24 de fevereiro de 2014

Um dia simples



Inauguro aqui uma nova etiqueta à qual chamarei diário.  Serão pequenos retalhos que espero, possam entreter quem lê e dar uma melhor ideia do dia-a-dia deste que vos escreve.
Não se assustem... não terão cadência diária, nem relatarei idas à casa de banho! Sairão só quando se justificar!  


Querido Diário,

O tempo é o de preparar as bases de espumante* para a tiragem. Estou neste momento às voltas com a base do  Murta Rosé  2013.

Para além da base, propriamente dita, aquela que resulta do esquema de vinificação usado desde a vindima, tenho um pequeno ensaio que difere, essencialmente, no tempo de contacto pelicular antes da prensa, resultando num vinho com menos cor e menor complexidade aromática. Essencialmente, notam-se menos os frutos vermelhos e a estrutura é mais delicada. O esqueleto acido está lá e é o mesmo, mas muito mais evidente na base menos extraída.
Este vinho originará, não mais de 100 garrafas, onde pretendo um estágio prolongado.
Relembrem que, uma das combinações que faz estes vinhos, algumas vezes, raiarem a perfeição, é precisamente a simplicidade absoluta dos vinhos base aliada a tempos de estágio muito longos.

Vou propor ao produtor que as garrafas de ensaio não saiam dos stocks (Alguns terão de ir para a garrafeira dos enólogos, para elemento de estudo dos meus sucessores). Assim, vocês poderão, mais tarde, quem sabe, ter o prazer de serem felizes detentores destas raridades!

Depois... análises disto. Daquilo e daquele outros!
O normal, para um dia simples!

*Nome dado ao vinho que é usado para fermentar novamente, dentro da garrafa para originar as tão amadas bolhas.

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