8 de fevereiro de 2017

E o vencedor é....



Depois de uma profunda análise a todas as propostas, decidi que há ali coisinhas muito boas. Tão boas que escolhi também, para além de um vencedor, duas mesões honrosas que não levarão o prémio na integra, mas terão direito a uma garrafa extra cada um. 

E o vendedor é:

Tomáz Vieira da Cruz:
Proposta 1: "If there was any magic in this world that was not magic, it was wine." , Lev Grossman (The Magicians, 2009).

Gosto muito destas imagens poéticas e românticas e acho que é uma frase que se adequa que nem uma luva ao espírito do projecto.

Menções Honrosas:

João Craveiro Lopes: "Sniff my ass!"

Mickael Santos:" Impressão do mapa de Portugal"


A proposta do João tem em si encerrada muita da ironia e humor que gosto de meter em tudo o que faço, encontrando um novo significado para o acto de analisar olfactivamente a rolha quando se abre uma garrafa, não deixando de ser uma piada entendida por todos. Já a proposta do Michael toca num ponto que muito me interessa também, a assumpção da nacionalidade em todos os aspectos.

Agradeço a todos a participação. Não se pode dizer que tenha havido uma frase de que não gostei, tive, como devem ter reparado, de recorrer a várias camadas de leitura para escolher os vencedores. No fundo são todos vencedores, mas... sem prémio! ;)

E agora, a parte em que me vão odiar. Preparados? Aqui vai!

Tal como avisei, não havia a garantia de que a frase vencedora seria impressa na rolha. O azar (porque seria impressa a vencedora não fosse eu ter tropeçado nisto) veio do facto de eu ter relido um poema de Charles Baudelaire que me apaixonou e me fez esquecer tudo o resto. Ora, cito:

Embriagai-vos

"È preciso estar sempre ébrio. È tudo: eis a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que vos quebra as costas e vos inclina para a terra, tendes de embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas embriagai-vos. E se porventura, nas escadas do palácio, na relva verde de uma vala, na solidão morna do vosso quarto, despertardes, a embriaguez já fraca ou desaparecida, pedi ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que se esvai, a tudo o que geme, a tudo o que passa, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio responder-vos-ão: "Está na hora de se embriagarem! Para que não se tornem escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos; Embriagai-vos incessantemente! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha!"

Não é soberbo? Não é arrebatador? Há como ficar indiferente a isto? Eu, perdoem-me... não consegui. Prefiro a consequência, da mesma forma que um apaixonado foge louco de todas as suas responsabilidades em busca da inebriante ilusão.
Escolhi para a rolha a parte a sublinhado.

Conto com o vosso perdão!



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