15 de janeiro de 2016

Janeiro a meio



Diz quem não sabe que nestes dias há pouco o que fazer na adegas. Diz quem não sabe porque quem sabe diz que existe sempre trabalho.
Até numa produção maioritariamente de vinhos tintos se pode utilizar esta altura para enchimentos, inventários, actualizações burocráticas, revisão de planos, rescaldo de vindima, acompanhamento das equipas de vendas (muito importante para tomar pulso ao mercado). 

Vivo com três realidades diferentes, três formas distintas de estar no mercado e isso estimula-me de uma forma que honestamente nunca pensei possível.

Nas Carrafouchas o tempo é realmente de sossega. Os vinhos descansam e crescem, tanto o tinto como o branco espera que os frios lhes tragam equilíbrio, que lhe quebrem o nervo e o excesso de jovialidade. O Tinto é feito numa espécie de  "field blend" pelo que não há grande dispersão de decisões a tomar por agora. Nestes dias, de mim, pede-se acompanhamento e vigilância. Só!

Já em Vale das Areias o tempo é de enchimentos. A adega está em plena actividade. Os brancos e rosés desta casa são vinhos que se pretendem frescos e prontos para acompanhar o primavera e o verão que ai vêm. Estou muito expectante face a estes vinhos. Depois de uma vindima difícil (a minha primeira aqui), muito cirúrgica e a necessitar que as decisões fossem tomadas quase ao dia, saíram vinhos muito vibrantes e frescos.

Os Quinta da Murta dormem o seu sono de beleza. O tinto foi loteado após as fermentações maloláticas e repousa agora nas barricas. Os brancos estão em duas fazes. Nas cubas, descansa-se com batonagem, nas barricas arrisca-se um final de fermentação, lento, mas constante. Não se assustem. Foi uva vindimada um pouco mais tarde e como não se inoculam leveduras por aqui, às vezes temos fermentações a entrar pelo novo ano (a colheita de 2012 esteve a fermentar até Maio). Obriga a um controlo mais apertado e a estar preparado para intervir ao menor sinal de problema.
Para além disso, é hora de mandar os espumantes para as garrafas. Aproveitar o frio natural de Janeiro para que a fermentação ocorra lenta e eficazmente de forma a dar-nos a delicadeza e primor de bolha que perseguimos.

E pronto, por estes dias, tirando isto, umas análises e um ror de papeis que precisam ser vistos, revistos e actualizados, não há nada para fazer na adega.




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