29 de novembro de 2010

Anunciar em Revistas, TV e Outdoors? Bahhh! Esqueçam isso!


Está bem! Está bem! O título é um pouco exagerado! Será?
Quem está um pouco mais atento às coisas do marketing e da gestão, já reparou que muito se fala, no seio dos meios especializados, da internet, da social média e das redes sociais como estando a revolucionar a forma como se comunicam os produtos. A revolução é tão grande que existem já muitos gurus a mandar deitar fora os manuais que não reflictam esta nova realidade.
Cada vez menos são os tradicionais veículos a influenciar o consumo e mais o boca a boca, a experiência na primeira pessoa, que levam ao quorum sensing. Nascem líderes de opinião de entre as hordas de consumidores. Pela primeira vez, o consumidor detém o poder!
Para quem anuncia, esta deveria ser uma preocupação, pois se mudou o paradigma, mudou também a forma como o anúncio deve ser apresentado. Por outro lado, num mundo onde a gestão se quer cada vez mais eficiente é importante calcular (e ter como o fazer!) o retorno do investimento em publicidade. Como se pode fazer isso se anunciamos numa publicação? Como podemos medir o retorno de um outdoor ou de um anúncio de TV? E com as populações a mudarem-se em massa para a internet, não será mais interessante mudar-se também para lá o foco!
Existem hoje muitas ferramentas de simples utilização que nos permitem saber exactamente quantas visitas tivemos no nosso site vindas de um outro, de uma rede social, de um fórum ou de um blog. Podemos (e em países onde a internet está muito mais implementada, isso é uma realidade há muito) até pagar consoante o número de visitas que o local de origem nos dá, o chamado Pay per Click (PPC).
Exemplifico. Pago uma quantia fixa por uma página de uma revista. Não sei quantas pessoas lêem a revista, não conheço o perfil dos leitores e no limite, não sei sequer se os leitores da reviste reparam no meu anuncio. Muito menos se origina vendas! E se sim, quanto! Normalmente uma reviste é generalista sendo que os públicos também. Ou seja, o publico que me interessa é só uma parte da totalidade dos leitores. Quanta? Não sei bem! Isto serve também para outdoors, para anúncios TV e para outras tantas formas de publicitar. Não resisto a citar Henrique Agostinho no livro Vende-se Portugal, que reza assim, “Investimento sem retorno é despesa”.
Por outro lado, posso muito bem estabelecer um contrato com dois ou três bloguers, que atraem um tipo de público maioritariamente da sintonia do meu produto, assim como publicitar em sites onde o meu produto possa ser apelativo. As vantagens desses contratos, são, a meu ver três. Primeiro, vou pagar menos! Segundo, monitorizo o investimento e torno-o mais assertivo! Terceiro, vou ter uma triagem natural dos consumidores!
Mais ainda! Quem gera ou administra os conteúdos pode ter mais consciência de quem “atinge” e como o atinge e, se pretender, trabalhar esses mesmos conteúdos de forma a ficarem mais apelativos, cativando mais leitores, que satisfazem ambos os lados. Acima de tudo é muito mais justo! Se origino conteúdos melhores, origino mais visitas, que potenciam as visitas aos meus anunciantes que me pagarão mais. Por seu lado, também eles terão maior visibilidade e rentabilidade.
Parece estranho para os empresários portugueses! Penso que sim! Mas é para aqui que caminhamos!
Não entendo do que estamos nós à espera, quanto mais cedo percebermos isto, mais aptos nos tornamos quando a mudança for imperativa!
Para os que concordam comigo, nem vale a pena pensar que descobri a pólvora! Esta constatação resulta de uma reflexão originada pela leitura de livros, escritos em alguns casos, há 5 anos, que já contêm casos de estudo…

10 comentários:

J@n31r0 disse...

Hugo,
Concordo que deve ser dada cada vez mais importância à "internet" como veiculo privilegiado de informação e de publicidade de qualidade a todo o tipo de consumidor. Concordo, porque também assim penso, que os relatos, experiências contadas na primeira pessoa tenham cada vez mais adeptos na escolha de um vinho, de um restaurante, de um Hotel, de um prato, de uma máquina de fazer pão, de um relógio, etc pois esses testemunhos são isentos, independentes e sentidos. Se dizemos bem somos tão sinceros como quando se diz mal e enquanto de outros espaços serão apenas uma especie de anúncio a gritar "Estamos aqui, isto é nosso" agora vão à internet e vejam se vale a pena. : )

Rui Lourenço Pereira disse...

Hugo,
Antes de mais parabéns pelo Branco Reserva 2005. Muito, muito interessante.
Relativamente ao tema deste teu post, julgo que a publicidade inserida em outdoors, revistas, etc nunca irá acabar mas que sofrerá uma redução drástica isso não há dúvidas. Julgo mesmo que esta só irá continuar de maneira que algumas entidades, mais abonadas, possam continuar a "marcar" presença pois o seu retorno será aparentemente muito diminuto. Quanto à publicidade na internet esta é cada vez mais uma evidência. Pergunto mesmo, como ainda há pessoas que não têm internet? Então como comunicam com o Mundo?

Hugo Mendes disse...

Caros,
Obrigado pelos comentários.
Para mim não se trata de uma questão de vontade, trata-se isso sim de uma espécie de previsão face à realidade de outras paragens.
Normalmente, Portugal e nós Portugueses somos peritos em gastar mais energias e fundos no esforço de manter o statu quo que a adaptarmo-nos à mudança!

kuyzat disse...

A nova máxima de Descartes: “Estou na internet, logo existo”.
Para uma microempresa com um ano de vida como a minha (dois sócios/trabalhadores), a alternativa como anúncios de revista, tv, outdoors nem sequer se põe. Não temos fundos para isso. Mas a internet, e em particular o Facebook, tem sido bombástica. Trata-se do vulgar boca a boca mas acelerado 100x. Alguém diz “isto é bom” e imediatamente todos os seus amigos, normalmente mais de 100, ouvem. E confiam infinitamente mais num amigo q naquilo q uma empresa diz de si própria num anúncio.
Queria pegar numa coisa que o Hugo disse “se mudou o paradigma, mudou também a forma como o anúncio deve ser apresentado”. Penso q te referes não só ao veículo mas tb ao conteúdo da mensagem em si. Que novos aspetos achas q o conteúdo da mensagem deve ter?

Hugo Mendes disse...

Boas Kuyzat,
Para mim, primeiramente, a eliminação da desconfiança natura pelos anúncios publicitários.
1º são distantes do consumidor. Ou seja, o emissor da mensagem não é conhecido. Tudo bem é uma empresa, um logo… mas quem?
2º Em muitos casos, a assinatura, que representa a promessa de venda de uma marca, não corresponde ao produto.
Dou-te o exemplo que, pela sua dimensão mundial, é o mais utilizado no momento. A BP desenvolveu nos últimos anos uma imagem e uma promessa de venda que se dizia amiga do ambiente. Pensada para minimizar o impacto e mais tretas dessas. A forma como lidou com o maior desastre ambiental de sempre no continente americano (e repara que não foi o desastre em si!) fê-la perder milhões de dólares e arrasou-lhe a credibilidade. O seu CEO cometeu graves erros de comunicação e ainda por cima, descorou completamente o efeito dos social média. Foi despedido, mas a empresa atravessa um momento complicado que poderia ter sido minimizado com uma comunicação eficaz.
A net permitiu a aproximação entre os consumidores e as empresas. Desta forma, mais que o anúncio, é importante desenvolveres comunicação apropriada e familiar (sem ser brejeiro ou demasiado intimista!). Deves estar presente e disponível para dúvidas e actuar como especialista na matéria. Encara isto como uma obrigação de facultar material formativo a todos os teus potenciais clientes. O teu produto é bom, mas só é considerado o melhor se o teu público entender o mínimo do assunto.
A resposta rápida a qualquer questão. Interactividade! Resposta personalizada!
No fundo, no fundo, mostrares ao teu cliente que ele é individual e diferenciado, especifico. E não mais um número ou um punhado de euros!
Dá muito mais trabalho… Mas dá também muita mais satisfação!

Adega dos Leigos disse...

Olá Hugo.
Em relação à publicidade em vários lados, a que vai acabar mais depressa é a revista ou jornal em papel. Cada vez mais a internet tem a noticia e a devida publicidade agregada, e o futuro é começar a haver a revista em pdf, comprado na net, com assinatura ou não, enviada directamente para a nossa caixa de correio electrónico. Quanto à publicidade de rua, como outdoors, mupis, etc, essa já não é bem assim. Digo isto porque os faço para serem colocados para nós depois os ver-mos na rua. A internet está em força, e quando todos perceberem isso, tou a falar das empresas, vai ser de repente e tudo ao mesmo tempo. A natureza agradece.

SUPERVINHOS disse...

A questão é complexa pois tudo depende do produto que se quer anunciar. O vinho de grande consumo deve ficar mais agarrado aos meios tradicionais que estão condenados a curto/médio prazo.

O vinho de nicho antigamente só tinha o placement e a publicidade "viral"; agora tem a net e tudo a ela ligado.

Mas ainda não há know how de como comunicar eficazmente na net ao contrário da comunicação tradicional

Há pois que trabalhar....muito, até acertar

Hugo Mendes disse...

caro Supervinhos,
discordo no facto de não existir know how. ele existe já em grande força, mas... enquanto achar-mos que ele passa por osmose.......

NáJung disse...

Estou de acordo com tudo!
Adorei.
Minha area*

Hugo Mendes disse...

Cara Ná Jung! Muito Obrigado! Seja bem vinda a este espaço!