30 de novembro de 2012

A prova ... pelos enólogos! - Post I


A história que trago hoje aqui conta-se depressa. É mentira. Sabem bem que quando me ponho a falar, a pressa é relativa! 

Estávamos no meu segundo dia de provas do IWC 2012. Depois de uma estreia extenuante em que, só na minha mesa se provaram mais de 100 vinhos (todos com nota de prova redigida), este segundo dia, funcionou como o consolo do principiante. Provámos uns simpáticos 30 vinhos e pudemos conversar muito mais sobre cada um. Não foi melhor (nem pior) para os vinhos. Sem duvida, muito mais interessante pana mim. 
Na mesa  era o único enólogo e recordo-me, com agrado, da minha opinião ser ouvida com uma atenção redobrada. Nas primeiras amostras tremi um pouco. Quem me achava eu para opinar junto de quem prova mais num mês do que eu num ano completo. Para argumentar tecnicidades com quem conhece as regiões  por ter calcorreados os seus caminhos e falado com as suas gentes? Mas, lá descontrai e percebi que o meu ponto de vista também tinha algo de interessante. 
Ás páginas tantas, no final de uma série de tintos particularmente maus de ... - não vou dizer! - um vinho destaca-se dos outros. Estava velho, estava gasto, estava evoluído, mas estava equilibrado e estava delicioso (sem estar doce). Resinas como nunca senti, cores muito esbatidas, uma acidez segura mas não muito intensa. Um vinho difícil para quem gosta dos vinhos técnicos (limpos, directos, intensos, carregados de tudo, novos, mesmo depois de 10 anos em garrafa, sem notas estranhas de evolução). 
No fim de cada ronda, cada um ditava a sua nota e eu, pela disposição do grupo, era o ultimo. Neste vinho não foi excepção. Medalha de prata pelo primeiro júri  prata pelo segundo, prata pelo o terceiro,.... Chegou a minha vez! Os olhos caíram todos em mim. Tive a sensação de que o tempo e a respiração ficaram suspensos. Fiz um compasso de espera. Gozei o momento. Perguntei:
"Não acham que este vinho poderia valer ouro?"
Senti que os meus colegas voltaram a respirar, a alegria estampou-se nos seus rostos. UFFFF! o receio de que fosse tentar expulsar o vinho da série por não ser perfeito. Disseram-me depois que os enólogos têm por hábito penalizar este tipo de vinhos, por não serem precisamente, perfeitos. 
Sorri e disse-lhes a verdade, valorizo a imperfeição nos vinhos na mesma medida em que o faço nas pessoas. Quando essa imperfeição é apenas fruto da idade ou das características da própria vinha, desde que em equilíbrio e bem balanceado, dá-lhe algo que os vinhos perfeitos, assim como as pessoas perfeitas não têm. Charme, encanto, unicidade. 
Nestas circunstâncias, resumo a apreciação  quase em exclusivo ao equilíbrio.
Ficámos todos felizes, apesar do vinho ter levado apenas uma prata!

2 comentários:

Anónimo disse...

Excelente reflexión Hugo que comparto al 100%. A veces, se pierde la perspectiva a la hora de valorar ciertos vinos si nos basamos solo en rígidos parámetros de fácil identificación que no expresan en su mayoría los atributos del vino en cuestión.

Un saludo.
Javier López Lorenzo.
Sommelier.
@fondillon

Hugo Mendes disse...

Nem mais Javier. Inteiramente de acordo!

Obrigado pelo comentário.