12 de dezembro de 2011

Sobre os Espumantes Portugueses – Parte II

Depois do enorme sucesso que foi a discussão da primeira parte deste conjunto de post (em principio serão 3) sobre a produção e comercialização de espumantes Portugueses, cabe-me continuar, desta vez tendo por base uma ideia que já há muito me anda a dançar na cabeça. Falarei dela mais à frente.
Para (re)começar, perguntei se existem diferenças entre os espumantes Portugueses e os demais (franceses e Espanhóis, sobretudo) que possam ser utilizadas como elementos diferenciadores. Esta questão pretendia encontrar entre as respostas aquilo que no marketing se apelida de motivo de compra. As respostas foram maioritariamente para as castas, climas e localização geográfica. Já Hélder Cunha refere que os espumantes portugueses são tendencialmente pesados e frutados e vê isso como um aspecto negativo. Será? Eu percebo, é uma questão de comparação com Champagne. Contudo, numa resposta mais à frente Luís Pato refere a importância de satisfazer o mercado. Bom, se o mercado prefere este tipo de espumantes, está-se ou não no caminho certo? È tema que merece reflexão. Contudo, partilho da visão do Hélder neste ponto, tão-somente porque entendo um espumante como um vinho de tempo, coisa que um vinho frutado dificilmente será. Tenho neste assunto uma teoria antiga que, logo que tenha um pouco mais de tempo porei em teste. Consiste na certeza de que, se for para um ponto de venda, seja supermercado seja garrafeira  e fizer uma prova cega de espumantes PT contra champagnes, ganharão, sem espinhas os primeiros, precisamente por terem essa característica mais jovial, mais fácil de entender que é a fruta efusiva e o estágio curto. Essencialmente pela falta de maturidade de consumo que tem o Português (minha opinião, claro!).Rui Falcão, por sua vez é taxativo em afirmar que não encontra nenhum denominador comum que identifique os espumantes PT. Percebo. No sentido identidade nacional. Concordo.
O que falta aos espumantes portugueses para se imporem nos mercados internacionais? É aqui que Luís Pato aponta a necessidade de  adaptação ao gosto do consumidor. Portugal é um país pequeno, adaptar a produção ao gosto do consumidor, parece-me uma medida perigosa. Principalmente porque a maior parte dos produtores o costuma fazer de forma leviana. Sem estudos concretos ou algum trabalho menos empírico. Quando temos em conta o empresário português e estamos a falar de espumantes, a adaptação ao gosto pode ser algo desastroso.  Contudo, há adaptações que podem e devem ser feitas, vontades de consumo que devem ser levadas em conta. Mas quem me conhece sabe que ainda tenho a mania que devo fazer o vinho que melhor falar da vinha e das gentes que o fazem e o nosso ónus deve estar todo do lado de formar os consumidores para o consumo destas diferenças, dos motivos de compra de cada vinho em particular. Há forma de casar estas duas vontades? Isso é que era!  Os restantes inquiridos referem qualidade, originalidade, abordagem profissional mas essencialmente a necessidade de uma marca Portugal. Eu acrescentaria apenas a maturação de um espírito de comunidade.
A ideia que falei no inicio deste longo e pesado post é a de que o país teria a ganhar com a criação de uma designação comum a todos os espumantes de qualidade superior que se fizessem em Portugal um pouco à imagem do CAVA. É obvio que entendo que apenas a criação de um nome com um logótipo bonito e uma assinatura catita não serve de nada. Penso que esta designação deveria ser muito bem estuda e constituída (tenho algumas ideias, mas não são tema para este post) de forma a minimizar interferências de interesses individualizados.
Todos os inquiridos se mostraram favoráveis, com as ressalvas devidas, o que me dá alguma esperança de que um dia isso possa vir a acontecer.
Pergunto ainda se entendem que esta designação deve ser gerida por uma associação interprofissional e a resposta é unânime, sim. Luís Pato vai mais longe, afirma que deverá, à imagem de CAVA em Espanha ultrapassar toda a dimensão empresarial e contribuir para a identidade do país. É este tipo de abordagem que penso faltar a grande parte dos produtores Portugueses, a de que somos um país e que, juntos conseguimos tudo, sozinhos até podemos estragar o que temos.
Termino fazendo uso da resposta do Frederico:
Criação de uma designação comum… : “Sim, grande ideia. Nomes?”
Alguém quer ajudar a arranjar um nome fixe?

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