15 de março de 2017

Dia de Enchimento - Hugo Mendes Lisboa Branco 2016


Tudo neste vinho tem sido uma aventura digna de filme. Quando não por causas naturais eu arranjo maneira de complicar e apanicar o momento. Dizem os mais próximos que se deve à responsabilidade que vem com a propriedade. O vinho é meu. Bom, não escamoteio essa hipótese, mesmo sabendo que sempre tratei como meus os vinhos que ajudei a fazer, o ónus financeiro nunca está do meu lado, logo o prejuízo também não. Contudo, julgo que aqui acresce muito o factor novidade e a necessidade que tive de sair da minha zona de conforto para chegar a este resultado. Ainda que amparado com uma parte de Arinto que não me traz muito de novidade, é o Fernão Pires quem marca o ritmo deste vinho e te-lo apanhado numa altura para a qual não tenho ponto de comparação não terá ajudado. De uma forma geral, o vinho, tanto em monocasta como depois em lote, sempre se mostrou limpo, claro e directo como o idealizei. Sempre correspondeu aos sinais que esperava dele, mas não sei como, apoderou-se de mim uma ansiedade que o dia do enchimento fez transbordar com comportamentos estranhos e patetas para alguém que assistisse.




Mesmo em casa alheia, meti o bedelho em tudo, até na afinação das máquinas, valha-me Deus, que vergonha. Sai de casa com a convicção de que, se queria ficar descansado, tudo tinha de ser feito respondendo às minhas normas, parecesse bem ou mal... Felizmente, a equipa da Quinta do Carneiro, para além da competência é extremamente compreensiva e paciente para comigo e a coisa deu-se, até com algum humor à mistura.



Não há nada de especial a registar sobre este momento, excepto o meu virginal comportamento que ora estava aqui a tirar garrafas da linha, como ali a tirara fotos, como acolá a medir o nível do vinho. Nos intervalos tirava uma garrafa da linha que provava e da qual retirava mais 10 minutos de calma pela não identificação de problemas (é isso que um enólogo mais procura num vinho) mas pela constatação de que o vinho também não sabia a nada (coisa que acontece SÓ A TODOS OS VINHOS durante o enchimento, fruto da agitação provocada pelo processo).

Tudo correu sem o mínimo percalço ou sinal passível para me deixar preocupado, mas foram precisos mais uns dias, cerca de uma semana, para voltar a provar o vinho e perceber que estava tudo lá, que nada fugiu. 
Resta-me agradecer a paciência do Ricardo e da sua equipa para com os meus ataques de diva mal achada de coração!



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