17 de fevereiro de 2014

Avaliação de vinhos – Mentes calibradas

Foto usada a partir daqui

Talvez os consumidores comuns não se apercebam disto. Talvez quem avalie vinhos e o faça em quantidades, meramente assinaláveis (e por diversão), também não. Mas, a mente de um avaliador de vinhos tende a aproximar-se  de um FTIR (equipamento avançado de laboratório que avalia uma série de parâmetros, quase sozinho e a partir de uma única amostra).

A semelhança não vem do facto dos avaliadores serem máquinas, mas sim, pelo simples motivo de que, com o tempo, a avaliação (nunca confundir com análise) tende a ser feita com base numa recta de calibração. 

Quem já consultou uma das "milhentas" folhas de cálculo disponíveis para avaliar vinhos, saberá que, se as usar de forma rigorosa, obterá uma avaliação final que resulta da soma das várias avaliações parciais. 
Ainda que falíveis em muitos aspectos, tendenciosas até nalguns parâmetros, possibilitam que vinhos com determinadas características naturais, possam receber classificações altas, se o provador fizer a sua avaliação, digamos, de forma matemática (pois uns parâmetros podem compensar outros).

Mas, quem tem prática de provar vinhos, sabe que isso não acontece, principalmente quando se avança no tempo de prática.
A nossa mente, cria, como que uma base de dados e cada nova amostra passa a ser avaliada pela comparação com o universo de vinhos avaliados até então (è nisto que aparece a comparação com a dita maquineta).

Isso é, verdadeiramente uma merda, pois com o tempo, pode perde-se a capacidade de dar boas notas a vinhos que, por algum motivo, se apresentam fora da matriz. 


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