Eu tomo o partido da revista...


Acreditam que tenho recebido telefonemas e mensagens dos meus pares (não necessariamente por isso, mas surge sempre na conversa) a comentar as minhas posições e "preferências" com base nos meus posts, essencialmente do facebook?
Parece que se formaram equipas (lembra a primária, talvez não tenha ajudado muito a forma infantil como isto tudo se mostrou) em que muitos produtores e enólogos tomam partidos ou preferências. Recebi informações de que estou a ser apontado aos partidários da revista já apelidada de "Grandes Escolhas".

Bom, não sinto nenhuma obrigação de o fazer, mas tenho vontade de clarificar a minha posição face a isto tudo. Por um lado, para que não restem duvidas e por outro porque tenho muito interesse em galvanizar a produção a ter uma postura semelhante.
A saber:

Não sou partidário de nenhuma publicação em especial. Respeito o trabalho de todas, acho que são necessárias. Não tenho amigos nem inimigos em nenhuma delas (embora em todas existam pessoas que muito prezo e por quem nutro muito respeito. Umas mais que outras, como é óbvio!). Se por agora parece que sou partidário de uma é só porque a outra se encarregou de fazer escandalosos disparates aos quais não posso ficar indiferente. 

O mais difícil de entender aqui, sei bem, parece ser o facto de me manter livre de amarras, medos ou dependências. Como não temo a ira das revistas?!?! 
Bom... não sei! Simplesmente não temo, nunca temi. Honestamente, também nunca tive nada que me fizesse temer. Nunca tive um produtor que me questionasse quanto a isso. Tenho ganho consultorias, os meus vinhos têm tido boa critica e o meu projecto pessoal tem tido uma excelente aceitação. Honestamente, acho que as minhas posições têm sido inócuas ao sucesso dos meus produtores tanto quanto ao meu. E nem entendo porque teria de ser diferente! 

Acredito que uma postura de silêncio face às barbaridades que são, quando são, perpetradas por um mau exercício crítico (venha ele de onde vier) abre caminho a uma politica de "vale tudo" que pura e simplesmente não posso tolerar na avaliação do meu trabalho. Mas isso obriga - sejam fortes - a que tenha uma postura semelhante face à avaliação do trabalho dos meus colegas. Sozinho não sou nada! Sozinhos não temos conseguido coisa nenhuma!

Nem entendo o choque que estas afirmações costumam causar. Então se eu passo um, dois, três anos à volta de um vinho, vou deixar que este entre num jogo de sorte, incompetência ou interesses quando vai a ser avaliado? JAMAIS!
Mas há quem veja no silêncio uma melhor estratégia. Nunca se sabe quando isso pode ser compensado com uma nota mais alta, com uma medalha ou até uma prestigiante chamada ao palco. Vendem a coluna, pensam eles, por uma boa causa. Tudo isto é perverso e fruto da cultura de mediocridade, demérito e futilidade em que vivemos. Conheço a qualidade dos vinhos que ando a fazer, consigo entender e enquadrar uma nota, seja boa ou má, quando entendo a forma de avaliação envolvida (mesmo que não concorde com ela).  Mas isso não significa que tenha de lamber o cu a alguém para ser recompensado com uma mais alta, que me vergue perante uma injustiça. Pior. Que me regozije quando vejo essa injustiça perpetrada ao meu vizinho. Não percebem que perdemos todos com esse baixar de fasquia, exigência e qualidade? 

Não posso (nem quero) interferir no processo crítico, mas quero fazer a minha parte para pressionar quem o faz a garantir que está perfeitamente capacitado para o fazer. È essa a minha exigência e julgo que deveria ser a "vossa" (produtores, enólogos e consumidores). Quero uma critica forte, séria, rigorosa e competente!

Que fico claro, as minhas únicas escolhas irracionais, emotivas e vitalícias são o Benfica, a Canon e a enologia.

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