15 de janeiro de 2014

Falhas e Defeitos

Mizerné Vino by Jan Saudek Imagem usada a partir daqui

Nos ultimos dias, tenho consultado com afinco, alguma bibliografia dedicada aos defeitos do vinho. Nela encontro com regularidade esta dualidade de termos, 
falha e defeito.

Até aqui, nunca me tinha visto confrontado (ou nunca tinha reparado) com os palavrões postos em série. Mais. Regra geral, e de uma forma muito leviana, tendo a considerar que os dois podem ter o mesmo significado e a mesma intensidade. Pesa ainda o facto de, na comunidade de enólogos em que me tenho movimentado nestes 8 anos, o defeito tender a ser uma evidencia química absoluta e independente da intensidade.

Ora, estes dias têm demonstrado que a minha inclinação natural não é totalmente tola, ou seja, existe o defeito, uma manifestação organoléptica cuja intensidade me leva a rejeitar o vinho e existe a falha, que tem a mesma composição química, mas, uma intensidade mais baixa (não necessáriamente uma concentração).  A falha permite, ainda assim, que o vinho seja bebível e prazeroso. Com sorte, nos casos mais felizes pode até trazer complexidade e profundidade ao vinho (tenho apanhado muitos casos destes ultimamente).

Nos últimos anos, as empresas de soluções enológicas têm feito um esforço no sentido de ir de encontro às necessidades, facultando ferramentas que não só dêem ênfase às "boas" características, como também no sentido de tratar e fazer diminuir (a maior parte das vezes mascarando) as características menos felizes. 

Não digo que devemos passar a fazer alardo de quão bom é um vinho oxidado, com fortes sensações de animal ou cheio de acetato de etilo. Não digo sequer, que devemos procurar deliberadamente a falha. Também não deverá haver muita discussão sobre se determinada característica é defeito ou qualidade. Só por teimosia não teremos um fundo comum de sensações de repulsa a certos aromas e sabores. Lembrem-se que se desenvolveram por questões de sobrevivência e não de "gourmedice".

Logo, e definitivamente, penso que é tudo uma questão de dose!
...P.S. Por curiosidade, leiam este texto do Rui Falcão que descobri depois de ter este escrito e que toca este tema nalguns pontos, mas de um ângulo diferente.

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