18 de março de 2014

"Deve ser maravilhoso trabalhar aqui!"


Querido diário,

Sabes, hoje recebemos visitas. Mais uma vez, a primeira coisa que me disseram - com um rasgado sorriso estampado - foi a frase do título, decalcada do visitante anterior. Ouço isto há 8 anos.
A verdade, devo ser honesto, é que a natureza foi simpática aqui e os fundadores souberam, na hora de levantar tijolo, não desfear o que os deuses aqui plantaram. Logo, percebe-se o deslumbramento da primeira visita.

No resto, é uma empresa, feita de pessoas, com todas as vicissitudes que tem a convivência entre elementos da espécie Homo [poucas vezes] sapiens sapines. Brigamos, rimos, desconversamos, abraçamos, gritamos, maldizemos, discordamos, arreliamos,...   Tudo o que é de esperar quando se juntam mais de uma pessoa no mesmo espaço e com um objectivo comum!

Tenho uma profunda satisfação de fazer o que gosto. Mas não sou diferente de qualquer outro profissional que esteja na profissão por amor.
Por vezes fico com a sensação que as pessoas, principalmente os winelovers, acham que ser enólogo é sinónimo de uma existência celestial. De vida perfeita e de prazeres continuados. 

Infelizmente não é! Mais vezes do que gostaria, estou de ovo virado com o patrão, magoado com o mercado ou com o cliente que saiu, aborrecido com um colega que (na minha avaliação) falhou, lixado comigo porque falhei, comigo por que sim e até, por vezes, comigo porque não!
Bastas vezes, as tarefas prazerosas são apenas a ponta emersa de um iceberg que esconde, abaixo das águas negras, as outras, as que não dão prazer ao careca!

À imagem dos restantes mortais, tem dias, muitos, em que a resposta a esta pergunta quase retórica, é mesmo:

- "Trabalhar aqui é &$#&=)(=(/%/%##$%#%&U&%$&%Y!"

"Tás" a ver?





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