23 de janeiro de 2017

Mas ... madeira porquê?


Uma das perguntas que mais me tem sido feita sobre o vinho é a questão da inclusão de madeira: "Tem madeira?". Não, não tem madeira! E não tem porque não quero madeira nestes vinhos (nos brancos, os tintos terão outra história). Convém aqui explicar um pouco mais sobre a forma como vejo a utilização deste material na realização de um vinho. Certo?

Para começar, não vejo a coisa como simplesmente, tem ou não tem madeira. È nova, semi-nova, usada, velha, "recauchutada",... é o quê? É Portuguesa, Francesa, Americana, Húngara? E o poro? E a queima? E depois, o vinho, fermenta lá desde mosto ou vai para lá quase vinho? Mais maduro ou mais ácido? Faz estágio ou não? Estágio longo ou curto? Já viram a quantidade de combinações que conseguimos fazer só com estes elementos que descrevi? É fácil perceber que temos aqui um cem numero de combinações e perfis possíveis! .
Tudo isto só para explicar que o caso não se pode pôr simplesmente no tem ou não tem!

E este... não tem! Não tem porque eu quis apanhar o Fernão Pires num estado menos mudarão, um estado em que a uva originará aromas mais citrinos ou fará um vinho neutro onde o aroma se desenvolva durante os estágios. A madeira, de alguma forma retira essa pureza aromática (pureza no sentido químico do termo), não a quero aqui para nada, só ia esconde os elementos que quero, precisamente, mostrar!
A minha experiência com vinhos sem madeira é a de que, quando apanhados na altura certa (cada enólogo e abordagem terá a sua) originam vinhos com uma evolução mais limpa, clara e expressiva da uva e do terroir. Além disso, as madeiras dão ao vinho aromas quentes e eu quero estes vinhos todos na linha frescura (aromas frios e sensações ácidas). É isso que pretendo com esta linha de brancos e foi por isso que optei por não usar madeiras.
Estamos falados? :)
Abraço!

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