29 de agosto de 2013

Embaixadores do nosso vinho

Foto usada a partir daqui (vale a pena ler)


Antes de mais, quero afirmar que, muitas vezes, o que escrevo aqui, parece impositivo e inflexível face ao defendido. Nada mais longe da verdade. Este blog, não passa de um depositório de pensamentos, que muito me apraz partilhar e discutir convosco. Mas não passa disso, de um simples "pensatório". Não se inibam portanto de discordar e argumentar em sentido contrário. Se de alguma forma a intenção parece outra é somente porque nasci com os genes contestatários activos.

Quando um enólogo ou um produtor dá um vinho a provar,  lá no fundo, espera que o provador goste e, em consequência disso... compre! Certo?
Náaaaaa! Nada disso! A compra está fora da equação do Marketing. 
È óbvio que a venda tem a sua importância... mas no lugar devido. Sempre como consequência, nunca como motivo.
Concordamos então que, o motivo nº 1 para se dar vinho a provar deva ser o de angariar embaixadores?

Nesta fase, preciso dividir a actuação generalizada da produção em duas perspectivas. Macro e micro.

Na perspectiva macro englobo as entidades que de alguma forma, em diferentes escalas, têm ónus de promoção. CVRs, Viniportugal, IVV, ....
Para estas, entendo que os "tiros" possam e devam ser generalizados. Tentativas de chegar a um máximo de alvos, de um segmento previamente definido, mas sem grandes responsabilidades (atenção que "sem grandes" não significa nenhumas) no aprofundar de relações. Esse aprofundar, entendo que deva ser feitos na perspectiva micro, com uma acção mais assertiva (já explico melhor).

Na perspectiva micro, englobo produtores e pequenas associações. È neste segmento que penso que ocorrem os maiores erros. E porquê? Porque há uma tentação de buscar consenso à volta dos vinhos. Atirar a todos e esperar que todos mordam o isco. 
Nada mais errado. O vinho não é consensual e como tal, entendo que o melhor caminho é mesmo o oposto.
Parar mim, passa por lançar redes, ver quem vem e depois de uma triagem, apostar nesse grupo de embaixadores que se criaram, como núcleos catalisadores de um aglomerado que crescerá com a ajuda do tempo.
Dispersando recursos (sejam humanos sejam financeiros) num loop de tentativas para pescar um Parker, uma Robinson ou um Martins é simplesmente parvo. Acaba-se por perder a viagem e o possível lucro.

Às vezes vale mais encontrar um ou dois críticos pequenos, um ou dois bloggers influentes, um ou dois consumidores relevantes, que gostem genuinamente dos vinhos e que nos ajudem a crescer em reputação e concomitantemente em vendas, do que embarcar nesta demanda quixotesca cuja probabilidade de sucesso é mínima.
É mesmo caso para dizer que, concentrar o fogo em meia dúzia de gente apaixonada, patrocinar de alguma forma o seu amor pela nossa marca, é mais frutífero do que tentar chegar aos Gurus. Como se apenas da sua aprovação dependesse o sucesso comercial de um projecto. Principalmente numa era em que o coro vende mais do que o especialista.

Quando há pouco afirmei que devem ser os produtores a aprofundar os contactos e filiações criadas pelo segmento macro, referia-me a coisas tão simples como isto:
Imaginem que numa qualquer acção da Viniportugal, um crítico qualquer, gosta apenas e só dos vinhos de Bucelas. 
Não vale a pena a Viniportugal insistir com ele em futuras acções, pois Bucelas é pequena demais para ser tratada com especial peso, mas, vale a pena os produtores locais unirem-se na exploração desse pequeno filão. Promovendo uma relação mais intima com esse dito critico e dando-lhe todo o apoio necessário para que ele continue a gostar e a promover a região.
A isto chamo um acção cinegética.
O que acham disto?

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