17 de julho de 2010

Organograma da Empresa Vitivinícola

Embora muita coisa tenha mudado nos últimos anos, continuo a achar que o grosso da produção nacional, mantém uma estrutura “familiar” e de gestão amadora!
Trazido de um tempo em que, meia dúzia de pipas pagava os estudos aos 3 filhos, os modelos ainda em vigor, não se adaptaram aos tempos modernos nem às necessidades da globalização. Esta realidade foi agravada com a inundação de fundos para tudo e mais alguma coisa, que colmatou com a transformação de qualquer baiuca numa adega e na compra de… muitos jipes! Num país onde se assinam petições para manter os crucifixos nas escolas, continuamos a preferir o peixe e a não querer aprender a pescar!
Estou convicto, e já o disse, que, esta crise, obrigará a uma revisão nas estruturas e nos modelos de gestão. O princípio, quanto a mim, é simples! Aligeirar estruturas, conter os custos e optimizar os recursos, principalmente os humanos. Ora isto parece muito básico, mas não é! Uma estrutura, mais pequena, mas mais multifacetada, consegue, a médio prazo, melhores resultados que as actuais, repletas de penduricalhos caros e pouco eficientes.
O paradigma mudou, o futuro, mesmo no fim da crise, não vai imitar o passado, vai aprender com os erros e melhorar. É sempre assim, Não é?
Defendo, já há algum tempo, um modelo de gestão que, permite, não só simplificar a estrutura, como também optimizar as mais-valias dos recursos humanos, ajudando na descentralização das decisões, ao mesmo tempo que potencia as capacidades individuais das equipas.
Assim, segundo um esquema generalizado (Cf. Imagem), temos, uma distribuição tetraédrica das posições chave dentro da estrutura.
A gestão/financeira, mantém o controlo orçamental sobre a vida dos restantes departamentos, mas dá-lhes a liberdade de decisão e direcção que esses orçamentos permitem! É obvio que barreiras podem ser definidas, mas estou convicto de que a liberdade total, dentro dos objectivos traçados, é a chave! Porquê? Porque, só dessa forma, o espírito criativo do colaborador se pode, verdadeiramente, expressar! E, é a expressão criativa que dá verdadeira vantagem competitiva a uma empresa! O objectivo da gestão passa a ser, “somente”, o controlo financeiro e a monitorização do equilíbrio entre expressão criativa e cumprimento dos objectivos.
Entre si, os departamentos devem estar interligados e nenhum deve agir de forma individualizada. O trabalho consertado é muito mais assertivo e tem menos custos.
Dou um exemplo. É frequente ver-se a produção e o departamento comercial de costas voltadas e com ideias diferentes sobre o produto e a forma de o comercializar e divulgar. Os vinhos são muitas vezes o resultado da imposição de uma das partes. Entendo que, se o enólogo participar frequentemente nas acções do marketing, e, ao mesmo tempo, a equipa comercial participar na vindima (por exemplo), consegue-se reduzir alguns custos por um lado, ao passo que damos aos vários intervenientes, noções das dificuldades dos outros departamentos.
Para mais, uma empresa com várias valências, só pode ser forte se a mensagem que passa ao consumidor for uníssona. É fundamental que cada departamento tenha os outros em mente de cada vez que escolhe um caminho de actuação. A meu ver, isso só ocorre verdadeiramente quando estes se encontram entrosados. É muito mais difícil e menos frutífero se tiver de ser, por intervenção ou imposição da gestão.
Por outro lado também, a distribuição da responsabilidade, permite respostas mais rápidas e eficientes, dadas directamente por quem sabe do assunto!
È claro que é fundamental aqui, fazer uma boa selecção dos recursos humanos. Mas mesmo isso não me parece difícil, num plano em que se optimizam recursos financeiros! Parte destes pode ser gasta na formação e motivação da equipa!
Como?
Isso já é outro assunto!

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