30 de julho de 2014

Contrapeso na medida


Querido diário:

Hoje assisti a um episódio, no mínimo insólito, que me leva a pensar que, ou estou cada vez mais estúpido, e por isso não entendo o óbvio, ou então, somos cada vez mais um povo miserável, dirigido por canalhas miseráveis e ladrões.

Foi mais um daqueles dias em que ando a visitar clientes. Desta vez, visitávamos restaurantes “de topo” da região de Lisboa. Num deles, passou-se este filme de loucos:

Enquanto esperávamos que chegasse quem nos ia “ouvir”, entra um outro senhor com uma trolley e uma caixa de madeira. Pensei que ia vender microscópios ou enciclopédias de cozinha. Mas não. Dirigiu-se ao balcão e anunciou que vinha aferir a balança.
Todos, atrás do balcão, fizeram um ar de espanto e um deles perguntou se ele vinha afinar a balança.
Com toda a calma que só um fiscal municipal consegue ter, identificou-se (tinha um crachá como os da policia e tudo) ao serviço da CML e que vinha aferir a balança e não afinar.
Todos ficámos parvos com aquilo, afinal, é um restaurante, que não serve comida para fora e se o fizesse, penso que jamais seria “ao peso”. A balança é, claramente para uso “interno”.
O tipo lá se desmanchou em normas, normativas e demais merdas que esta gente consegue dizer sem rir e no fim, ainda o ouvi dizer que, se não estivesse o.k., seguiria informação para a ASAE. Não sei para fazer o quê, mas, como todos reconhecem a gravidade da situação, o mais certo era fecharem o restaurante e afirmarem que se tratava de um crime de saúde publica!

Confesso que fiquei doido com aquilo e à saída, não deixei de meter a minha farpa, afirmando que aquilo era mesmo importante, não fossem eles enganar-se na medida da farinha ou na quantidade de carne a servir aos clientes.

Fica o aviso. Os corvos da CML andam à solta. 
Comigo (e avisado), se visse entrar uma ave destas num restaurante meu, despachava-o logo dizendo que não tinha balança nenhuma, que ali era tudo a olho e medidas de inox. Quem me obriga a ter uma balança num restaurante?

País que não vai a lado nenhum e continua a rasteirar-se a si próprio… tantas vezes só para ver cair e extorquir a quem se tenta levantar.

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