10 de Dezembro de 2012

Bordéus 2012- Post I

Foto usada a partir daqui.

A cidade
Já o afirmei algumas vezes, mas não consigo evitar de o dizer novamente. Se pudesse, vivia de ler e viajar. Também gosto muito de escrever, mas reconheço a falta talento para fazer disso a fonte de rendimento para a vida perfeita. Sim, também adoro fazer vinho, mas isso é uma realidade!
Enquanto viajante, encontro-me na fase em que deixei para trás as corridas desesperadas pela vontade de ver tudo, palmilhar tudo e acabar por não desfrutar de nada. Agora, vejo o que consigo, mas desfruto do que puder. Não sou de andar a cavalgar montanhas russas para carimbar  localizações no "passaporte". Se se proporciona, vou, caso contrário, paciência.
As sensações, as aprendizagens e as percepções que se adquirem numa viagem são difíceis,  para não dizer impossíveis, de descrever. Mesmo o escritor experiente só é verdadeiramente compreendido pelo seu leitor quando este finalmente calcorreia parte desses mesmos caminhos.

Bordéus é  diferente das demais cidades Europeias que visitei até agora. Logo à chegada, somos brindados com vinha plantada em todos os canteiros exteriores do aeroporto. É uma cidade em cuja arquitectura mais marcante parece ter parado no tempo. Não sei precisar qual, não entendo nada de arquitectura,  mas associo ao imaginário que tenho do séc. XVII em que os edifícios passam a ser belos, para alem de imponentes. 
Nos dias cinzentos com esporádicos rasgos de sol, que nos dão a sensação de luz polarizada,  a cor amarelada da pedra contrastante com o negro azulado dos telhados são o cenário perfeito para os passeios de reconhecimento que faço sempre que posso. Sabem, eu adoro o outono assim como os dias cinzentos e frios. Trazem-me uma calma reflexiva que muito agradeço depois do buliçoso verão. 
Talvez em exagero, deixo para vossa avaliação, fiquei com a sensação que  lá,  toda a gente sabe de vinho. Quem trabalha o néctar é merecedor de respeito e atenções redobradas. A comida é boa, a oferta de restaurantes com preços aceitáveis é imensa e, até na mais simples pizzaria servem fois gras de entrada (sou um pobre amante desta iguaria). O serviço de vinhos não é mau. Copos decentes, variedade  qb na escolha e em todos onde comi, vinho a copo. Dizer que os vinhos servidos eram bons, seria um exagero, mas quem conhece os vinhos franceses sabe que  por lá não têm tanta oferta de gamas médias. Ou é muito bom ou perigosamente mau. Contudo, nota-se uma preocupação por tornar os vinhos um pouco mais bebíveis. Ou seja, num restaurante de gama média, conseguimos beber um vinho mau disfarçado de médio. É bom!
Gostei muito desta cidade. No meu coração, rivaliza apenas, por razões diferentes, com uma outra. Amesterdão.
Viveria em qualquer das duas! Talvez em alternância! ; )

Nos próximos posts falarei das visitas aos produtores (post II) e da minha percepção sobre a Vinitech (post III), que foi, na génese o que me levou lá!
Passem bem!

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