11 de dezembro de 2013

Produtor de vinho procura consumidor jovem para relação estável.


O assunto não é novo. Há muito que o sector procura novas formas de conquistar cota junto do mercado das cervejas e dos destilados.

Desenvolvem-se produtos,  anunciados depois com muita pompa, mas que, passando o namoro inicial, caem no esquecimento e volta tudo ao normal. Que é como quem diz, aos shots, gin, vodka e cerveja (da mais básica qualidade).

Sinceramente, por mais produtos interessantes que se criem, e têm aparecido bastantes, não vejo futuro nenhum nisso. E porque? 
Porque, simplesmente, não se apresenta o vinho e sim sucedâneos de vinho que se aproximam, nalguma medida, dos produtos cujo consumo se quer substituir sem garantias que, esse mesmo consumidor passe depois para o vinho. 
Pensar o contrário, considero ser um erro crasso!
Uma imitação, uma colagem, uma aproximação, nunca terá o peso do original.

"Então, diz-nos lá, oh grande expert, qual é a solução?" - perguntam vocês.

Não sei!
Tenho apenas ideias. Hipóteses passíveis de serem testadas. Transversal é o facto de assentarem todas no principio de que o sucesso advirá da adaptação do consumo ao vinho e não do vinho ao consumo.

Deixo exemplos:
"A malta" gosta de fazer/participar uma festa de branco no fim da praia para salientar os corpos dourados, certo? Então, promovam-se  White Wine Party(s). Se os organizadores forem mais ousados, um Wine Festival (ao estilo dos festivais de verão ou do Sensation). 
Eu sei que existem por aí, muitos, valorosos, festivais de vinho.  Mas, acham mesmo que "o people" que "curte" house e bandas internacionais vai mesmo delirar com as mesas corridas e a caneca de barro à frente de um prato plástico de moelas, no meio de uma ensurdecedora demonstração de folclore?

Podiam-se criar campanhas apelativas nas praias, fomentando o consumo descontraído no final dos dias (fora das refeições), porque não, através da oferta numa esplanada da berra. Convosco não vos acontece fazerem resoluções de mudança durante as férias e levarem alguns dos hábitos agradáveis que adquiriram nestes dias para o resto do anos? Então?

Mais do que criar novos produtos que acabam por não ter identidade, julgo que o caminho imediato passa por olhar para a corrente e perceber como é que a podemos aproveitar a nosso favor. Como podemos influenciar esta gente a consumir o nosso vinho. Tudo passa pela aposta num marketing mais apelativo, mais personalizado, mais humano e relacional. Convencer esta gente de que o vinho, tal como existe, é um produto que pode e deve ser associado a momentos cool.

Mas mais uma vez, precisamos de nos unir, precisamos de nos concertar, precisamos de nos responsabilizar por aquela que é uma necessidade nossa!
Vender vinho!

Precisamos criar dimensão. Fazer acções grandes e dedicadas, que dêem nas vistas, associando toda a trendiness do lyfestile que queremos atingir. E é esta a chave para chegar aos consumidores dos shots!

Se com isso pudermos fazer novos consumidores e ainda nos divertirmos.... 
Não será fantástico?

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