26 de Março de 2012

Líder de opinião. O melhor da minha rua!


Em conversa telefónica com um amigo, fez-se luz na minha pobre mente sobre um assunto que deveria ser considerado importante para os produtores de vinho. Muito se fala da legitimidade para provar e avaliar vinhos. Mais ainda da competência para o fazer. Irónico é o facto de não conhecer ninguém (ninguém é muita gente eu sei, mas as excepções não desfazem a regra!) que tenha formação sólida nestas coisas do vinho provado, quer na crítica quer no bloguismo. Para quando um master of wine? Sinto que para a maioria, a formação é dada pelas garrafas de vinho que se provam, pelos jantarecos que se cravam entre amigos e produtores. Somam-se umas visitas à quinta, uma historieta de corte enbuida num qualquer desabafo "e puff" criou-se um especialista em vinho.Paro por aqui porque sinceramente já me estou a irritar.
Mas afinal, o que raio precisa a empresa que me paga o salário? De uns tipos que me dão 16 ou 17 valores ou de consumidores a comprar vinho? 
Sem querer personalizar, conto um pequeno episódio, só para ilustra a ideia:
Recebi a visita de duas pessoas (entre muitas) que provaram os vinhos da quinta que me dá guarida enológica e foram para as redes sociais na semana seguinte dizer que não tinham gostado dos espumantes porque eram muito secos, ácidos, porque tinham a bolha fina e porque eram leves. Tinham pouco corpo.
A leitura de um metido a crítico seria que estes tipos não entendem nada de prova, que acabaram por argumentar, utilizando os motivos para que o vinho em causa seja grande. Seriam facilmente rotulados como eno atrasados mentais.
Uma observação mais atenta leva-me a concluir que muita da avaliação critica e metida a critica, raramente diz mal do que quer que seja e depois usa argumentação vaga e pouco propensa a interpretações diferentes por outra pessoa. Ou acreditamos que o vinho é de facto muito bom, ou então sujeitamo-nos à acção de barretismo involuntário.
Bom, onde quero eu chegar com tudo isto. Simplesmente aqui.
Alguém que expressa livremente a sua opinião e explica, de forma clara os seus argumentos, pode muito bem ser, ou vir a ser um líder de opinião. Dos bons, diria eu! Cpitão entre as opiniões da sua nuvem de influência, o melhor da sua rua.... porque não? O seu papel será fundamental no futuro próximo, quando as redes sociais mandarem literalmente na forma como fazemos o grosso das nossas escolhas de consumo. São uma gente diferente dos críticos, por isso, serve este post, simplesmente para alertar a produção de que eles andam aí e carecem de ser entendidos pelo que são. Por favor, não os confundam com críticos ou estudantes de crítico. Por favor, aprendam a navegar à bolina com esta rapaziada.
Eles são de entre todos, os que mais facilmente despoletam quorum sensing
Para mais têm a característica absurda de comprar o vinho que provam e ainda recomendam, textualmente, que outros o façam quando gostam.
OK?
Vamos falando!
Abraço
HM

4 comentários:

Elias Macovela disse...

Caro Hugo,
Após a leitura do teu post, do qual cito parte do primeiro parágrafo “Muito se fala da legitimidade para provar e avaliar vinhos. Mais ainda da competência para o fazer. Irónico é o facto de não conhecer ninguém (ninguém é muita gente eu sei, mas as excepções não desfazem a regra!) que tenha formação sólida nestas coisas do vinho provado, quer na crítica quer no bloguismo. Para quando um master of wine? Sinto que para a maioria, a formação é dada pelas garrafas de vinho que se provam, pelos jantarecos que se cravam entre amigos e produtores. Somam-se umas visitas à quinta, uma historieta de corte enbuida num qualquer desabafo "e puff" criou-se um especialista em vinho.”
Faço o seguinte comentário:
• Como blogueiro que sou, que vai às provas de vinho, aos jantares vínicos e quando o tempo permite visita quintas, não sinto a necessidade de ser especialista do vinho para emitir uma opinião sobre os vinhos provados. Não sou e nem quero ser profissional do vinho.
• Para o consumidor a melhor forma de conhecer e aprender é provando vinhos de diferentes produtores, regiões e países.
• Para o produtor a melhor forma de dar a conhecer o seu produto é dando a provar aos potenciais clientes com um enquadramento técnico e comercial bem estruturados, para que o consumidor, caso goste do vinho o possa adquirir facilmente.
• Por último, penso que a apreciação final é sempre muito subjectiva, não quero com isto dizer que a prova técnica não tem valor. Penso também que todos os produtores, comerciais e afins deveriam aderir às novas tecnologias de comunicação e markting para que possam comunicar da melhor maneira possível os seus produtos.
Um abraço,
Elias Macovela
Ovinhoeefemero.blogspot.com

airdiogo disse...

Concordo plenamente que mais que um crítico o que se pede é opinion makers.

E a liberdade de se comprar as próprias garrafas é uma coisa fantástica.

Aliás, continuo a achar que tenho liberdade para dar a minha opinião mesmo sobre os vinhos que me são oferecidos. Com todas as palavras.

Posso não saber (e tenho pena de não ter mais conhecimentos técnicos) muito mas tenho a minha opinião. E mantenho-me fiel a ela. E mantenho-me honesto comigo.

E ao fim do dia sinto-me bem. E gosto do que faço.

Bodhisattva disse...

Nem de propósito já se anda à procura do primeiro master of Wine Português!

A Symington patrocina!

Que oportunidade fantástica..

Bodhisattva disse...

E já agora...A foto do artigo.. quem me envia? Conheço esse tipo ;)