3 de fevereiro de 2012

Vedante sintético ou rolha de cortiça?

Há já algum tempo que me bato pela ideia de que, deve ser o enólogo, em consciência, a decidir pelo vedante mais indicado para o vinho.

Não vão já ai pela rua gritar que eu sou contra a rolha, que estou feito com outros vedantes, enfim, aqueles argumentos histéricos de quem não está minimamente disposto a ouvir o outro lado.
Quando temos um vinho e lhe colocamos uma “rolha”, estou convicto que, exceptuando deficit de equipamento, nenhum enólogo opta pelo vedante sem ter em atenção o tipo de evolução que lhe encomendaram ou que entende ser o mais correcto.
Conheço melhor a realidade dos vinhos brancos (VB) e por isso, o meu exemplo irá para estes vinhos, mas não pensem que o mesmo não se passa com os restantes estilos.
Imagine-se um VB fermentado em inox, desses das modas que, ou é feito com Sauvignon Blanc ou conduzido para o imitar. É um vinho que vale essencialmente pela frescura, pela novidade, pela intensidade aromática. Enquanto a fruta ainda é fruta e a evolução não fez das suas o vinho existe e agrada. A alguns chega a deslumbrar, vejam bem!
O pior é quando começa a evoluir, a mostrar a mineralidade, as frutas evoluídas, aparecem as compotas,… quando há, pois se não há, não fica mais nada que uma água acida. Logo, que sentido faz chapar-lhe uma rolha de cortiça (mesmo admitindo a melhor das melhores). Esses vinhos querem preservação, querem ser embalsamados se os queremos mamar daqui a dois anos ainda com alguma vida.
“Encanita-me o sistema”, ter gente a dizer que só posso usar rolhas de cortiça e depois essas mesmas pessoas a afirmar que o vinho já está um pouco passado. Raios partam as campanhas enganadoras que tentam influenciar a mente dos nossos consumidores de forma a exercer pressão para que só usemos rolhas de cortiça.
E quanto àquele argumento bem catita da cortiça ser um produto português, e que nós portugueses temos obrigação de o proteger. Do montado e da sua importância para o ecossistema (SEI!) Para esses eu lembro que o vinho que FAZEMOS também é um produto Português. No dia em que os corticeiros me garantirem que só bebem vinho português. no dia em que deixarem alguns deles de ter fabricas de cortiça e ao mesmo tempo de rolhas sintéticas. No dia em que me garantirem que mesmo com a extinção de outros vedantes a rolha não sofreria dos ímpetos gananciosos habituais nos monopólios. No dia em que os consumidores me exigirem cortiça pela evolução que querem nos vinhos. Então, nesse dia, eu vos garanto que paro. Penso um pouco mais antes de afirmar:


Lutarei sempre a favor da escolha pelos técnicos!

Entenderam?
Boa!

12 comentários:

J@n31r0 disse...

Saltou-me a tampa!!!! (ou melhor a rolha)Eu aqui a preparar um texto acerca deste tema. Danado. Mas não te preocupes que o vou usar na mesma e com um link para o teu.

Carlos Janeiro
http://comerbeberlazer.blogspot.com/

Hugo Mendes disse...

Grande Janeiro. quando publicares ponho aqui uma chamada de atenção! eh! eh! eh!
vai seu interessante ler a tua visão do tema.
espero.

airdiogo disse...

Curiosamente tinha a visão cega a favor da rolha de cortiça. Afinal é um produto nosso.

Agora deixaste-me a pensar no assunto. E começo a perder as minhas certezas.

Maldito sejas...

Hugo Mendes disse...

YYYEEEEEEEE!!!!!!!!!

A escolha para os técnicos!

Luta! Luta! Luta!!!!!!

EH! EH! EH!

Ricardo Ramos disse...

Sou claramente pró-rolha de cortiça. Mas não sou contra a utilização de outros vedantes, quando faz sentido. Acho que a Cortiça é o vedante natural e que mais sentido faz, mas concordo em absoluto com a utilização de Screwcaps em vinhos de consumo imediato e para facilidade de serviço em bares e afins. Com o que não posso é com rolhas sintéticas, isso é que não consigo entender... nem pelo custo, desculpem mas não entendo.

Hugo Mendes disse...

Ricardo,
Eu sou pela evolução que a rolha permite aos vinhos, o que, do ponto de vista económico vai dar ao mesmo, mas, não é bem a mesma coisa.

Corker disse...

Voçê tem muita razão. Mas felizmente há fábricas de cortiça que já se adaptaram a esta realidade, preconizando diferentes tipos de rolhas para vinhos com diferentes potenciais redutores, que é isso que está em causa. Na realidade, um vinho delicado não tem um potencial redutor que consiga aguentar uma rolha de cortiça natural de classe média durante muito tempo. Para esses tipos de vinho, existem rolhas de cortiça com OTR (oxygen transmition rate) bastante baixo, para permitir que a cortiça não interfira na evolução do vinho. No site www.aci-technik.com pode obter mais informação.

Hugo Mendes disse...

Meu caro,
Obrigado pela resposta. Vou estudar essa questão.
eventualmente fazer ensaios.
Obrigado pela dica.

Hugo Mendes disse...

Um outro ângulo:

http://comerbeberlazer.blogspot.com/2012/02/rolha-de-cortica-rolha-sintetica-ou.html

Anónimo disse...

Suponho que também via á manifestação CGTP ?

Hugo Mendes disse...

Não tive conhecimento em tempo útil!!!

Hugo Mendes disse...

Não tive conhecimento em tempo útil!!!