17 de junho de 2014

Independent Winegrowers' Association - 10 anos



10 anos não é nada, dirão.
Não, de facto 10 anos não representa uma enormidade de tempo na vida de uma pessoa. Pode nem ter um impacto determinante na vida dos grandes vinhos. Mas, quando falamos de pessoas que juntam esforços para promover vinhos, garanto-vos, 10 anos é uma eternidade.

Nestas coisas das associações, lembro-me sempre de uma alegoria que um padre amigo gostava de fazer aos jovens catecumenado que se preparavam para o sacramento da confirmação. Era mais ou menos assim:

-Sabem qual é a diferença entre o Céu e o Inferno?
O Inferno é uma enorme mesa corrida, cheia de deliciosas iguarias e na qual cada conviva é obrigado a comer com pauzinhos chineses de 2 metros de comprimento.
O céu é precisamente a mesma coisa! 
-Então não há diferença? - Precipitava-se o aspirante mais afoito.
-A diferença está na atitude de quem se senta à mesa. No inferno cada qual tenta, desesperadamente, comer sozinho. Passam fome! 
Já no Céu cada um alimenta aquele que se senta na sua frente! Andam gordos e felizes!

Posto isto, entenderão as razões pelas quais julgo ser um grande feito, o facto de uma associação de produtores continuar um sucesso passados 10 anos. Principalmente porque o retorno nunca vem de forma proporcional ou na mesma janela de tempo para todos, criando, inevitavelmente a tentação de transformar o banquete numa experiência infernal.

Os meus mais sincero parabéns! Muitos e bons anos de vida!

Não me vou alongar em relatos do evento anual no qual estes produtores reúnem no Hotel Ritz em Lisboa um conjunto de media e de amigos no qual fazem o especial favor de me incluir. Deixarei, no final do post, alguns links de outros blogs onde o evento foi suficientemente relatado.
Gostaria de destacar, apenas dois ou três pontos.


Para comemorar os 10 anos de existência, fizeram e apresentaram um branco (abençoado Pedro que não tinha tinto para fornecer) resultado do lote entre vinhos de cada um dos produtores. Todos estão representados, cada um com uma casta característica da sua exploração. Um vinho bonito que me deixa com ideias.

Foram convidadas a estar presentes as restantes associações de produtores de vinho do nosso país. Demonstrativo, mais uma vez, de que os membros IWA já se ajeitam a comer com os paus grandes e que estão, talvez, abertos a ampliara a mesa (não a associação, entenda-se)!




Todos os produtores IWA têm vinhos que de alguma forma me seduzem. Uns mais que outros, até porque é sabida a minha preferência por vinhos brancos e aqui encontro boa parte da minha lista top de preferências.
Sou obrigado a ser indelicado para com os restantes "vinhões", mas houve um, que me seduziu sobremaneira pela "originalidade". Chama-se ou vai-se chamar Solo, aparece sob a chancela Ameal e, talvez pela combinação com a história, foi, para mim, a grande novidade vínica do evento.
Deliciou-me ouvir o Pedro Araujo contar como o vinho nasceu. "Fez-se como quis". "Fermentou, parou, reiniciou fermentação, parou outra vez, diferentes velocidades".... ahhh! 
O resultado é algo único, que sai, a meu ver, da linha dos outros vinhos da casa. Sem dúvida, algo que os white winelover terão de provar!

O evento noutros Blogs:
Joli
Pingas no Copo
Airdiogo num copo

2 comentários:

Anónimo disse...

Obrigado Hugo pela amizade ao IWA.

Hugo Mendes disse...

Eu é que agradeço. A amizade e os ensinamentos!