30 de julho de 2013

Guia de trabalho para as castas Portuguesas



Já o admiti variadíssimas vezes, não tenho pejo em fazê-lo novamente. Se não há como a definição do "eu" ser um lote, composto por partes ponderadas de teoria e prática, então, terei de me classificar como teórico. Sou um teórico. E como tal, necessite de muito apoio bibliográfico.

Cada área do saber, tem as suas particularidades e as "ciências vitivinícolas"  não fogem a esta regra. Aqui, mais do que noutras, importa substancialmente o saber-fazer. Curiosamente, a bibliografia generalizada, especialmente a escrita em Português, por Portugueses, é muito mais fundamentada no saber-saber. Nada contra, mas é importante que nos comecemos a aperceber de que necessitamos complementar essa informação com outras de cariz mais prático, mais "fórmulas de execução", se assim quiserem!
Tenho identificadas algumas dessas lacunas e, no momento, tenho ideias para redigir dois dos livros que entendo estarem em falta no panorama nacional. Por enquanto não direi nada sobre eles, pois, apesar da falta de tempo, a sua realização está, de certa forma na calha (pode é ser uma calha muito comprida!).
Há poucos dias, tive nova epifania. Nova ideia de compilação de informação. Nova inspiração de livro.
Conto-vos como surgiu, é mais fácil para explicar a sua utilidade.

Recebi a visita de uma colega que, entre outras coisas, me perguntou sobre o comportamento da casta Arinto na adega e na garrafa.
Eu lá despejei o saco e disse tudo o que sabia. 
"Na maturação faz isto, na apanha aquilo, na prensa requer estes cuidados, na clarificação aqueles, fermente bem se fizermos isto, guarda-se melhor se fizermos aquilo, estagia assim, é possível que sintas assado, não te assustes com frito e,.. por aí fora cozido.
Fiquei a pensar como seria interessante ter um suporte (que na minha mente é sempre um livro) onde encontrássemos reunidas estas informações práticas sobre as mais utilizadas castas nacionais. Mesmo tendo em conta todas as ressalvas necessárias, claro!
Era, à partida, uma interessantíssima forma de valorizar o trabalho e a experiência que viticultores, enólogos e adegueiro têm vindo a adquirir, ao mesmo tempo que se fornecia uma ferramenta de valor à melhoria dos vinhos Portugueses feitos com castas Portuguesas.
Porque raio temos de cometer os mesmos erros, repetidamente?

A forma como entendo que este projecto funcionará bem, passa, na minha mente doente, por três  pontos essenciais: 
1º: Formação um colégio de "experientes" - por casta,
2º: Definição de pontos chave a responder em todas as castas por igual
3º: Existência de um coordenador, com uma grande capacidade de síntese e "sentido de estado" (Já explico porquê) que redigisse um texto resumo para cada uma e assim se compilasse todo este saber que agora vagueia disperso.

Existem já alguns livros com boas informações sobre as castas nacionais, mas, ou são muito informativos para o produtor e viticultor que querem saber quais os porta enxertos mais indicados para as variedades escolhidas, ou, servem os consumidores "em formação", dando maior ênfase para os perfiz dos vinhos e, grosso modo, escritos com um sentido comercial. Pretendem vender o vinho, e é por isso que o "sentido de estado" é necessário. A informação é para ser tomada por quem trabalha a uva e o vinho, logo, tem de ser a mais nua e crua possível, escrita sem floridos poéticos ou embelezamentos comerciais. Entendem o que quero dizer?

Gostaria que alguém pegasse na ideia e pusesse mãos à obra (mesmo que não me convide a participar), antes da minha reforma que, se existir, será provavelmente a altura em que terei tempo e disponibilidade para esta obra de esforço monumental.

Só peço uma coisa. Se o fizerem, por favor.... façam bem feito!





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