4 de fevereiro de 2016

José Rodrigues dos Santos e o conceito de MELHOR!

Ontem li por aí que José Rodrigues dos Santos (JRS) teria sido eleito o melhor escritor Português (da actualidade presumo). A fonte é muito vaga sobre quem são os 28 000 avalistas e o que lhes foi perguntado, mas vou acreditar que é uma amostra aleatória, representativa e bem inquirida da sociedade Portuguesa. 

Não li nunca JRS, não faz parte dos meus planos lê-lo, mas não rejeito a hipótese. Pelo que já vi nalgumas contracapas... este não é o momento. Julgo tratar-se de um autor que se enquadra na literatura de transição, algo entre a Literatura propriamente dita e a literatura light, a da outra senhora que manda toda a gente para o dito cesto do castigo no mais alto maltro do navio. Pode um autor de transição ser o melhor? (é para pensar!)

O que me aborrece é mesmo esta mania que temos de procurar o "melhor de...", muitas vezes fazendo confundir a pergunta com "o meu preferido" como se uma e outra tivessem leituras iguais. Não têm. A qualidade e o gosto não são uma e a mesma coisa!
Fica a sensação de que há sempre necessidade de alguém escolher pelos outros. Que eu, que tu não somos capazes de definir os nosso próprios critérios de gosto e consumir em conformidade com isso! Não dá jeito que isso aconteça, é um facto. Mas bolas...

No vinho é por aqui também. Elegem-se os melhores de tudo e de todo o lado. Alardeiam-se vinhos com a melhor relação qualidade/preço (isso é efectivamente o quê?) e é vê-los correr aos supermercados, às promoções convencidos que estão a levar para casa o melhor dos melhores, os únicos, os absolutos, mas ao preço dos maus. Que espertos que somos por conseguir ver o que mais nenhum ser vê. È o auge da manipulação (ou da estupidificação?).

Perguntem a esses 28 000 qual é o melhor prato e talvez vos saia um hambúrguer com o McDonald a ganhar para o melhor restaurante Português.
Mau, mau será mesmo que uma boa fracção da população passará a acreditar nisso!

Para quem não entendeu ainda, não tenho nada em desfavor do autor ou a sua obra mas sim contra esta mania de  se confundir gosto com qualidade numa primeira fase e depois impor essa "qualidade" aos outros como absoluta e indiscutível. 
Só isso!






4 comentários:

francisco cunha disse...

Caro Hugo Mendes,
Acertada e oportuna intervenção! Assino por baixo.
Francisco Cunha
enófilo militante

Pingus Vinicus disse...

Não dou relevância ao facto e vale o que vale.
Considero isso muito normal e compreensível em certa medida.
Um abraço

Hugo Mendes disse...

Caro Francisco,
Agradeço a consideração!
Um abraço.

HM

Hugo Mendes disse...

Pingus,

Eu não disse o contrário. Ser normal e compreensível não significa (a meu ver) que é o melhor caminho, ou aquele que mais nos eleva.
Abraço
HM