11 de maio de 2010

Uniformização

Esta é a altura do ano em que mais vinhos provo! Trata-se da época das feiras e concursos e, naqueles, em que participo, tenho oportunidade de provar muito vinho.
Ao nível nacional, há algo que, não sendo novo, me começa a preocupar verdadeiramente. Trata-se da uniformização. Nunca, nos 4 anos que levo de profissional do sector, os vinhos me souberam tanto ao mesmo. Parece que vêm maioritariamente de uma única adega, de um único produtor, de uma única região, …de um único enólogo.
Se num primeiro olhar podemos achar que esta situação favorece o produtor que arrisca na diferenciação, numa observação mais geral, constatamos que a uniformização está maioritariamente nas empresas com poder para mandar no mercado, para fazer marcas sem conteúdo e até em alguns casos para convencerem alguma da média especializada. Cada vez mais os produtores com potencial para a diferenciação vão ajustando as suas colheitas ao que se vende em massa, ou seja, as produções das primeiras!
As empresas que apostam em diferenciação e que não têm dinheiro para aparecer, simplesmente não são vistas, os seus produtos são, repetidamente mal avaliados e mal apresentados.
No limite corremos o risco de o mercado operar de forma a segregar os vinhos diferenciados que são, a meu ver os que dão credibilidade e sustentabilidade a um projecto de país Vitivinícola de Qualidade.
Todos dizemos que preferimos produtos diferenciados mas, o sistema opera noutro sentido, pergunto:
Como e a quem vou vender uma produção não massificada de vinho diferenciado?

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