16 de janeiro de 2017

Que vinho é este afinal?



Amanhã arranca o período de pré-venda do meu vinho branco de Lisboa. Para já, e porque muitos me têm perguntado de que vinho se trata, deixa-me já ir adiantando trabalho.

Há muito que espero uma oportunidade de experimentar apanhar Fernão-Pires (FP) tendo em conta apenas a acidez. A minha teoria é a de que, desde que esta seja estável, consegue-se um vinho com um a paleta aromática mais próxima dos citrinos e mais afastada dos aromas enjoativo que a casta costuma apresentar. Para além disso fico em vantagem na capacidade evolutiva do vinho dai resultante.
Desde o inicio que percebi que não conseguiria fazer o vinho só de FP, já que o álcool ficará obrigatoriamente aquém dos limites de certificação. Arinto seria sempre a escolha óbvia e natural. Confere estrutura e álcool (o lote ronda os 11-11,5%) sem comprometer frescura .
para quem gosta de detalhes de enologia, o sumo limpo fermentou em cuba de inox, com leveduras naturais a temperaturas médias de 17ºC. fermentações certinhas, com arranques demorados como é da praxe com estas bichas.
Aparte disso, porque acho que o grande trabalho aqui é feito na garrafa ao longo do tempo, quero engarrafar o mais rápido possível.



Parece uma formula simples, e de certa forma é. Contudo, inspiram-me aqui as evoluções dos vinhos base de espumantes quando faço algumas garrafas de ensaio e deixo para crescer. Este triângulo (vindima precoce+garrafa cedo+tempo) tem-me dado vinhos maravilhosos, cheios de poder e nervo, salinos e iodados, perfumados e loucamente equilibrados.
Do triângulo, deixo-vos o mais fácil, dar tempo a algumas garrafas para se fazerem juntas de vós e deixar-vos fazer parte desta descoberta continua que agora se inicia.

Eis o meu primeiro vinho, um vinho de Lisboa, Não a única forma com que olho para a região, mas seguramente uma das visões que mais anseio ver revelada.
Espero que desfrutem tanto dele como eu tenho desfrutado até aqui.
Obrigado!

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