1 de agosto de 2012

Com paus e punhos lhes partimos as fuças...

A Wine Spectator avaliou os vinhos Portugueses
… e fê-lo de forma vergonhosa

Não sou muito atento a estas coisas. Não sou do tipo de me importar com o que dizem os críticos sobre este ou aquele vinho. Passo  normalmente ao largo.
Contudo, desta vez é, parece-me,  demasiado despropositado, parvo e prejudicial para poder aceitar! 

Muita desta bandalheira advém de nunca sairmos do registo polido e "porreiro" com que lambemos constantemente o cu de quem nos pode, em potência, dar umas coroas em troca de duas cabriolas. Vamos encaixando os desaires como se  fossem necessários e inevitáveis quando, na sua maioria são fruto da mais profunda incompetência casada com o compadrio provinciano que ainda destrói o país. De quem se fala? Em primeiro lugar, da diplomacia e das agências responsáveis pela promoção de Portugal e dos vinhos Portugueses. Em seguida nós, claro, cidadãos e produtores que nos habituámos a não pedir responsabilidades sobre a forma como o nosso dinheiro desaparece sem resultados.

Porque não reagimos? Porque não fazemos um boicote à revista?  Grande alarido do caso. Nem mais um vinho para ser avaliado ali! Não é assim que os americanos têm conquistado o mundo?
Cá para mim, prefiro que nos conheçam por termos tido uma reacção hostil do que, simplesmente, porque fomos mal cotados na sua magnânimo avaliação. Detesto o nacional hábito de meter o rabo entre as pernas e abalar
 fugindo  para lamber as feridas no silêncio escuro de um qualquer vão de escada. 
Tudo se resolve com um simples "não ligues!". Pois eu ligo e revolve-me as entranhas  ver os nossos vinhos tão mal cotados, tão vilmente enxovalhados. Tão levianamente desconsiderados!
Afinal, onde é que anda o nobre povo da nação valente?

5 comentários:

Eduardo disse...

Boas Hugo,
Gostava de perceber melhor o que te incomoda tanto nesta avaliação. Gostava também de saber se já leste a Reportagem ou se só viste as notas no site. Gostava de perceber se tiveste algum tempo a perceber as notas, ie, notas vs preço do vinho. Basicamente acho que e preciso escrever mais...não basta atirar isto para o ar e ponto.
Nota: prefiro picar aqui pois não vou muito a bola em teorias de conspiração e picardias com críticos e revistas da especialidade...
Ab.

Hugo Mendes disse...

Olá Eduardo,
Primeiro, agradeço o comentário.
O meu post é a minha opinião, face á lista de notas (não consigo encontrar o artigo online), e deve ser lido como uma opinião, logo, passível de desacordo e discussão. Não como uma declaração de verdade irrefutável!
O que me incomoda.
Mais do que a comparação deste e daquele vinho ter uma pontuação maior que aquele outro, aborrece-me o baixo valor médio dos vinhos.
Normalmente isso acontece por uma de duas razões, ou os vinhos não prestam, ou o provador não tem o gosto aferido para este tipo de vinhos (nada a ver com a idoneidade do tipo). Ainda que aceite que haja uma percentagem de vinhos que assentam na primeira, inclino-me para que o grosso se situe na segunda.
Não há teoria da conspiração. Também gosto pouco dela (os Americanos, por acaso é que a adoram). São questões concretas. Se os provadores de uma qualquer revista no mundo não conhecem sabem apreciar os nossos vinhos então é culpa nossa que não os sabemos educar. Contudo gastamos algum dinheiro, supostamente, para isso. Concluo por isso que anda a ser mal gasto (e quando digo anda, ponho aqui um parênteses de dois 3 anos que é o tempo que julgo preciso para o bom trabalho frutificar!).
O grosso do mercado US gosta dos vinhos avaliados com 90+ (seja pela WS seja pelo Parker) abaixo disso, só na franja dos 10$, onde a maior parte deles não está.
Por outro lado, tenho tido algumas oportunidades de provar vinhos de outras partes do mundo, alguns deles bem cotados no mercado US (89-90+) e não acho os nossos bons vinhos em nada inferiores. Logo, não posso concordar com a avaliação agora expressa.
Mesmo os produtores que trabalham no espírito novo mundo, um estilo mais ao jeito do palato US, têm nesta lista uma muito baixa cotação face à sua real qualidade.

Eduardo disse...

Hugo,
Referes que a culpa não e da revista e dos críticos que não tem o palato afinado aos nossos vinhos mas no entanto a tua proposta passa por fazer um boicote a revista. Pois a minha opinião e que devemos fazer precisamente o contrario...inundar a revista de vinhos portugueses para que eles aprendam a apreciar os nossos vinhos. Obviamente isso não basta. Algo obrigatório e traze-los cá. Muitas vezes. Não tenho esse conhecimento mas aposto que esses profissionais vão, diria todos os anos, a varias regiões vínicas, seja no Chile, na Argentina, na Austrália, ou na franca, Alemanha ou Itália. Então e Portugal?
Outra questao e que Falas em vinhos maus. Também e preciso cuidado aqui. Vinhos de 85 e acima são vinhos maus? Eventualmente alguns tem má relação qualidade preço....mas são alguns e não quer dizer que sejam maus vinhos....podem e não valer aquilo que pedem por eles....nos States. Isto dava pano para mangas...a questão do preço dos vinhos portugueses provados....mais de 40% acima dos 20 dlr.
Todos nos gostaríamos que as avaliações tivessem sido melhores mas temos que ter os pés assentes na terra. Não vai ser de um dia para o outro que isso vai acontecer....são necessários anos de trabalho intensivo..e nos começamos a pouco..se bem te lembras! E não e a cuspir no prato onde comemos que nos vamos safar....temos um alentejano perito nisso e que não vai a lado nenhum precisamente por isso mesmo.
Ab.

Hugo Mendes disse...

Eduardo,
O teu ponto de vista é, em vários pontos muito interessante e, quase me faziam mudar de ideias, não fosse a tua proposta, também ela extremada. Logo, a probabilidade de se obter resultados com ela seria muito semelhante à minha.
No entanto repara. Há que salvaguardar aqui dois aspectos que estou a ver desrespeitados em boa parte dos comentários que grassam por essa net fora. Primeiro, e mais importante para mim, o mérito dos vinhos que tiveram a sorte de ser bem cotados. Segundo, a idoneidade de quem provou os vinhos e da forma como lhes conferiu uma nota. Não tenho como nem quero avaliar esse ponto. Portanto, são duas questões que não contesto. Certo?
Agora, a minha “proposta” fala a língua deles. Inundar de vinho seria uma boa opção, mas não me parece que marques um ponto digno quando fazes isso. È uma insistência para quem já demosnrou que não está para aí virado.
Do ponto de vista do MK é prejudicial um vinho bom ter 85 pontos (que é de facto muito baixo na escala americana, à roda dos 14 valores, acho eu). A probabilidade de um vinho desses vender com essa nota desce consideravelmente. Logo, penso que atacar pelo lado do… não ponho lá, pode ter as suas virtudes.
Os restantes métodos, penso que são, mais ou menos feitos, mas aí também os produtores se podiam associar e fazerem eles próprios parte desse trabalho. Depois, quando os homens percebessem bem de vinho português… acabava-se com um embargo.
Penso que a dignidade é algo que deve ser preservada, mesmo que tenha custos no imediato. O nosso país tem abdicado dela progressivamente e, não tenho observado como isso nos tem beneficiado!
Não sei de quem falas e não sei onde nem como, com provas destas a WS pode ser o prato onde comemos.
Mas claro, é uma opinião. Vale o que vale. Não vale nada! ; )

Eduardo disse...

Este e outros assuntos dão para grandes e longas conversas. Temos que combinar uma almoçarada na tasca do Joel. Mas já que começamos aqui, continuemos então.
Pensando mais um pouco, acho realmente que não devemos atirar a culpa para este critico em particular. A meu ver a culpa esta no sistema. E obviamente não falo no tal sistema que e muto falado no futebol. Falo no sistema de avaliações.
1 - Imagina se no próximo ano a minha filha mais nova que vai para o primeiro ano fosse avaliada segundo os mesmos critérios e exames da minha filha mais velha que vai para o quarto ano. Obviamente que nunca conseguiria ter boas notas, já seria uma sorte conseguir ter suficiente. Agora pergunto: era justo?
Então e justo que um vinho de 4 euros que foi feito para cumprir certos requisitos seja avaliado pelos mesmos pressupostos que um vinho de 20, 100 ou 300 euros? Claro esta que o vinho de 4 euros dificilmente conseguira uma nota muto boa, embora o possa merecer se for avaliado segundo aquilo a que se propõe.
2 - imagina se numa das tuas cadeiras da faculdade fosses um aluno suficiente, que cumprisses nem mais nem menos aquilo que era suposto e no fim a tua nota fosse um 16 ou 16,5. Ficavas admirado. Basicamente acabavam os 10 e 11. Já para não dizer dos alunos que nem sequer cumpriam os requisitos mínimos e que acabavam com 13. Acho que sim....implementem essa escala nas faculdades e acabem com os chumbos. Sigam o exemplo da avaliação dos vinhos em que um vinho com um pequeno defeito e um vinho mediano com uma avaliação de apenas 13 ou 14!?
3 - por fim a mais complicada e mais difícil de resolver. A questão do gosto pessoal. Digam o que disserem, o gosto pessoal tem um peso muito grande na avaliação. Alguns dizem que não, que são imparciais. Balelas. Voltando ao exemplo escolar, e baseando-me apenas no exemplo negativo da coisa pois e o unico que interessa, o que pode prejudicar o aluno, imagina que um professor não vai a bola com um determinado aluno. Esse professor não pode prejudicar muito o aluno. Não lhe pode fazer um teste diferente. Não lhe pode corrigir mal o teste. No fim, não tem muitas hipóteses de o prejudicar. E se o prejudicar o aluno tem sempre algumas hipóteses de se tentar defender. No caso vínico o produtor esta completamente de mãos atadas. O critico tem o seu gosto pessoal, não gosta, por exemplo de alicante bouschet, essa casta mal amada lá para os lados de Napoleão, da má nota, ou melhor da apenas um bom, e o produtor o que pode fazer? Ponta de corno!

Entao pergunto: Existe uma entidade reguladora? Existe alguém que faca com que os pequenos sejam protegidos ?...sim, porque os grandes não precisam. Existe forma de acabar com as teorias de conspiração? Existe alguém que dite as leis com que os críticos se devem regir?

Julgo que os produtores se deviam preocupar também com esta questão. Neste ponto julgo que a Europa até pode fazer algo. Pelo menos por cá e para começar acha que devíamos começar a por ordem na coisa. Deviam haver regras, bem definidas e toda e qualquer critica devia cumprir essas regras.

Obviamente escrever e fácil...difícil e implementar. Pessoalmente não acho justo a avaliação de vinhos, como não seria por exemplo a avaliação de música. Mas se existe e não vai acabar, então tem que ser regulamentada.