8 de fevereiro de 2015

Sobre as escalas, o que há ainda para dizer?



Pouco. Quase nada!

Do muito que tenho falado sobre o assunto, gostaria de relembrar duas conclusões:

1º Cada vez mais me convenço de que as pontuações quantitativas não servem aos produtores, e não servem de todo aos consumidores. Servem a todos os intermediários, principalmente a distribuição e o retalho que se rejam pelos padrões do passado. Quem, historicamente, ganha dinheiro com o negócio.

2º Usar escalas "da escola", que toda a gente conhece  - e tem para elas uma leitura ÚNICA E INEQUÍVOCA - mas com deformações, adaptações, ajustes,..., é algo que me incomoda. Se não é um acto deliberado para deturpar a interpretação é uma distracção imperdoável. 
Seja qual for o motivo, um consumidor que apanha um vinho com 14 valores vai achar que é um vinho com bastante qualidade, quando todos os "iniciados" sabem que está no limite superior do sofrível.

Não vale a pena argumentar, até porque parte das pessoas se vai limitar a ler e discutir o título, por isso conto-vos uma história que se passou há dias entre mim e a minha mulher.

A Sara, gosta de vinho, consome moderadamente e, o facto de estar casada comigo faz com que tenha mais atenção ao que bebe. Não é enófila, no sentido de procurar conhecimento sobre o assunto (vejo alguns de vocês a rir neste momento... suas mentes perversas!), mas prova com frequência, tem o mínimo de técnica e descreve decentemente um vinho. Mas nunca pontuou.
Acontece que, por motivos académicos, tenho-me visto forçado a provar e avaliar vinhos segundo uma matriz, que não é a minha... se é que eu tenho alguma. 
Não vos vou maçar com mais detalhes. Provávamos um vinho, em tudo mediano, rapado e sem grandes qualidades. Algum desequilibro entre o que é e o que ainda temos de esperar que venha a ser. Sem defeitos, mas sem grandes qualidades a destacar. Habituado às escalas, dei-lhe 14,5. Ela, muito admirada, declarou que a sua nota estaria entre os 11 e os 13. Afiançou-me que aquele vinho não merecia os 14,5 que lhe estava a dar.

Juro que ainda tentei explicar que ela estava errada, embora certa. Que essa avaliação não corresponderia ao que o mercado (e atenção, o mercado, não o consumidor) está habituado. Que... Esquece... Desisti e fiz um esforço para mudar o assunto! 

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