25 de fevereiro de 2013

Marcas Brancas

Fonte da imagem

A minha mulher mandou-me às compras. Deu-me uma lista e disse-me: "Mantém-te afastado da zona dos vinhos". Primeiro sorri. É sempre bom quando a nossa cara metade nos reconhece as paixões. Depois enruguei a testa. Afinal, a senhora trabalha com adições.... será que ela pensa que eu...
Náaa!

Claro, chegado ao supermercado (SP) dirigi-me de imediato para a secção dos vinhos. Ainda para mais, agora que andam para aí umas feiritas. Estou sempre deserto para perceber o que nos querem impingir desta vez.
Chego aos escaparates (lineares, no palavreado "técnico") e reparo, não porque estivessem em especial evidência, nos vinhos de marca branca. Porra. São cada vez mais!
Não me passou despercebido que, de há um tempo para cá, os comunicadores das grandes cadeias de distribuição (na gíria designados por distribuição moderna) passaram a apelida-las de "marca própria", o que demonstra uma aposta no seu fortalecimento comercial.
Tudo isto me dói. mesmo! O fortalecimento destas marcas só traz consequências negativas ao sector. Assim, de chofre, lembro-me de 2:

1ª. O fortalecimento de uma marca própria, numa cadeia de distribuição, como são os SP, origina em igual medida, um enfraquecimento nas marcas dos produtores. Fácil de entender, uma vez que o numero de consumidores, em princípio, não se altera. Estes apenas mudam o sentido de escolha.
2ª. O preço médio de consumo baixa drasticamente, o que leva a uma falsa impressão de que o vinho é um produto, obrigatoriamente, barato. O problema é que estes valores são conseguidos à custa da produção que, na maior parte destas marcas não está identificada, o que permite que o SP possa negociar com quem quiser. Com as condições que bem entender. A marca manter-se-à, independentemente do fornecedor.

Não quero. Não posso criticar os produtores nem os motivos  que os levam a fazer este tipo de aposta. Contudo, quando penso no médio/longo prazo, não consigo idealizar um cenário em que o sucesso das marcas individuais esteja associado.
È mais uma medida de morte lenta. De controlo do mercado interno por parte das grandes cadeias de distribuição. 

Pensava em tudo isto quando tocou o telefone. Era a minha mulher. "Então? Estás a demorar tanto. Aconteceu alguma coisa?".
Uiiiiii! E eu que ainda não tinha um único artigo da lista no cesto....
È uma merda quando esperamos pelo futuro para perceber os avisos do passado!

Sem comentários: