30 de janeiro de 2017

O papel no Arinto no HM Lisboa Branco 2016



Gosto muito de pensar a composição dos vinhos com base na complementaridade das castas face ao pretendido. 
Já aqui expliquei que este foi idealizado a partir da vontade de explorar outras facetas do Fernão Pires (FP). Naturalmente me apercebi que, pensando em apanhar um  FP com base na acidez, puxando-o para níveis de maturação que revelassem  aromas mais contidos e cítricos, que permitissem uma boa base para uma saudável e longeva evolução, o vinho dai resultante seria pouco alcoólico, com um corpo delgado e curto de boca. Teria de ser complementado com outra casta que minimize esse impacto, uma casta "esqueleto" que estruturasse e sustentasse as pretensões sem interferir demasiado. Nos vinhos brancos e face à minha experiência, a solução era óbvia, o Arinto.

Numa nota de graça e curiosidade vos digo que ambas foram fermentadas em separado (e alturas diferentes) e assim têm evoluído. Tinha curiosidade em perceber as transformações dos primeiros meses em cuba de um FP feito desta maneira. A verdade é que não tem dado sinais de falta de estrutura e corpo para os 9% de álcool com que ficou. Tem-se vindo a compensar nesse campo e a intensificar o aroma (que baixará mal lhe junte o Arinto, para a reganhar lentamente nos meses que se seguem ao engarrafamento), o que me deixa algo perplexo e desconcertado.

Voltemos ao Arinto. Precisava aqui de um vinho robusto, com álcool mais alto e ai tive de condenar um pouco a acidez naturalmente alta que a casta tem. Apanharam-se as uvas ligeiramente mais tarde, com a acidez na casa das 6-7g/L e o álcool a babujar os 13%. Fermentação a temperaturas mais altas, média de 17ºC para não deixar aparecer os tropicais fabricados pela levedura, mesmo as naturais. Queria um vinho neutro e robusto, fresco e estruturado. Sei de antemão que um Arinto assim tem muito para dar com o tempo de garrafa, mas não se sobrepõe. O Arinto é uma casta de intensidade baixa e espectro largo.

Julgo que desta forma tenho os elementos que procurei desde o inicio. Um FP apoiado num Arinto que o ajudará a brilhar. Um vinho que me tem dado provas que vai estar apto a ser apreciado logo que passe o choque do enchimento (15-30 dias) mas que dará muitos prazeres e alegrias a quem tiver coragem de guardar umas garrafas. Não serei hipócrita, como em todos os grandes vinhos (minha opinião) é ai que se verá a sua  verdadeira identidade.

Relembro que continua a decorrer a pré-venda, neste momento já atingimos as 500 garrafas das 800 que disponibilizámos para esta acção. No total serão feitas certa de 2600 garrafas numeradas. Em baixo encontram uma imagem que resumme como poderão fazer para reservar as vossas garrafas a um preço irrepetível (IBAN:PT50 0007 0000 1753 0800 1072 3). 
Para primeiras visitas, sugiro a leitura dos post com a etiqueta Branco Lisboa.




Sem comentários: