Fui ao restaurante e recusei-me a beber vinho!


Fim-de-semana prolongado. Oportunidade para fugir aos cenários do dia-a-dia. Rumar a locais mais ou menos distantes é sempre uma boa opção. Faz bem à cabeça.
Desta vez fugi para terras de vizires, esse Alentejo litoral que há muito não me merecia uma visita. De todas as peripécias, destaco o facto de ter procurado um hospital para o meu filho levar uns pontos no queixo e ter de fazer 50 km de caminhos pouco recomendáveis até encontrar um hospital com um pediatra. Dá para alguém se esvair em sangue entretanto. O mais grave é que fui para uma zona onde o turismo até está desenvolvido. Dizem “eles”! 
Muitas vezes convenço-me que “esta” gente entende como turismo desenvolvido a existência de camas para alugar e um comboio a fazer visitas guiadas às atracções (?) locais.

Bom, os restaurantes.
Uma vez que a minha carteira não permite grandes variações, recorri aos restaurantes de gama média. Estabelecimentos que tenham boa relação entre o preço  e a qualidade do que é apresentado, boa assépsia e uma freguesia digna de partilhar o espaço com o meu filho são questões essências na escolha.
Enquanto consumidor, tenho por hábito separar as avaliações da comida e do vinho. Posso gostar muito de uma e nada do outro. 
Pessoalmente, quando me pedem entre 9 e 12 euros só pelo prato já tenho algumas exigências extras com a confecção (habituei-me a jantaradas em Almeirim, o que querem?). Não posso dizer que venho satisfeito, afinal, polvo à lagareiro que me sabe a polvo cozido, regado por uma lagarada em que a cebola, de grossa, não fritou e o azeite não entrou no polvo, deixa-me a pensar que até eu faço melhor!
Mas é do vinhos que trago as maiores decepções. Primeiro, as escolhas são deploráveis. As cartas de vinhos são coisas ridículas feitas de vinhos de entrada de gama, os mais corriqueiros, os mais baratos do mercado. mais nada. Mesmo. Segundo, esses mesmos vinhos são-me vendidos a preços (nos brancos, pois só comi cefalópodes) variantes entre os 10 e 15€. O mais barato que vi foi um Alandra vendido a 6€. Desculpem lá, mas recuso-me a pagar 10€ por um vinho comprado no máximo dos máximos por 2€. Pagaria 8€ por um serviço que consiste em copos chinfrim, frapés ridículos, garrafeira inexistente e empregados que me olham de lado quando lhes peço uma opinião sobre o vinho a combinar com o prato que escolhi? Não!
É uma pena que me veja “obrigado” a beber água ou cerveja quando o problema não é o de estar disposto a pagar 10 ou 15€ por uma garrafa de vinho, mas sim o facto de não gastar esse dinheiro em BSE, Planalto, Terras de El Rei, Alandra, Real Lavrador e afins. 
São vinhos que respeito, que têm um lugar no mundo. Contudo, entendo que esse lugar não será constituírem uma carta inteira e com preços tão majorados.
È gente que não tem respeito pelo vinho, que não o sabe servir e muito menos… o sabe vender! 
E são tantos, valha-nos Deus!

Comentários

Diogo Rodrigues disse…
Tive esse mesmo problema em Estremoz no Hotel onde fiquei e que tinha meia pensão.

Copos que eram desadequados, vinhos a preços exagerados (10€ por um Loios tinto por exemplo) e comida no mínimo pouco interessante e a fingir ser gourmet. Talvez seja ainda pois eram uma unidade de 5 estrelas.

Infelizmente este é um cenário cada vez mais comum. Depois queixam-se restaurantes e produtores que não se vende vinho. Pudera. Assim mais vale beber água.
Ricardo R disse…
Hugo, bem vindo a Portugal...
Hugo Mendes disse…
Meus caros,
entendo que deveríamos fazer alguma coisa... só não sei bem o quê!
Diogo Rodrigues disse…
Como consumidor apenas podes recusar aceitar a situação e não consumir.

Como blogger podes denunciar a situação e pressionar os produtores e a restauração para acabar com esta vergonha (se bem que a restauração que está presente na net e liga a isso já tem qualidade aceitável e não faz este tipo de coisas).

Os produtores deviam pressionar mais os seus distribuidores e clientes e ter mais cuidado com as suas marcas. Afinal também saem um pouco prejudicados, financeiramente e em termos de imagem, com estas situações.
Carlos Janeiro disse…
Hugo,

É de facto deplorável a atenção dada aos vinhos na restauração Portuguesa. O elevado preço do vinho aliado à pobre ou inexistente preparação de quem os serve leva a que raramente peça vinho num restaurante.
Mas não é só no Portugal do Interior ou fora das grandes cidades. No doca peixe, com copos da treta e pessoas a servir que apenas acenam com a cabeça quando perguntamos qualquer coisa, um Luis Pato Vinhas Velhas Branco 2010 custa 27€....
Prezados,
É interessante ver vossa indignação. Isso porque aqui no Brasil, pode-se pagar cerca de 10 Euros em um Alandra no comércio. Em um restaurante, paga-se mais de 15 Euros em Alandras, Periquitas, Porcas de Murça e tantos outros básicos. É uma vergonha!E se quisermos subir um degrau e beber um Meandro em um restaurante, devemos nos preparar para pagar 50 Euros! Absurdo, não?
Abraços,
Flavio
Hugo Mendes disse…
Caro Flávio,
Obrigado pelo seu comentário.
Penso, no entanto que, ao contrário do Brasil, estes preços devem-se, maioritariamente à especulação por parte dos restauradores. no vosso caso, quem come mais é mesmo o estado Brasileiro, nos pesados impostos sobre impostos que aplicam, nomeadamente ao vinho.
Anónimo disse…
É a vida dos pobres...
acontece ...não sei qual a razão...acho que ignorância.

Pode-se sempre dar um salto a Espnha onde as coisas são diferentes e os preços bons...pena

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