19 de dezembro de 2010

Sobre as escalas! Precisamos mesmo de tantas?

Confesso-me um total e absoluto ignorante sobre estas coisas das escalas e classificações. Não sou, nem nunca fui consumidor de notas de prova e tenho sérias incapacidades de fixar nomes. Já o tinha antes de estar na profissão, aumentou depois que passei a provar os vinhos ao contrário.
Consulto alguns guias, algumas revistas e, mais recentemente alguns blogs. Todos fazem apreciação, e todos utilizam escalas. Fui-me apercebendo, muito lentamente, que a escala primeiramente usada (nacionalmente) 0-20, tem sido adaptada ao longo do tempo, pelo que, um 15 não corresponde exactamente ao 15 que tenho como referência (o da escola)! Depois houve uns iluminados que começaram a mudar-se para a escala de 0-100 para se igualarem ao mercado internacional, especialmente o americano. Finalmente, adaptou-se uma escala de 50-100, a dita escala do Sr. Parker que, faz exactamente não sei o quê! No geral, não entendo o porquê de as haver tantas e repudio as alterações ás escalas convencionais e universais!
Atenção, não quer isto dizer que o provador, não possa, ter os seus critérios de exigência e estes variarem consoante o crítico. Não me choca nada que um mesmo vinho valha 14 valores para um provador e 15 ou 16 para outro! São critérios de prova! Se, por causa disto alteramos os códigos dos símbolos, alteramos e arruinamos toda e qualquer possibilidade da sua compreensão.
Na minha ignorância, não vejo qualquer sentido para se complicar, pois escalas, escalinhas e escaletas. Modificadas, ponderadas e quitadas, não me dizem grande coisa a mim que sou do meio, quanto mais a um consumidor que NÃO TEM OBRIGAÇÃO DE DESCODIFICAR CLASSIFICAÇÕES.
Na minha ignorância prefiro uma escala que se adeqúe aos padrões que conhecemos, que são os do estudo. 0-20, sendo que: 0 é nulidade; 10 é positiva; 12 safa o exame; 14 entrada no mestrado; 16 entrada no doutoramento, 18 é excelência e 20 perfeição. Esta é uma escala suficientemente alargada e perceptível. Toda a gente no nosso burgo a sabe ler! Pergunto-me porque tão pouco se utiliza! Mas aceito todas as que conheçamos da vida!
Não estaremos a complicar demasiado? Como esperamos angariar novos consumidores se complicamos onde não temos necessidade de o fazer?
Afinal de contas! As notas de prova são para quem?
Qual a necessidade de criar escalas diferentes?

Nota: este post teve, por via da discussão, a ajuda dos Portuguese Wine Blogguers (PWB)

6 comentários:

Pingus Vinicus disse...

Concordo e assino.

Hugo Mendes disse...

Obrigado Pingus!

Antonio disse...

Concordo, tb prefereria uma pontuação mais académica. Na escola um 15 era uma nota muito boa, enquanto nos vinhos é banal, um pouco como um 10 na escola. Mas acredito que com tempo la chegaremos. As coisas não se podem mudar demasiado radicalmente, nas mudanças ou transformações ha que dar tempo e ir passo a passo.

Hugo Mendes disse...

Agradeço a ambos os comentários!

Eu penso que não mudam, até porque, acredito que a base de partida terá sido, de facto a escala académica. Contudo, houve necessidade, certamente, de encurtar distãncias entre os bons vinhos e os assim assim! Cada vez menos gosto de teorias da conspiração, perde-se demasiado tempo e não se constrói nada! Mas, aqui, estou tentado a afirmar que deve ter havido muita pressão para que esse gap das notas fosse encurtado. O mesmo se passa com a escala de Parker, se repararem, ela só favorece os piores vinhos! Se houvesse, de facto vontade de resolver problemas de quantificação, tinham-se adoptado escalas mais reduzidas (1-5; 1-10) mas não, continuou-se a utilizar escalas de inspiração académica mas com outra leitura! Puro logro! Digo eu que não faço critica!
As ponderações do OIV são, para mim, úteis na questão da uniformização das avaliações. Não se pode agradar a todos e não esperem nunca que se consiga criar um modelo que satisfaça na plenitude. Não faz sentido andar a apregoar que deveria uniformizar e depois rejeitar o modelo de uniformização. Digo eu que não faço critica!

Hugo Mendes disse...

Já agora, parece-me importante esclarecer os mais afastados destas lides que, por exemplo, na escala de 1-20, criaram-se critérios que classificam a maior parte dos vinhos a partir do 14, sendo que esta nota é quase o limiar do aceitável. Daí para cima temos as notas encostadas e repartidas nos 6 valores restantes. Acontece o mesmo na escala de Parker que encurta, de certa forma, o intervalo entre as notas boas.

Mário Silva disse...

Excelente post!!

Concordo inteiramente consigo. Numa escala de 0-20 raramente a aprece uma pontuação de 10,,11,12.

A subjectividade do gosto pessoal é que penso ser o mais importante num vinho.

Cumprimentos