8 de janeiro de 2017

O vinho na ponta da Língua



Ponderei se seria "apropriado" escrever sobre este livro, afinal, o que tenho para dizer não é bom na generalidade.
Como escrever o que penso sem interferir no equilíbrio natural ou no distanciamento devido que a minha actividade e a da autora têm?
Honestamente não sei! O que sei é isto: não posso exigir rigor e honestidade crítica a toda a hora e ao mesmo tempo fazer parte da Junta Nacional dos Nins e dos Silêncios (JNNS). Não é justo para comigo, não é justo para com os valores que defendo e não é justo para quem considera a minha opinião. No limite até acho que não é justo para a autora, mas deixo para ela esse julgamento!
Ponderei se seria apropriado escrever sobre este livro ... e todos os botões do meu corpo gritaram que sim. 

Começo pelos aspectos positivos:

O livro é quanto a mim uma bela ideia, na onda dos manuais "A, B, C do vinho". Pretende, de uma forma simples e resumida, apresentar os aspectos mais importantes de quem quer desfrutar um pouco mais das experiências etílicas. Gosto da organização e da estrutura. Muito.
O grafismo está de se lhe tirar o chapéu. Imagens giras com cores vivas a puxar para o sentimento cool cosmopolita. Fresco, divertido e jovial como se pretende que seja na fase de descoberta em que se encontra o publico alvo. Muito bem esgalhado. A minha vénia!
Tentativa de expressão numa linguagem desempoeirada e divertida... uma espécie de conversa simples com o leitor. Aprovadíssimo!

Aspectos negativos:

O pior que lhe encontro é a gritante falta de revisão. O livro está cheio de erros e falhas técnicas básicos, facilmente identificáveis pelo mais simples dos enólogos. Sendo a autora tão conhecida (e reconhecida) no meio, custa-me entender como não pediu a algum técnico para ler e emendar o texto. Torna-se a meu ver muito grave quando temos em conta que o publico alvo dá os primeiros passos neste meio específico, criando-lhe deformações, e incutindo-lhe preconceitos que serão muito mais difíceis de emendar à posteriori.
Os textos têm uma construção que me cria dificuldades de compreensão. Ideias e processos nem sempre se encontram descritos de forma clara (até para quem os conhece). Há uma excessiva repetição de palavras que tornam a leitura maçuda quando se pretende precisamente o contrário.

A ideia com que fico é a de que o livro é uma espécie de transposição de uma longa conversa oral, com todas as bengalas e falhas deste canal, adjuvada por uma preocupante falta de revisão técnica. Será que publicaram o esboço? Não entendo!

Tal como está, não aconselho a ninguém, mas julgo que numa segunda edição, se houver vontade de uma revisão séria, pode transformar-se num manual de eleição para os iniciantes a enófilos. 

E não estou a brincar!






2 comentários:

Ricardo Freire disse...

Vou ser um pouco má língua... mas lá vai.
E se tu te propusesses a ajudar na revisão do livro?
Fica bem.

Hugo Mendes disse...

Não achas que ia parecer que é isso que quero? (quando não é!)

Abraço

P.S.: O que fica bem é fazer o trabalho bem feito! :)