20 de julho de 2014

Revisitando posts - Enólogos Consultores


Talvez pouca gente saiba, ou se recorde que, quando comecei a escrever aqui, fi-lo de forma anónima. Já não me lembro bem porque assim foi. Talvez um fundo daquele medo disforme que, constantemente, nos cala a todos!
Assinava  como Wizarap, resultante da abreviatura do nome do blog, pois a minha imaginação não dava, não dá, para muito mais que isso, no que à criação de nomes diz respeito!

Assim foi até escrever um post que intitulei Enólogos Consultores. Achei que seria uma cobardia não o assinar e que, a sua leitura perderia força e sentido reflexivo. Desta forma, não só passei a assinar todos os posts como ainda cometi a heresia de mandar o texto para a Revista de Vinhos (RV) que, para meu espanto, o quis publicar na secção "Correio do Leitor" (pp 20 e 21 da edição nº232 de Março de 2009). Ganhei, inclusivamente uma garrafa que fiz questão de partilhar com outros enólogos.

Porque escrevi eu aquilo?
Naquela altura, o João Paulo Martins tinha um espaço de opinião na RV e numa das crónicas falou sobre, precisamente, os enólogos consultores.
Fiquei um pouco revoltado com o sentido que ele deu ao texto e achei que deveria colocar o dedo na ferida. Foi o que fiz!

Os resultados foram muito giros para alguém que tinha começado há pouco tempo a trabalhar na área (2 anos) e era, completa e absolutamente anónimo e inócuo (ainda sou, com a graça de Deus).
De salientar que o impacto se deu com a publicação da "carta" na revista. Recebi telefonemas, mais de apoio do que de oposição (inclusivamente do consultor da casa onde trabalhava!). Era apresentado como "o gajo que escreveu a carta da RV" nos simpósios que as marcas de produtos enológicos fazem para enólogos. Senti que muito enólogo se viu representado no protesto, mas, para além de umas palmadinhas nas costas, não surgiu mais nada. Não surgiu resposta dos visados, não surgiu apoio dos "revoltosos". Nada, apenas o silêncio normal e cobarde que reina neste sector. Ninguém quer perder posições, ninguém quer arriscar dar um passo atrás. Confesso que tive ilusões. 

Confesso que me desiludi!

Ainda não estou certo se foi um acto de coragem ou da mais profunda imprudência. Tenho duvidas se foi benéfico ou prejudicial para a minha carreira profissional. Que a afectou, tenho certeza!

O post em si, dividi-o em duas partes. Uma caracterização que, quando analisada aos dias de hoje, acho que pecou por ligeira e branda. O post era dirigido à super classe de enólogos consultores, aqueles que assumem muito mais do que podem cumprir, acabei por dar um sentido demasiado generalista que colocou toda a gente no mesmo saco. Hoje apontaria sem dúvida mais pecados e, de forma mais violenta. Mas talvez separasse ainda mais as águas. Na segunda parte do post, tentei fazer um pouco de futurologia. Penso que ainda é cedo para afirmar que errei, mas o caminho não nos está a levar no sentido das minhas previsões.
Pretendo, num próximo post, rever esta parte!

Em suma, foi, talvez, o post mais importante que escrevi, principalmente pelo confronto interior que provocou. Pelos dilemas, pelo risco, pela exposição, pela gestão do medo a que obrigou, pela vitória dos valores face à prudência. Pela forma como permitiu ter chegado até aqui!




2 comentários:

Anónimo disse...

Olá Hugo
Só por curiosidade, qual foi a resposta do sr. Luís Lopes ou alguém da revista?
Nessa altura não era leitor da RV...
Obrigado
Ricardo

Hugo Mendes disse...

Olá Ricardo,

Respondeu o que lhe competia responder.

Basicamente que temos de separar o trigo do joio. Há enólogos que merecem mais do que têm e outros que têm mais do que merecem.
Acredita (ou acreditava à altura) que o mercado iria fazer essa distinção!