19 de janeiro de 2011

O Enólogo na estrutura da empresa!

Há muito que tenho vontade de o escrever! Há muito que penso sobre isto! Há muito que tento separar aquilo que é a minha vocação do que entendo ser o caminho!
Estou certo que, qualquer enólogo que se preze gosta de calçar as botas e dar uma dobra nas calças. Trazer a velha camisa e levar as mãos sujas para casa. Mas, será mesmo aí que teremos o máximo rendimento destes técnicos? Por mais poético que isso pareça… não!
Tento muitas vezes colocar-me no lugar do produtor e ver como seria a gestão de um projecto vínico visto pelos meus olhos. Invariavelmente, ponho sempre o enólogo com um pé na gestão, outro no marketing (diferente de vendas!) e a cabeça na produção.
O consumidor adora ter a atenção do artífice e discutir com ele pormenores e opções. Para um enólogo com sensibilidade, estes momentos são interessantíssimos e super necessários, pois, o contacto directo com quem paga o vinho é fundamental para adequar o produto ao gosto. A sinceridade do consumidor, é também, muitas vezes, uma valiosa fonte de inspiração. A juntar a tudo isto, entenda-se que num futuro próximo, a interactividade, proximidade e disponibilidade serão peças chave neste jogo.
Por outro lado entendo que o enólogo deva ter competências de gestão e desempenhar essas funções no que diz respeito ao departamento produtivo. Ser responsável pela elaboração e cumprimento de um orçamento anual. Ser livre de decidir o caminho pelo qual irá atingir os objectivos definidos.
A integração destes três pontos permite uma visão mais abrangente do projecto e uma maior adaptação do produto às necessidades, bem como uma melhor análise que vise a optimização e rentabilização do processo em todas as suas vertentes
Por fim, mas não menos importante, deve ser-lhe dada disponibilidade para estudar cada processo, fazer ensaios, pensar sobre os resultados e afinar mudanças.
Tudo isto parece muito óbvio, vão-me dizer que estou simplesmente a “resumir” a realidade. Não estou, porque corresponder em alguns pontos não é parecido a corresponder a todos! Na génese disto está, por parte do produtor, a certeza de que um recurso humano multifacetado pode ser uma mais-valia se perder o seu tempo a fazer análises, a filtrar vinhos, a lavar cubas, ou simplesmente a supervisionar tudo isso. Na cabeça de muitos, estão a optimizar, já que, ter alguém com formação e extrema sensibilidade a realizar as tarefas é a maior garantia de que elas são bem-feitas! Errado! É, na realidade, uma óptima oportunidade de retirar dignidade às duas profissões, enólogo e adegueiro, ao mesmo tempo que se manda grande parte da formação e motivação ralo abaixo. Como se isto não fosse suficiente, contrata-se um enólogo consultor que não dá consultas, cobra avenças, e é responsável último por todas as decisões do vinho. Um erro, pois retira o poder de decisão do seio da empresa! É muito mais interessante contratar um bom adegueiro e um bom enólogo que um enólogo e um consultor. Economicamente, a primeira opção ganha para a segunda e o dinheiro que sobra dá para pagar a formação, que poucas empresas dão mas que a lei obriga, sobrando ainda algum para um qualquer pequeno investimento (no Marketing, por exemplo!). Os ganhos ao nível dos recursos humanos, acredito que não sejam nunca inferiores a 50% (eu acredito que sejam na ordem dos 75-80%).
Reconheço que, o consultor trás o peso da experiência, o sangue frio na hora da decisão… mas também, na esmagadora maioria dos casos… a uniformização! E não é raro que essa uniformização lhe traga benefícios directos, mas totalmente alheios ao projecto!
Também sei que nas empresas maiores, viradas para um tipo de vinho massificado esta realidade pode necessitar de ser diametralmente oposta. Mas, num país onde as PME reinam (9 em cada 10, by: Costa), entendo que este deve ser o modelo base! Como em tudo, tem de ser ajustado á realidade de cada empresa, mas, no essencial entendo que deverá ser o mais adequado à saúde financeira e criativa de uma empresa! Permite entre outras, conservar a decisão dentro da empresa, favorece a motivação dos colaboradores, uma mais rápida evolução, a criatividade e as abordagens personalizadas!

1 comentário:

Gerson disse...

Olá enologo mesmo ou tec.em enologia. esse curso do sul. Abs.GS