado menos mudarão, um estado em que a uva originará aromas mais citrinos ou fará um vinho neutro onde o aroma se desenvolva durante os estágios. A madeira, de alguma forma retira essa pureza aromática (pureza no sentido químico do termo), não a quero aqui para nada, só ia esconde os elementos que quero, precisamente, mostrar!
A minha experiência com vinhos sem madeira é a de que, quando apanhados na altura certa (cada enólogo e abordagem terá a sua) originam vinhos com uma evolução mais limpa, clara e expressiva da uva e do terroir. Além disso, as madeiras dão ao vinho aromas quentes e eu quero estes vinhos todos na linha frescura (aromas frios e sensações ácidas). É isso que pretendo com esta linha de brancos e foi por isso que optei por não usar madeiras.
Estamos falados? :)
Abraço!

21 de janeiro de 2017

Meio caminho andado



Depois de um dia meio afastado "dos relvados" devido a doenças da época e visitas (não Marcelinas) ao hospital eis que volto aqui para ver como andam as coisas.

Surpresa das surpresas, o dia de ontem correu muito bem e o de hoje nada mal. 

Acabámos de chegar a meio, às 400 garrafas. 

Este numero eram, para mim, os mínimos olímpicos, o limite inferior que me faria admitir o insucesso caso não fossem atingidos. Se esperava consegui-lo em menos de 5 dias? Nem nos meus melhores sonhos (sou um optimista depressivo!).
Será que conseguimos as 800 em mais 5 dias (sim, porque já não admito não conseguir as 800). não sei, mas sei que vamos tentar, certo?

Já nem sei que vos agradeça ou vos parabenize, honestamente, isto já não é só meu. Não é mesmo!

Bora lá fazer isto caminhar para as 800?
Conto com a vossa ajuda! :)


19 de janeiro de 2017

Como está a correr a pré-venda



Mesmo correndo o risco deste post ser interpretado como uma mera acção de marketing (não nego que aceito todo o contributo positivo que possa advir daqui), sinto necessidade de fazer uma resanha às emoções que tenho vivido durante estes dias de pré-venda.

Um post no facebook com a imagem final já me tinha dado muitas esperanças quanto à forma como esta pré-venda poderia decorrer. Mas convenhamos, ando nisto há muito tempo e há muito tempo que não me iludo com o facebook e intenções ali expressas. Partilha-se um post, mostra-se intenção de compra e depois... bem, depois só quem sabe é o visado e esse normalmente tem pudor e fica calado!
Portanto, tinha uma esperança cautelosa de que a coisa pudesse correr bem. Também não havia muito a pensar, embora não tivesse (e não tenho) plano B, a máquina está em andamento e o dinheiro vai ter de aparecer. Aperta-se o botão e ... espera-se! Se fosse do tipo de roer unhas te-las-ia roído... até aos pulsos! 
Terça-feira, hora de almoço, altura de merda para lançar conteúdos, afirmam os gurus, mas a batata quente fervia muito e... zás, aqui vai disto!
As primeiras reacções são fantásticas, os conteúdos foram bem recebidos, mandei mensagens a todos os que se mostraram interessados e por conta da gripe que não me larga fui a um pequeno cochilo... duas horas, porra, como posso ter dormido duas hora?
Volto para o computador e abro a caixa postal, fico incrédulo, uma boa dezena de comprovativos, começo a abrir e... é mesmo... e chegam mais, e mais. È isto a tarde toda. tremo: "ai porra que acertei com isto!". O primeiro dia é a loucura completa, chego ao primeiro milhar e lanço-me no segundo. As garrafas saem. são 800 que têm de sair, ainda estamos longe, mas há cadência, a máquina não pára. Sinto o primeiro tremor ao ver os nomes. isto é gente séria, malta de muitos quadrantes e nalguns casos até nos antípodas das minhas posições, Que bom... querem ver que me tornei consensual?
Segundo dia, mais calmo mas muito emotivo, recebo telefonemas e mensagens, todas a manifestar apoio e carinho... estou sem saber onde meter as mão. Sério, não fui feito para receber elogios. 200 garrafas já voaram e volta o receio, será que consigo chegar às 800 a que me propus. O terceiro dia foi mais calmo. ainda não atingi as 300, mas noto que ainda tenho muita gente a querer participar, o mês está a ser duro e percebo que muitos estejam à espera do final para fazer o seu contributo. Mesmo assim o balanço já está a ser fantástico. A máquina já foi posta em andamento não há como parar agora!

Chego ao fim do dia e o sentimento é estranho. Todo o apoio, todo o interesse, todas as manifestações de carinho que me têm sido dirigidas, toda esta mole de gente (neste momento passam das 60 pessoas) me transformou o sentimento. Acreditem ou não, este projecto é cada vez mais partilhado convosco, deixou de ser meu em absoluto. Tem o meu nome, é um facto, mas é nosso e cuido dele com essa responsabilidade, com esse carinho, com esse empenho. Fico com pele de galinha quando penso que a viabilização deste projecto pela vossa parte significa que este é um vinho que vocês decidiram que tem de existir. Não conheço outro com uma génese tão comunitária. 

Quero por isso descansa-los e deixar a nota de que estou a tratar do nosso vinho com todo o carinho, com o máximo de empenho, com a noção da enorme responsabilidade que a vossa generosidade e confiança me depositou nas mão.
Querem saber, perdi o nervo e o medo, não sei bem como, mas tenho a certeza de que isto vai acontecer, de que as 800 garrafas vão para esse lado e que nascerá uma bonita comunidade de enófilos que tudo farei para honrar e respeitar em tudo o que fizer daqui para a frente. Não sei se acreditam, mas isto vai mudar a minha vida.
Muito e muito obrigado por permitirem que isto aconteça.



17 de janeiro de 2017

Pré - Venda aberta


E pronto, aqui estão as indicações para me ajudarem (com regalias fantásticas) a concretizar este sonho. vejam as instruções e o video, se permanecerem duvidas, cá estou para as esclarecer!
Muito, mas muito obrigado!




16 de janeiro de 2017

Que vinho é este afinal?



Amanhã arranca o período de pré-venda do meu vinho branco de Lisboa. Para já, e porque muitos me têm perguntado de que vinho se trata, deixa-me já ir adiantando trabalho.

Há muito que espero uma oportunidade de experimentar apanhar Fernão-Pires (FP) tendo em conta apenas a acidez. A minha teoria é a de que, desde que esta seja estável, consegue-se um vinho com um a paleta aromática mais próxima dos citrinos e mais afastada dos aromas enjoativo que a casta costuma apresentar. Para além disso fico em vantagem na capacidade evolutiva do vinho dai resultante.
Desde o inicio que percebi que não conseguiria fazer o vinho só de FP, já que o álcool ficará obrigatoriamente aquém dos limites de certificação. Arinto seria sempre a escolha óbvia e natural. Confere estrutura e álcool (o lote ronda os 11-11,5%) sem comprometer frescura .
para quem gosta de detalhes de enologia, o sumo limpo fermentou em cuba de inox, com leveduras naturais a temperaturas médias de 17ºC. fermentações certinhas, com arranques demorados como é da praxe com estas bichas.
Aparte disso, porque acho que o grande trabalho aqui é feito na garrafa ao longo do tempo, quero engarrafar o mais rápido possível.



Parece uma formula simples, e de certa forma é. Contudo, inspiram-me aqui as evoluções dos vinhos base de espumantes quando faço algumas garrafas de ensaio e deixo para crescer. Este triângulo (vindima precoce+garrafa cedo+tempo) tem-me dado vinhos maravilhosos, cheios de poder e nervo, salinos e iodados, perfumados e loucamente equilibrados.
Do triângulo, deixo-vos o mais fácil, dar tempo a algumas garrafas para se fazerem juntas de vós e deixar-vos fazer parte desta descoberta continua que agora se inicia.

Eis o meu primeiro vinho, um vinho de Lisboa, Não a única forma com que olho para a região, mas seguramente uma das visões que mais anseio ver revelada.
Espero que desfrutem tanto dele como eu tenho desfrutado até aqui.
Obrigado!

15 de janeiro de 2017

Imagem final


Eis a imagem final. Eis o aspecto de 6 garrafas (guardem este numero na cabeça)
Esta semana iniciarei a pré-venda deste vinho. Apelo a todos que se mantenham atentos e que me ajudem a concretizar este sonho sem ter de recorrer a nenhum tipo de financiamento que não o da compra directa. Ajudem-me a provar que os consumidores sabem escolher os seus vinhos, sabem apoia-los e que a eliminação de alguns  intermediários pode, por vezes trazer benefícios para ambos.
Ajudem-me, sobretudo, a mostrar que é possível!


Para além de preços muito, mas muito especiais, quem comprar o vinho nesta modalidade passará automaticamente a pertencer a um grupo (clube do produtor) com regalias fantásticas e alguns produtos exclusivos (vinhos, formações,...)

12 de janeiro de 2017

8 de janeiro de 2017

O vinho na ponta da Língua



Ponderei se seria "apropriado" escrever sobre este livro, afinal, o que tenho para dizer não é bom na generalidade.
Como escrever o que penso sem interferir no equilíbrio natural ou no distanciamento devido que a minha actividade e a da autora têm?
Honestamente não sei! O que sei é isto: não posso exigir rigor e honestidade crítica a toda a hora e ao mesmo tempo fazer parte da Junta Nacional dos Nins e dos Silêncios (JNNS). Não é justo para comigo, não é justo para com os valores que defendo e não é justo para quem considera a minha opinião. No limite até acho que não é justo para a autora, mas deixo para ela esse julgamento!
Ponderei se seria apropriado escrever sobre este livro ... e todos os botões do meu corpo gritaram que sim. 

Começo pelos aspectos positivos:

O livro é quanto a mim uma bela ideia, na onda dos manuais "A, B, C do vinho". Pretende, de uma forma simples e resumida, apresentar os aspectos mais importantes de quem quer desfrutar um pouco mais das experiências etílicas. Gosto da organização e da estrutura. Muito.
O grafismo está de se lhe tirar o chapéu. Imagens giras com cores vivas a puxar para o sentimento cool cosmopolita. Fresco, divertido e jovial como se pretende que seja na fase de descoberta em que se encontra o publico alvo. Muito bem esgalhado. A minha vénia!
Tentativa de expressão numa linguagem desempoeirada e divertida... uma espécie de conversa simples com o leitor. Aprovadíssimo!

Aspectos negativos:

O pior que lhe encontro é a gritante falta de revisão. O livro está cheio de erros e falhas técnicas básicos, facilmente identificáveis pelo mais simples dos enólogos. Sendo a autora tão conhecida (e reconhecida) no meio, custa-me entender como não pediu a algum técnico para ler e emendar o texto. Torna-se a meu ver muito grave quando temos em conta que o publico alvo dá os primeiros passos neste meio específico, criando-lhe deformações, e incutindo-lhe preconceitos que serão muito mais difíceis de emendar à posteriori.
Os textos têm uma construção que me cria dificuldades de compreensão. Ideias e processos nem sempre se encontram descritos de forma clara (até para quem os conhece). Há uma excessiva repetição de palavras que tornam a leitura maçuda quando se pretende precisamente o contrário.

A ideia com que fico é a de que o livro é uma espécie de transposição de uma longa conversa oral, com todas as bengalas e falhas deste canal, adjuvada por uma preocupante falta de revisão técnica. Será que publicaram o esboço? Não entendo!

Tal como está, não aconselho a ninguém, mas julgo que numa segunda edição, se houver vontade de uma revisão séria, pode transformar-se num manual de eleição para os iniciantes a enófilos. 

E não estou a brincar!






5 de janeiro de 2017

Quinta das Carrafouchas Branco 2015



Podcastas: Episódio 17

Quinta feira, dia de Podcastas, certo? Sabias, certo? Não te esqueceste, certo?

Desta vez foi o Wilson quem trouxe o vinho. Um Fabuloso branco de Lisboa, da Quinta das Carrafouchas, que por acaso, também tem dedo deste que te escreve. Um vinho de SONHO  que o gajo levou para a própria quinta onde é produzido. Local onde gravamos o episódio! Salganhada, não?

Para ouvir na tua plataforma preferida (tens os links aqui) e mostrar aos amigos, se gostares. Se não gostares, partilha com os inimigos!

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Beijos e abraços!

3 de janeiro de 2017

Lisboa branco by me - A Vindima


Lançar um projecto, realizar um sonho, apostar no risco, chama-lhe o que quiseres, sabe sempre melhor quando é acompanhada por pessoas que te fazem bem ao coração.

A ideia persegue-me há anos, iniciar uma linha de vinhos, meus, mesmo meus, onde, numa escala sempre pequena me dou o direito de expressar as regiões tal como as vejo. Apostar nas castas mal amadas e pegar nas D.O. com que ninguém sonha. Foi isso que me fez enólogo, o desafio imensamente maior de fazer surgir vinhos marcantes mas nas regiões sem créditos de estrela. Se fosse mais versado em futebol diria que não tenho vocação para ponta de lança, mas sim para o gajo que constrói o jogo... é o 10, certo? O Pablo Aimar! Isso é que me desafia.

Na preparação da vindima 2016 a família empurrou-me para a frente, fez cara feia e apontou o dedo à vinha. "vais e vais mesmo fazer esse vinho já!". E eu, bem mandado que sou... fui!

Então, numa demonstração incondicional de confiança e carinho, os amigos que puderam chegaram-se à frente e disseram: "Vais, mas não vais sozinho!". E não fui! 
Com o coração a rebentar de alegria, orgulho e gratidão fiz a vindima mais emotiva da minha vida, ao lado de muitas das pessoas que mais gosto neste mundo. 
Tenho dito a brincar que é o vinho com mais enólogos por metro quadrado que conheço. Se isto não sai bem...

Olha lá para as fotos, diz lá se a única coisa que pode sair daqui não é um vinho maravilhoso?
Não estão aqui todos os que torcem pelo bem deste projecto. Nem os presentes consegui retratar na totalidade. Mas eles sabem re sei que estão comigo e que lhes sou grato!






















Fotos By: Ricardo Ramos