19 de dezembro de 2011

Prova dos 3 – Parte I

5 de Outubro. Um punhado de internautas da comunidade TWA no facebook decidiram juntar-se numa prova cega (claro!). O mote foi resultado  das muitas discussões que por lá evoluem.  Levámos 3 vinhos cada, com um preço de prateleira até 3€. Simples. A ideia foi perceber se, nesta faixa de preço a qualidade abunda.
Não irei gastar tempo com as marcas escolhidas, outros fizeram-no bem, (Diogo Rodrigues, Carlos Janeiro, Nuno Ciríaco). Sobre o que foi provado, permito-me apenas dizer que, as conclusões, se as houve não podem ser transcritas para a generalidade. O lote de vinhos não foi, nem de perto nem de longe representativo. Desta forma, os critérios individuais de escolha tiveram nos resultados um peso absolutamente decisivo.
Tive a cargo, somente, a organização logística da prova. O João Pedro Carvalho ficou com a tarefa das “inscrições” e garantia de que não haveria vinhos repetidos.
Decidi testar algumas ideias que constantemente assolam a minha (de)mente  e como tal preparei uma folha de prova diferente daquela que normalmente se usa. É público que tenho algumas, para não dizer imensas, dúvidas quanto à aplicabilidade das mais diversas escalas adaptadas, que grassam por todos os lados. Algumas delas rebuscadas, despidas de uma linguagem acessível. Adiante.
Sabia, de antemão, que os participantes dominavam com alguma consistência a técnica da prova. , pelo que um campo para uma nota final ao vinho na escala que habitualmente usam seria mais do que suficiente.
Tentou-se inovar com a inclusão de duas  escalas alternativas, mais simples e com um intervalo de valores de 1-10. A primeira, mais fácil de entender, seria uma simples relação qualidade preço (RQP). A segunda apelidou-se de Escala de Recomendação a Amigo (ERA), baseada num conceito retirado do livro Top Service – a escolha é sua de Carla Carvalho Dias. (Edição de Nov. 2010).Cito:
“Recentemente, Fred Reichheld, autor do livro The Ultimate Questinon, ilustra bem o poder da recomendação. Na verdade, todo o estudo e livro se situam em torno da questão: Numa escala de 0-10, qual a probabilidade de recomendar a nossa empresa/serviço a um amigo?”
Corto já, as pernas a todos aqueles que gostam de matar as discussões sobre assuntos potencialmente relevantes (pelo menos para quem os escreve) com patetices do género: “Ah! E tal, escala de probabilidade? O que é isso? Probabilidade 1 é o acontecimento certo, então e 2, o que é?”. Não faltarão por ai matemáticos brilhantes, mas penso que com boa vontade toda a gente entende a razão destas palavras. Continuemos!

Apesar de não ter passado os olhos pelas palavras de Fred Reichheld a ideia agrada-me. Uma escala com intervalo mais reduzido, que não complica e que apela para a manifestação de satisfação. Simples, portanto. Pensemos no consumidor comum, esse que não quer saber dos guias nem das notas de prova. Se tiver um sistema de avaliação que perceba sem pestanejar, poderá ou não usa-lo? Poderá ou não passar a consultar mais essas recomendações? São este tipo de dúvidas que assolam a carola!
Os resultados (com numeros) serão indicados no próximo post (5ª Feira) . No entanto, posso avançar que vale a pena continuar a testar esta hipótese. Existe a forte convicção pessoal que o facto de a escala ser mais apertada não muda em nada a apreciação do vinho, mantendo-se a coerência. Se proporcionar maior confiança, simplicidade e compreensão ao consumidor, vale a pena pensar nela como alternativa. Em 2012 testar-se-á esta hipótese junto de quem compra vinho.

P.S.: A prova foi realizada na Quinta das Carrafouchas e o almoço realizou-se no Solar dos Pintor, ambos agentes activos da comunidade citada no inicio do post.