17 de fevereiro de 2015

Um Toque de Açúcar



Este é o titulo de uma das crónicas que Maria de Lourdes Modesto incluiu na compilação de cronicas à qual chamou "Sabores com História". Versa o texto sobre as doses de açúcar empregues na doçaria, especialmente a conventual.
Não vou aqui reproduzir toda a crónica, não me ficaria bem (comprem o Livro), contudo, uma passagem resume as intenções da autora e, dá força às minhas próprias convicções:

"Hoje, o gosto está a ir no sentido do doce menos doce. Já são poucos os que apreciam dar uma dentada num bolo e sentir aquele "raspar nos dentes" e o pigarro na garganta" que as grandes concentrações de açúcar provocam."

Antes de fazer a transposição para o vinho, deixem-me dizer que admiro profundamente o facto desta senhora de experiente idade, criada numa época de convicções "fixistas", ter a ousadia de propor uma leitura adaptativa das receitas "ancestrais". Não resisto a mais uma tirada que explica, de forma brilhante, o seu ponto de vista:

"As receitas não são intocáveis. Há formulas de base a manter, mas a sua interpretação permite adaptações ao gosto pessoal, regional e de cada tempo histórico".

No respeitante ao vinho, principalmente num pais em que o seu consumo anda inquestionavelmente amantizado com a mesa, entendo que a primeira citação encontra a minha própria convicção sobre o gosto actual do consumidor, a segunda no entanto, deixa-me sem mais que dizer!


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