23 de janeiro de 2012

Entender de Vinho


Tenho evitado escrever sobre este livro de João Afonso por duas razões. A primeira é que nutro algumas emoções contraditórias sobre esta obra. A segunda não deve andar muito longe dos motivos que levam um crítico a não dizer mal de um vinho.

Criticar o crítico não é tarefa fácil e embora nunca se diga, há sempre alguns medos associados. Por um lado pode ficar no ar a suspeição de que enquanto agente do meio tenho algum ressentimento para com o autor. Por outro, o receio de que passe ele a ter comigo.
Uma vez que não existe a primeira e não me incomoda a segunda, prossigo.
Como já perceberam este é um livro que de alguma forma reprovo. Mas não é pela estrutura nem pelos temas abordados. Esses, terei de ser sincero, são muito bons e foram os motivos que me levaram à compra.
Um apanhado histórico sobre a bebida, seguida pela descrição dos vários tipos de vinho, vinha, castas, regiões, vindima, vinificação, …., até ao serviço e consumo. Tudo condensado em cerca de 230 páginas. Arrumado com um apurado sentido de síntese que leva a chegar ao fim sem sentir que este ou aquele tema tenha sido insuficientemente tratados.
Então? - Perguntarão – mas o que raio é que não gostas?
O primeiro adjectivo que me ocorre para classificar este livro é preconceituoso (e único, pois sou incapaz de sair daqui!). Por um lado, entendo que um livro dirigido aos primeiros passos de (ou para servir de sebenta aos putativos cursos que o autor dê), deve ser claro, conciso e “descomplicado”. Mas afirmar certezas que alguns de nós andamos há anos a tentar desmistificar é remar para trás.
Declarações como: “Não há relação directa entre o solo e o vinho”; “… feitos para beber preferencialmente enquanto jovens [sobre os Arintos de Bucelas]”; “Douro e Alentejo lideram a qualidade …”, lançam certezas nas mentes de quem lê, principalmente se forem iniciáticos que depois dá muito mais trabalho arrancar. É, quanto a mim, um mau serviço que se presta ao vinho português.
Há mais passagens no livro que me levam à loucura, mas como podem ser arrumadas no saco das opiniões, não as apresento aqui.
Ainda assim aconselharia a leitura a quem já tenha consciência suficiente para o criticar. Nunca, e sublinho, nunca como primeira referência.
Vá-se lá entender esta cabeça!
P.S.: Outras criticas encontradas em blogs. Enófilo Militante.

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