8 de agosto de 2012

Independent Winegrowers’ Association (IWA)


In: Ritz Four Seasons – 4 de Julho de 2012 

Mais vezes do que a serenidade exige, sou confrontado com convites que a sofreguidão anseia mas o bom senso insiste em rejeitar. Ahhh! A tentação do blogueta (nota mental. Pensar e desenvolver este conceito.) 
Desta vez tratou-se da apresentação anual dos IWA no Ritz. Mais uma vez me preparava para declinar quando percebi que quem convidava conhecia muito bem as minhas andanças online, o que me move e qual o lado da barricada me condiciona. A produção.
Aceitei sem luta à pura menção de uma masterclass de vinhos velhos.
Não me vou espraiar em pormenores. Isso já foi muito bem feito por estas 3 alminhas (João Barbosa, Pingus Vinicus e Wine Pulse). Até porque quero perder algum tempo a pensar no conceito que os une.
"Independent Winegrowers" corresponde ao nosso (pt) Vitivinicultor/Engarrafador. Basicamente é alguém que vinifica as suas próprias uvas e domina todo o processo, desde a uva à garrafa. Contudo, o conceito não se fica por aqui, é um pouco mais que isso. Vai buscar muito da inspiração e romantismo do termo “Vigneron” ao fazer a ponte afectiva entre o produtor e o produto. São pessoas para quem a componente negócio não é tudo, ou, dito de outra forma, não justifica tudo. Projectos de longo prazo, talhados para gerações e que respeitam o espaço natural onde se inserem. Utopias que os Portugueses, por conveniência, se habituaram a repelir. Parecendo que não, é duro, exigente... trabalhoso.
Ora, o IWA, não é menos do que isso, um grupo de produtores (Casa de CelloLuís Pato, Quinta do Ameal, Alves de Sousa e Quinta dos Roques) que comungam desse conceito de produção. Uniram-se para simplificar, juntos, as vidas de cada um. E, ao que tudo indica, parece que a coisa (estranhamente!) tem resultado. 



Foto retirado da página de Facebook da associação.




Achei muito inteligente a forma como nos propuseram a prova dos vinhos. Primeiro, as colheitas mais recentes, as curiosidades e o que o se encontra no mercado. Tudo ao ritmo do provador com as devidas explicações do produtor. Depois, fomos brindados com a tal masterclass onde cada casa apresentou dois vinhos antigos, sendo que, muitos deles era primeiras colheitas, ou…muito próximas. Com isso ficamos com uma boa ideia de como poderão evoluir os vinhos que provámos primeiro. Foi uma experiência fantástica nesse aspecto. Finalmente, o jantar, a combinação com comida. A dita harmonização, tão cara aos consumidores Portugueses, mesmo àqueles que não sabem que se chama assim.


Foto de André Ribeirinho. Usada a partir do seu perfil de Facebook.
Em suma, foi um evento onde pouco ou nada tenho a apontar de errado. Penso que cumpriu bem os objectivos. Para mim, foi mais uma sessão de formação. Sai de lá de barriga cheia e dormi tranquilo, com um sorrisos nos lábios. Afinal, não é todos os dias que dois dos nossos mantras são postos à prova  e passam com distinção. 1º- Os vinhos brancos, quando feitos para isso, envelhecem "brutalmente" bem (e sem TCA). 2º- A agregação de produtores traz-lhes vantagem evidentes. 
Simples não é? Então, porque é que….?



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