3 de março de 2012

Quinta da Murta rosé 2008. Sucesso? - Parte II

Ora então… onde íamos ontem? Ah. Ok, não tinha passado do preâmbulo e aproveitei para me justificar de uma situação ocorrida há coisa de 6 anos! Mente sã, esta minha!
Prossigamos então:
Ensaiámos em 2006 um rosé de sangria. Em 2007 não fizemos nada e em 2008 havia uma pequena janela que me permitia experimentar qualquer coisa. A medicação tinha chegado ao fim e na minha cabeça começaram a formar-se aquelas nuvens de ideias que muitas vezes não me deixam dormir, mas acima de tudo não me permitem ter uma vida tranquila, regular, normal.
Lembrei-me que nunca tinha provado um rosé de barrica e apesar de muitos me chamarem maluco na frente e atrasado mental nas costas lá arranjei 3 barricas velhas, em bom estado para por a fermentar duas tourigas e um syrah.
Aqui, só a touriga da quinta era de prensa. O restante era sangria das uvas tintas que comprámos. Aquilo não passaria de um ensaio e não havia perspectivas para comercializar.
O resultado foi muito interessante, principalmente na nossa touriga. Aromática, exuberante e com a acidez amansada mas presente. Trabalho claro da barrica. As outras, interessantes sem entusiasmar. Era vinho que provinha de uvas mais maduras e a frescura não era nem parecida.
Para resumir foi assim:
Loteei as tourigas numa cuba pequena e fui fazendo batonage. A syrah deixei de lado pois achei que não adiantava muito ao conjunto.
A vida nas empresas nem sempre se rege pela lógica, muitas menos pelas vontades, por isso bastas vezes temos de deixar para trás umas coisas para beneficio de outras. Este vinho foi mostrando provas de estar muito bom até que tive de estar longe dele durante algum tempo. Quando voltei  estava completamente azedo. Pena, mais uma boa experiência fracassada.
A barrica de syrah foi ficando esquecida. Atestada e corrigida, acompanhada qb e provada muito raramente, sempre sem grandes prestações.
Até que em Novembro passado o vinho me deu uma prova que me maravilhou. Época de castanha assada, lembrei-me que a cor atijolada do vinho poderia ser interessante na sobremesa com as castanhas. Na prova, devo dizer que uns aromas de couro intenso, que atribuo mais a um prolongado estágio em madeira do que a qualquer contaminação microbiana. Passado isso, temos aromas de fumado e na boca uma manteiga muito bem integrada que fez as delícias ao acompanhar as ditas castanhas.
Ganhei admiração da família pela apresentação de algo diferente, que casou bem com a ocasião e que se mostrou alternativa para quem, como eu, não vai muito à bola com o doce nos vinhos (Madeiras e Portos fora desta apreciação)
A pergunta que coloco hoje é esta. O que raio vou eu fazer com aquilo? Engarrafo e vou mamando aos poucos? Engarrafo e vendo a preços que justifiquem a diferenciação e o trabalho? Deixo-me de merdas e mando aquilo tudo fora?
O que recomendam?





5 comentários:

Jorge Nunes disse...

Quando é que provamos isso :)

Hugo Mendes disse...

logo que queiras.... quando nos voltamos a encontrar mesmo? lol

airdiogo disse...

Oferece mas é isso. :)

airdiogo disse...

E foi pena as Touriga terem-se perdido..

Hugo Mendes disse...

è assim a vida. uns dias ganha-se. outros dias não!