9 de Abril de 2014

Coisas que me aborrecem (IV)

È esta, mas podiam ser tantos outros, felizmente, do mesmo género...


Ah, e tal...

Não, porque está muito amarelo!

Não, porque é de 2006!

Não, porque não cheira a frutos tropicais com especial e absoluta evidência do maracujá!

Não, porque não é directo e intenso o suficiente!

Não, porque... E porque... E porque...

Vão para o c******* pá! 



24 de Março de 2014

Um post à Pingus Vinicus



Por norma, tendo a não confiar nos "sempre felizes". Soam-me a falso, a plástico! Às vezes a patético.
Soa-me a infelicidade envergonhada!

Toda a gente sabe que somos um país de melancolia, que as nossas obras poéticas maiores são escritas por desgraçados na desgraça! Diz o meu bom amigo Rui Massa que é uma herança Celta. Eu acredito.

Também me debato, constantemente com a amargura, inadaptação e tristeza depressiva. Sinto, confesso, um prazer estranho, quando penso e escrevo na depressão. 

Não tenho por isso, pachorra para as imensas fotos de garrafas especiais, em cenários especiais, com pratos especiais, com descrições perfeitas e na companhia de gente especial que grassam por essas redes sociais fora, como se a beleza da vida fosse construida apenas  de momentos subliminarmente bons!
A felicidade constante soa-me a second life. Associar o consumo de vinhos, somente aos momentos, aparentemente, bons, é uma patetice!
Este tipo de sentimento, transporto para o que leio nos blogs, sites, revistas,... Tudo muito bonito, polido e feito por gente muito, mas muito avisada. Nada contra. 
Apenas não consumo!

È por tudo isto que não tenho pejo em afirmar que considero o Pingus Vinicus, o mais humano dos bloggers nacionais. Não deixa de ser irónico que nenhum outro nick seja tão assumidamente um personagem, um heterónimo eno literário. Este, pertença do Rui Massa.
Gosto do facto do Pingus ser um de nós.  Com iguais medidas de felicidade e infelicidade. Gosto do facto de ser um tipo mundano, com relatos humanizados daquilo que sente quando bebe o vinho, dos motivos que o levam a bebe-lo!
Nada diferente da experiência de todos nós.
Gosto do que escreve o Pingus porque, à sua maneira, me sinto retratado nas suas amarguras, nas suas frustrações e no sentido anestésico com que usa o vinho.

Não vou discutir se ele é o melhor, o pior ou o do meio. Apenas alerto aqueles mais incautos que alegam que assim, ele não faz qualquer divulgação aos vinhos que posta. Faz sim, e muito.
Quem pensar o contrário, não percebe um boi de marketing!

Amigo Rui! Ergo o meu copo a ti e mais à tua loucura sã! Que nos presenteies por muitos e bons anos com estas brilhantes caricaturas. Nossa e da vida de merda que todos levamos nos intervalos dos estados etílico.
Ès grande!

(para quem não conhece, o blog de que falo chama-se Pingas no copo e podem lê-lo aqui!)



18 de Março de 2014

"Deve ser maravilhoso trabalhar aqui!"


Querido diário,

Sabes, hoje recebemos visitas. Mais uma vez, a primeira coisa que me disseram - com um rasgado sorriso estampado - foi a frase do título, decalcada do visitante anterior. Ouço isto há 8 anos.
A verdade, devo ser honesto, é que a natureza foi simpática aqui e os fundadores souberam, na hora de levantar tijolo, não desfear o que os deuses aqui plantaram. Logo, percebe-se o deslumbramento da primeira visita.

No resto, é uma empresa, feita de pessoas, com todas as vicissitudes que tem a convivência entre elementos da espécie Homo [poucas vezes] sapiens sapines. Brigamos, rimos, desconversamos, abraçamos, gritamos, maldizemos, discordamos, arreliamos,...   Tudo o que é de esperar quando se juntam mais de uma pessoa no mesmo espaço e com um objectivo comum!

Tenho uma profunda satisfação de fazer o que gosto. Mas não sou diferente de qualquer outro profissional que esteja na profissão por amor.
Por vezes fico com a sensação que as pessoas, principalmente os winelovers, acham que ser enólogo é sinónimo de uma existência celestial. De vida perfeita e de prazeres continuados. 

Infelizmente não é! Mais vezes do que gostaria, estou de ovo virado com o patrão, magoado com o mercado ou com o cliente que saiu, aborrecido com um colega que (na minha avaliação) falhou, lixado comigo porque falhei, comigo por que sim e até, por vezes, comigo porque não!
Bastas vezes, as tarefas prazerosas são apenas a ponta emersa de um iceberg que esconde, abaixo das águas negras, as outras, as que não dão prazer ao careca!

À imagem dos restantes mortais, tem dias, muitos, em que a resposta a esta pergunta quase retórica, é mesmo:

- "Trabalhar aqui é &$#&=)(=(/%/%##$%#%&U&%$&%Y!"

"Tás" a ver?





14 de Março de 2014

Wines9297

Fui à Wines 9297, só para conhecer o espaço e cumprimentar a Helena Pereira Muelle, pelas amabilidades que tem tido para comigo e meus "clientes", nos últimos dias.
Tenho a dizer que fiquei impressionado, em especial, com 3 coisas:

- A diversidade e a aposta em "não apostar",  no "... que se vende bem".

- A clareza da oferta e o profundo conhecimento dos vinhos à venda (se forem lá, são aconselhados por uma enófila, não por uma vendedora!).

- Preços muito correctos. O Kit da imagem, custou pouco mais de 30 €!

Fiquei fan! Mais. Fiquei cliente!



Sobre a garrafeira em si, encontrei relatos nos blogs do Jorge Nunes e  do  Carlos Janeiro. Penso que ambos, expressam muito do ambiente que também eu ali senti!

Passem por lá!

12 de Março de 2014

Um sonho...

Querido diário:

Lembras-te da preparação daquele exame de álgebra em que não consegui resolver uma porra de um determinante, embora tivesse tentado 16 vezes seguidas? 
Lembras-te do que aconteceu depois? 
Fui-me deitar e durante a noite sonhei com a resolução?
Lembras-te da certeza com que me levantei da cama e fui ao papel colocar os números e os símbolos na ordem certa?

Pois bem. Esta noite voltei a ter essa sensação.
Sonhei, imagina tu, que finalmente estava a fazer o meu vinho. Que finalmente me decidi pela ideia agregadora, pelo conceito que quero explorar e... quase que tenho a ideia de perfil que pretendo perseguir!
A certeza é tão grande que mesmo acordado, não tenho como duvidar que o caminho vai ser trilhado e que as escolhas estão feitas.
Resta-me tratar dos pormenores e preparar tudo para a sua produção.
Simples não é?

Vai ser apenas e só o meu exercício de total liberdade criativa, bem como, o teste de todas as "posições" que tenho andado para aqui a defender ao longo destes anos.
Estás tão empolgado quanto eu?

Foto usada a partir daqui


O exame de álgebra? 
Como sabes, tive uma nota baixa e fui à oral. Errei o determinante que a "prof." me meteu para resolver. Fui o único a chumbar na oral (os outros resolveram sistemas, eu não pude porque fui o único a acertar o do exame) e só consegui livrar-me da cadeira na 2ª época... com um brilhante 10.

10 de Março de 2014

O Português e o Françês

Foto usada a partir daqui


Sabem qual é a diferença entre um produtor de vinho  Português e um Francês?
Não?

Vejam lá se descobrem com estas pistas!

Discurso do Francês:
Somos o melhor povo do mundo. Temos as melhores castas do mundo. Temos os melhores vinhos do mundo. A nossa maneira é a única possível! 
Andamos nisto há mais de 200 anos.
Não gosta? È porque é burro! Beba merda!

Discurso do Português:
Somos um povo porreiro, hospitaleiro e simpático. Esperamos que gostem de nós. Temos muitas castas, mas as francesas são as melhores do mundo. Temos muito bons vinhos, mas não se vendem tão bem como os da _________ (preencher com o país produtor que está na moda!).
Não gosta? Está bem, nós passamos a fazer diferente! 
Andamos nisto há mais de 200 anos!



9 de Março de 2014

Não gosto de Tourigas. Ponto! Mas...

Querido diário,

Depois do Inspira Portugal - Touriga Nacional, conclui, definitivamente que a Touriga Nacional, em mono casta, simplesmente não me convence.
Contudo (e as mudanças de casa prestam-se a estas provas), apeteceu-me abrir uma destas (Vê a foto). E não é que o vinho se apresenta bom?
Perdeu corpo, manteve a estrutura (o que ainda me complica com os nervos. Não gosto disso nestes vinhos!) e apresenta-se  limpo, evoluído e mineral. O aroma está irrepreensível. È na boca que ainda tenho as minhas quezílias. Excesso de estrutura, basicamente.
È caso para dizer que, Tourigas Nacionais com, pelo menos 10 anos dou uma 2ª oportunidade! (pareço um determinado tipo de anuncio de jornal!)



6 de Março de 2014

Não chove nada!

Foto usada a partir daqui


Fizeram-se obras na quinta onde trabalho e para isso, contratou-se um empreiteiro que trouxe a sua equipa.
De entre os pedreiros e trolhas, houve um que caiu na tentação, comum aos Portugueses, de achar que o vinho não é coisa que se venda, mas sim, um sinal de prosperidade que todos temos obrigação de oferecer.

O tipo entrou na adega num daqueles dias em que ando com os azeites. Mal o vi, percebi logo ao que vinha.
Depois de um qualquer desbloqueador de conversa que não recordo, o diálogo foi mais ou menos este:

Sr. Trolha -Eh pá! Um gajo anda há semanas a trabalhar numa adega de vinho e não chove nada!.
Eu - Então? Está bom tempo, estamos na primavera, queria chuva?
Sr. Trolha - Não, amigo. Não chove é vinho!

Pausa dramática.

Eu - Olhe lá, se for trabalhar para uma E.T.A.R., também espera que chova MERDA?
Sr. Trolha- (silêncio)

Depois disto, apenas o inevitável. Virou as costas e nunca mais lhe vi os dentes.

Epílogo
Se há coisa que me tira do sério é mesmo o facto da malta achar que o vinho é coisa que se possa dar sem prejuízo. Que todo e qualquer amigo, conhecido, visitantes ou simplesmente alguém, porque sim, tem legitimidade para receber de oferta uma garrafinha.
Não sei se sabem isto, mas nós, vivemos mesmo à conta da venda (depois de boa cobrança) das ditas garrafas!

5 de Março de 2014

Mudando de casa descobri...

Querido diário:

Não imaginas a inveja que tenho daquela rapaziada que encontra verdadeiras preciosidades vínicas quando mudam de casa ou fazem obras.
Muitas vezes dou por mim a roer os cotovelos com a descoberta de uma garrafa esquecida que o tempo fez o favor de sublimar (não é a passagem de solido a gasoso, mas sim a de tornar sublime).
Nada.Não encontrei nada que não esperasse!

Achei ensaios... ensaios e mais ensaios. Muito espumante com "carica", alguns já nem sei o que são. Para além disso, uma caixa do baptizado do Manel e os vinhos do meu casamento...

A propósito do vinho que regou a boda, encontrei uma garrafa com falta de liquido, fruto de uma libação involuntária, ou somente provocada por uma rolha menos boa. Estava oxidada (sem ser muito), e por isso decidi sacrifica-la ali. 
Farto de caixotes, abri-a. Era uma Quinta da Murta Branco 2005, rotei o botão do som para a direita e refastelei-me no quintal a curtir a fusão entre o âmbar do vinho, o calor do sol e isto:


Foi um momento... sublime (lá está!) num espaço que me permite, sempre, voar!
Adoro aquela casa!

Depois? Depois voltei para as caixas e para as descobertas de nada!

Irra que estou farto de mudança!

28 de Fevereiro de 2014

Pizzaria Lisboa - Um dia dedicado ao Marketing

Querido diário:

Confesso que gosto, cada vez mais, do contacto com os consumidores, ou, da tentativa de "formar" os nossos parceiros para os informarem da melhor maneira.

Hoje, tive a oportunidade de conhecer um espaço em Lisboa que ainda não conhecia. Chama-se Pizzaria Lisboa, mais um dos conceitos do José Avillez, que gostei e onde estou deserto para ir comer (disseram-me que servem uma pizza de trufas que é qualquer coisa!).
Gosto do espírito do espaço. Tudo em clima descontraído, com aura cosmopolita gira. Imagino aquilo a ser frequentado por gente feliz que come descontraidamente e a rir ao mesmo tempo que "mama" uma garrafinha de um vinho onde eu tenha metido a pata.
Fui lá para dar uma espécie de prova com formação ao staff. Imagina a minha alegria ao ser contactado para o fazer!
"-O quê? Quer que vá aí explicar os vinhos ao staff?... Ajudar a encontrar as harmonias perfeitas?... È para os apanhado?" 

Esta atitude é tão boa, mas tão boa que me pareceu brincadeira!
Mas não... era a sério!

E saí de lá com um sorriso e a confiança na mudança de mentalidade dos restauradores Portugueses!

Acabou por valer a pena interromper a mudança de casa, bem como as "voltas" para a abertura da Bago D'Uva, para lá ir de propósito!
Quando vamos lá por essas harmonizações à prova?


26 de Fevereiro de 2014

Espumante pelo Método Clássico – Passo 3.2: Tiragem. Preparação do Lote



Para melhor entendimento, por favor, leia este post.

Passo 3.2: Preparação do Lote:
Decididos os vinhos e suas proporções no lote, procedo à  sua  junção antes de os colar e estabilizar.
Gosto de intervir pouco nos vinhos e prefiro fazê-lo apenas após o lote.

Operações de preparação:
Basicamente, esta fase, consiste de 3 etapas distintas. Lote, estabilizações e filtração. Prefiro estabilizações por subtracção, ou seja,  que resultam da retirada dos compostos afectantes ao vinho, em oposição às conseguidas por adição de estabilizantes que evitem as reacções que originam os problemas.

Estabilização tartárica. Se, nos vinhos tranquilos é apenas uma questão de maquilhagem, já nos vinhos espumantes, a sua realização reveste-se, a meu ver, de uma importância capital. Uma má estabilidade pode criar muitas dificuldades mais tarde nas operações de remoagem e degorgement (especialmente com leveduras imobilizadas), mas também, ocorrendo à posteriori, têm uma forte influência na qualidade da espuma. Para mim, tenho de ter a garantia que está feita… e muito bem-feita.

Estabilização proteica. Ao contrário dos vinhos tranquilos, não quero a remoção completa das proteínas. Vamos simplificar e dizer que há proteínas boas e más. Umas, quando em quantidades suficientes, quando as condições alteram, podem desnaturar (perder a sua forma normal) e turvar o vinho. Já as boas, são muito úteis num espumante pois ajudam a que as bolhas permaneçam pequenas, melhorando as sensações tácteis na boca (a mousse). Não podemos escolher, mas sabemos que, por norma, as más são maiores que as boas e têm mais afinidade com as colas desproteinizantes (que palavra feia). Desta forma, reduz-se a utilização destas para valores mínimos, seja fazendo testes ou apenas confiando na experiência. Há quem aconselhe uma acção combinada com uma gelatina, por forma a garantir uma maior eficiência da remoção das proteínas más e dos lípidos (terríveis para a espuma) e manutenção das boas. Não tenho por hábito fazê-lo!

Colagem de polifenois (brancos e rosés). Também a família dos polifenois contêm membros mais interessantes e outros menos. Nos interessantes, lembremos os taninos e as antocianas que tanto gostamos nos vinhos tintos. Em brancos e rosés, vamos generalizar e dizer que não queremos nada disso ali, em especial os maus, que podem ser responsáveis por envelhecimento precoce dos vinhos, levando à perca de frescura, oxidação e/ou madeirização dos vinhos. Se quero dar longevidade a um vinho branco e rosé. Se quero manter-lhe a frescura e se pretendo que este se permita a estágios prolongados, faço por remover a maior parte destes compostos indesejáveis. Soma-se a isto o facto de eu utilizar, preferencialmente técnicas de tiragem que permitem (voluntariamente) a incorporação de oxigénio para os primeiros ciclos da levedura. Bem vêm que, se tenho madeira seca e lume… só por sorte não faço fogo, logo, é melhor retirara a lenha.

Filtração. Dependente dos volumes de vinho a preparar, do equipamento de que disponho ou do tipo de acompanhamento que posso dar, opto por, garantidamente, uma filtração de desbaste e outra de esterilização no fim das estabilizações, ou somo mais uma de desbaste entre as colagens e a estabilização tartárica (Cf. figura).

Ordem de operações:
Se tiver de receitar um esquema seguro (Cf. Imagem), apto à maioria dos vinhos, o mais provável era propor que, após o lote, se procedesse às colagens de polifenois e de proteínas, seguido de uma filtração de desbaste antes da estabilização tartárica. Depois desta, nova filtração de desbaste, ou, se o vinho deixar, diretamente para uma filtração de esterilização.
Enquanto fiz assim, quase nunca consegui ir directo para a filtração final, pelo que, e porque trabalho normalmente volumes mais pequenos (>10 000L), elimino a primeira filtração, faço as colagens na estabilização tartárica e filtro tudo no fim. O que ganho eu com isso? Essencialmente, uma filtração e algum tempo!

Os adeptos das abordagens mais naturais perguntar-me-ão se não seria melhor não estabilizar os vinhos e deixar que os compostos naturais se estabilizem por si.
Bom, normalmente, a tiragem dos espumantes faz-se ainda no inverno. Uma vez que não trabalho realidades em que o estágio em cuba seja demorado para que essa estabilização ocorra mais naturalmente, a resposta a isso acaba por ser: Não vejo mal em fazê-lo, mas o risco é muito maior! Eu não o faria para os tempos de estágio comummente praticados



Figura 5 - Esquema representativo das alternativas de preparação de um lote antes do vinho poder ser considerado apto à tiragem.

25 de Fevereiro de 2014

Querido Diário; Em contra relógio.

Querido diário,

Hoje, o dia foi passado à pressa. Sabes aquelas alturas em que temos férias marcadas, mas uma enormidade de trabalho, ainda por fazer? Pois bem, hoje a sensação foi essa!
Vou tirar, em principio*, o resto da semana, para mudar de casa (sim, porque os enólogos, apesar de miseravelmente pagos, também podem mudar de casa). Logo, tudo o que me propus fazer para esta semana, teve de ficar, mais ou menos, feito até hoje.




  • Estabilizações e colagens da base espumante rosé... feito!
  • Colagem da base espumante branca 2013 antes da estabilização tartárica... feita também!
  • Degorgement do Espumante branco Brut Nature 2011... estrondosamente  bem feito**


Burocracias.....
Para a semana que vem, está bem?
Por agora... vou dar uma de estivador!
Obrigado!
__________
*A Sara, adora estas certezas!
** QUE... LOUCURA... DE VINHO! E eu, nem consumo espumantes!

24 de Fevereiro de 2014

Um dia simples



Inauguro aqui uma nova etiqueta à qual chamarei diário.  Serão pequenos retalhos que espero, possam entreter quem lê e dar uma melhor ideia do dia-a-dia deste que vos escreve.
Não se assustem... não terão cadência diária, nem relatarei idas à casa de banho! Sairão só quando se justificar!  


Querido Diário,

O tempo é o de preparar as bases de espumante* para a tiragem. Estou neste momento às voltas com a base do  Murta Rosé  2013.

Para além da base, propriamente dita, aquela que resulta do esquema de vinificação usado desde a vindima, tenho um pequeno ensaio que difere, essencialmente, no tempo de contacto pelicular antes da prensa, resultando num vinho com menos cor e menor complexidade aromática. Essencialmente, notam-se menos os frutos vermelhos e a estrutura é mais delicada. O esqueleto acido está lá e é o mesmo, mas muito mais evidente na base menos extraída.
Este vinho originará, não mais de 100 garrafas, onde pretendo um estágio prolongado.
Relembrem que, uma das combinações que faz estes vinhos, algumas vezes, raiarem a perfeição, é precisamente a simplicidade absoluta dos vinhos base aliada a tempos de estágio muito longos.

Vou propor ao produtor que as garrafas de ensaio não saiam dos stocks (Alguns terão de ir para a garrafeira dos enólogos, para elemento de estudo dos meus sucessores). Assim, vocês poderão, mais tarde, quem sabe, ter o prazer de serem felizes detentores destas raridades!

Depois... análises disto. Daquilo e daquele outros!
O normal, para um dia simples!

*Nome dado ao vinho que é usado para fermentar novamente, dentro da garrafa para originar as tão amadas bolhas.

A sabedoria do Mendes (III)



Já sabem! Se querem vinho bom e barato...

Falem comigo!

19 de Fevereiro de 2014

Escanção, Um Profissional em vias de … sucesso!

Não vale a pena introduzir o Manuel Moreira. Seria até de mau tom fazê-lo!

Contudo, importa saber que, o Manel representa, para mim, o estereotipo do escanção "insatisfeito" com o que sabe, que se desinstala, que procura, que pensa e reflecte nas coisas, que opina com base em sustento e não na simples inspiração.
Por isto, também porque me identifico com a sua forma de estar e porque a cada dia que passa o considero mais um amigo, tomei a iniciativa de o desafiar a partilhar a sua visão sobre a profissão de Escanção. Estranhamente ele assentiu de imediato.
Muito obrigado Manuel.



Foto usada a partir daqui



Escanção, Um Profissional em vias de … sucesso!

Nos últimos tempos, os Escanções têm estado com um destaque que se saúda. Depois de mais de uma década de algum marasmo em relação à profissão, assiste-se a um interesse por parte de profissionais de hotelaria em evoluir obtendo a “especialização” de Escanção.
Ainda mais importante, vários dos bons projectos actuais de restauração e hotelaria, dispõem agora de um Escanção.
Várias vezes sou solicitado para indicar ou sugerir um Escanção. O certo que a maioria deles, os que conheço, já está a exercer a sua actividade no terreno.
Muitas vezes nos seus espaços eram Escanção só no papel, sem qualquer liberdade para poderem explorar as suas capacidades ou produzir valor onde trabalham.
Também a imprensa especializada está a atribuir o merecido reconhecimento aos Escanções que fazem trabalho de destaque, reflectido no sucesso dos restaurantes/hotéis onde trabalham.

Já agora um esclarecimento. Várias vezes, alguns amantes e até conhecedores de vinho, me perguntam, o que podem fazer para obterem o título de Escanção. Respondo, deve ser empregado de mesa e trabalhar na hotelaria. Pois, em Portugal, Escanção é uma categoria profissional das brigadas de restaurante.
É isso o que um Escanção deve ter como base. Certo que pode desenvolver actividade em áreas onde o vinho e as bebidas sejam protagonistas, sem que seja necessariamente restaurante/hotel, etc.

Ora, este interesse crescente pela actividade de Escanção, deve ser acompanhada por uma disposição de sacrifício, capacidade de trabalho e muito espirito de auto evolução.
O que acontece com os cozinheiros, em que a projecção de determinados Chefs inspira alguns aspirantes mais “apressados”, que querem aprender a fazer “espumas” e afins, antes de aprender as bases de cozinha, deverá servir de exemplo, a não seguir, por quem ser Escanção com potencial de carreira.

Certo, que os cursos de Escanção estão quase … parados, (honrosa excepção, se se concretizar na Escola de Coimbra), pois o esquema de financiamento do qual vivem as Escolas Hoteleiras, não favorecem a criação de formação para estes profissionais. Assim, as oportunidades de “formação”, entretanto, devem partir da vontade individual de crescer e tirando partido das imensas actividades eno-vinicas ao longo do ano (feiras, eventos, provas, fóruns, etc.).

A perspectiva é positiva, a qualidade do sector crescerá com estes profissionais, o reconhecimento de quem faz um bom trabalho é fonte de valorização e interesse para cada vez empresários e colegas.


Manuel Moreira
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Podem encontrar o Manuel Moreira e os seus serviços na Wine Service 4You ou se gostarem mais do facebook, aqui!

17 de Fevereiro de 2014

Avaliação de vinhos – Mentes calibradas

Foto usada a partir daqui

Talvez os consumidores comuns não se apercebam disto. Talvez quem avalie vinhos e o faça em quantidades, meramente assinaláveis (e por diversão), também não. Mas, a mente de um avaliador de vinhos tende a aproximar-se  de um FTIR (equipamento avançado de laboratório que avalia uma série de parâmetros, quase sozinho e a partir de uma única amostra).

A semelhança não vem do facto dos avaliadores serem máquinas, mas sim, pelo simples motivo de que, com o tempo, a avaliação (nunca confundir com análise) tende a ser feita com base numa recta de calibração. 

Quem já consultou uma das "milhentas" folhas de cálculo disponíveis para avaliar vinhos, saberá que, se as usar de forma rigorosa, obterá uma avaliação final que resulta da soma das várias avaliações parciais. 
Ainda que falíveis em muitos aspectos, tendenciosas até nalguns parâmetros, possibilitam que vinhos com determinadas características naturais, possam receber classificações altas, se o provador fizer a sua avaliação, digamos, de forma matemática (pois uns parâmetros podem compensar outros).

Mas, quem tem prática de provar vinhos, sabe que isso não acontece, principalmente quando se avança no tempo de prática.
A nossa mente, cria, como que uma base de dados e cada nova amostra passa a ser avaliada pela comparação com o universo de vinhos avaliados até então (è nisto que aparece a comparação com a dita maquineta).

Isso é, verdadeiramente uma merda, pois com o tempo, pode perde-se a capacidade de dar boas notas a vinhos que, por algum motivo, se apresentam fora da matriz. 


12 de Fevereiro de 2014

10 de Fevereiro de 2014

Somm

Garanto-vos que já tinha um lindo texto sobre este docomentário. Lindo e comprido, mas... quem é que quer saber de perder tempo a ler tentativas patéticas do meu lirismo?
Ninguém.
E por isso, aqui fica o resumo da minha opinião:

A Câmara acompanha a recta final da preparação de 4 tipos para o exigente exame de Master Sommelier
Exageros à Americana? 
Sim, alguns, como é óbvio!

Acima de tudo, peca no que diz respeito ao peso que é dado ao trabalho árduo, à dedicação e ao estudo exaustivo. Por vezes doentio!

Qualquer um, Escanção ou não, saberá que, nestas coisas como nas outras, só a inspiração é necessária.E isso, meus amigos, também sabem que é uma característica inata. Tem-se ou não se tem! 
Em todo o caso, é uma condição absoluta!

Bom. Muito bom. Vejam!