28 de julho de 2014

Vinhos de Altitude



A convite da Câmara Municipal de Gouveia e da Revista de Vinhos, tive a oportunidade de assistir ao Workshop sobre Vinhos de Altitude, realizado no passado dia 18 de Julho em Vila Nova de Tazem.

O programa:
  • João Paulo Gouveia - Viticultura de altitude na região do Dão
  • Rui Madeira - O planalto da Beira Interior
  • Rui Reguinga – Serra de Portalegre, um Alentejo diferente
  • Celso Pereira – O planalto de Alijó
  • Álvaro Castro – As encostas da Estrela
  • Dirk Niepoort – Frescura dos Altos: Douro, Dão e mais além
  • Debate mediado por Luís Ramos Lopes
Muito bem, feitas as apresentações, que tenho eu para vos contar?


Começo com a apresentação do João Paulo Gouveia (JPG). Foi, naturalmente (e perdoem-me a franqueza), a que achei mais útil (do ponto de vista de quem está no lado da produção). Percebe-se que o JPG é um formador, pois soube escolher os assuntos relevantes e apresentar argumentos que suportam as suas afirmações. Não terá sido à toa que foi o interveniente mais solicitado a dar respostas no momento do debate aberto.
Do seu discurso, gostaria de salientar dois pontos. (1) Vinho de Altitude é um conceito diferente de Vinho de Montanha. (2) Portugal, não pode falar verdadeiramente de vinhos de Altitude, pelo facto de, no contexto universal, as nossas cotas serem francamente baixas face a outros locais onde se plantam vinhedos. Contudo, podemos considerar como de altitude, vinhos que, pelo facto de se encontrarem em cotas relativas mais altas que o "normal", apresentem variações notórias e imputáveis a essa condição.


Não quero particularizar nenhuma das restantes intervenções. Todas elas foram bastante interessantes, apaixonadas e pedagógicas. Os intervenientes souberam escolher os vinhos (descritos neste post do Enófilo Militante) que melhor expressavam as suas ideias do local de onde provinham. 

Talvez dada a minha veia experimentalista, senti falta apenas de um ligeiro, mas importante, pormenor.
Uma vez que todos os oradores apresentaram vinhos feitos a partir de uvas trabalhadas em locais com alguma altitude, mas bem delimitados, seria muito interessante a comparação com vinhos similares, feitos em cotas imediatamente abaixo. Sei que isto seria uma tarefa hercúlea ou mesmo impossível (é?), mas penso, que, a componente pedagógica teria saído muito mais favorecida.
Fica a ideia e o desafio para workshops futuros. Não vejo nenhum motivo para que a experiência não se repita, com este ou com novas temáticas. Em Gouveia ou noutro local qualquer.

Da visita a este núcleo do Dão, fica ainda na memória o jantar com que fomos recebidos, com o staff político e alguns dos produtores da "área". Muita conversa, um abraço de parabéns ao amigo Paulo Nunes e uma quantidade de vinhos provados.


Confesso que gosto cada vez mais desta região. Do espírito, das dificuldades naturais, da riqueza de variáveis,..., enfim, de tudo o que traga dificuldade e com isso, propostas de unicidade. 

Cresce em mim a vontade de fazer vinho aqui!