14 de dezembro de 2016

Dia de prova - O Fernão Pires: 50% do blend

Enquanto esperam, fiquem com esta:

Hoje foi dia de visitar  e provar o vinho. Não vou usar meios termos. A.D.O.R.E.I!

Será (será porque ainda não os juntei) uma mistura de Fernão Pires e Arinto.
O Arinto é um Arinto.... feito aos mesmos preceitos que sigo em Bucelas, sem mas nem meio mas. Vinhas adultas e estágio com borra fina. Procuro  estrutura, esqueleto e acidez. Vejo o Arinto, não me canso de dizer, como uma casta masculina, com todas as responsabilidades que o homem tem na vida do casal (mais as dores de cabeça e obrigatoriedade de assentir às razões menos razoáveis que só a sensibilidade feminina se lembra de concluir).

O Fernão Pires é/será, acredito eu, a chave deste vinho. O factor de risco. O elemento que ditará  sucesso ou  fracasso desta obra. Nada de muito admirável se vos digo que o considero o elemento feminino.  Afinal, são ou não são as mulheres que mandam nesta merda toda?

Acredito que o Fernão Pires pode ser mais do que uma casta aromática apanhada tarde demais e usada para encher (como é tradição no Tejo e em Lisboa). Quis testar a hipótese de o apanhar com base na acidez, em total alheamento para os restantes parâmetros de maturação. Fermentação com leveduras indígenas e engarrafamento cedo (falta engarrafar). O resultado foi um vinho com 9% de álcool, sem a intensidade aromática que caracteriza a casta (Deus seja louvado) mas com equilíbrio e a prometer um desenvolvimento com muito interesse. E tem acidez... imaginem vocês. TEM ACIDEZ....

Até amanhã... sonhem com este vinho, se faz favor! :)






2 comentários:

Marco Marques disse...

O pobre do Fernão Pires tem uma fama que não merece! É uma das castas brancas mais versáteis que conheço; dependendo do estado de maturação em que é vindimado, de estagiar com ou sem borra e com ou sem madeira, dá vinhos completamente diferentes. Já para não falar no grande potencial para fazer excelentes licorosos, gordos e grandes na boca e cheios de complexos frutos secos e mel no nariz, que com o devido estágio, não ficam nada atrás dos Moscateis de Setúbal

Hugo Mendes disse...

Concordo inteiramente. È por isso que apostei tanto nela na constituição deste vinho!
Muito obrigado pelo comentário!