25 de outubro de 2012

Inspira Portugal Touriga Nacional – Post IV

Publicações precedentes: Post I (o conceito); Post II (a casta); Post III (Apreciação dos vinhos) e lista de vinhos.
Foto de Pingus Vinicus
Chegada é a hora de tirar conclusões sobre esta prova. Digo-vos já que não tenho muitas, nem tão pouco concretas. Para ser franco tenho mais novas hipótese do que conclusões "cientificas".
Antes de prosseguir quero deixar bem claro que as formulações que se seguem são válidas apenas para o universo das referências disponíbilizadas e não podem ser tomadas como expressão do todo. São também fruto do momento em que os vinhos foram provados, não havendo nenhuma garantia de que as constatações se mantivessem caso a prova se realizasse de uma outra forma. Para finalizar, não esquecer que são percepções de uma única pessoa com toda a falência que tem o facto dessa pessoa ser eu.

Muito bem, as conclusões:
(1). Ao jeito dos meus próprios desafios, os 5 adjectivos que melhor ME servem para descrever as  sensações mais fortes que tive com esta casta são: delicadeza, intensidade, frescura, profundidade e complexidade.
(2). Noto uma forte sensação do álcool na maior parte dos vinhos que se confirma com a leitura do rotulo. Não que torne o conjunto desagradável  mas briga um pouco com a sua delicadeza.
(3). Notei, de uma forma geral, mas com maior intensidade nas zonas onde a casta apresenta um perfil mais fino, uma dificuldade no casamento com a madeira. Tal como expliquei no Post III, há um vazio entre a madeira e a casta provocada pela sua falta de estrutura. Há também nessas zonas uma tendência para uma sensação ligeira mineral que me remete à frescura. Troca-me os sentidos senti-la misturada com os quentes e doces da madeira especialmente a nova. 
(4). A distribuição dos vinhos pelo território nacional mostrou-me algo curioso. Há perfiz que se assemelham ao longo das regiões, tal como previa. Contudo, nada perto da hipótese inicial. Pensei que haveria mais heterogeneidade, ou seja, que se notassem diferenças regionais muito fortes com semelhanças muito mais fracas. Ora bem,  aconteceu precisamente ao contrário. As variações regionais, existem, são de facto marcantes e diferenciadoras, em especial nas  mais interiores, mas, as semelhanças são também muito fortes, especialmente Beiras(!), Tejo, Lisboa (?), Setúbal e Algarve. Nas restantes há marcas  que ajudam a identificar a origem. Maior poder no Dão, maior delicadeza no Douro, mais maduro no Alentejo e mais rústico em Trás-Os-Montes.
(5). Nos vinhos provenientes de zonas perto do litoral, sinto maior intensidade da mineralidade (ás vezes a puxar para o metálico) descrita no ponto 3 com as consequências referidas.
(6). Fico com duvidas de que os vinhos desta casta sejam apropriados para consumir enquanto jovens, visto ter ficado com a forte sensação de que a coisa ainda não estava harmoniosa. Especialmente o carácter mais ou menos ligeiro dos herbáceo e casamento com a madeira que, na grande maioria, pedia garrafa e descanso, na esperança de desabrocharem nos cereais que tanto me agradam nestes vinhos com alguns anos de cave. O Quinta Mendes Pereira 2005, proveniente do Dão, foi o vinho mais velho em prova e, seguramente dos que mais me surpreendeu por apresentar já muitos traços dessa evolução positiva. Este facto ajuda a corroborar, sem provar, esta tese.
(7). Senti que estes vinhos merecem uma abertura bastante antecipada e algum arejamento, mesmo entre os de colheitas mais recentes. 
(8). Não estou certo que o maior potencial desta casta se veja em vinhos monocasta. Entendo, contudo, que será sempre um excelente contributo num lote onde exista uma casta esqueleto que confira a estrutura que ela não tem naturalmente.Entendo muito bem aquilo que o Paulo Coutinho referia como necessidade de a casar com uma casta mais estruturante. Estou plenamente de acordo.
Por enquanto é isto!





4 comentários:

eckertsan@google.com disse...

Hugo, muito obrigado pela iniciativa e pelo esforço. Abraço Peter

enófilo militante disse...

Um oportuno, competente e louvável trabalho. Parabéns!

Hugo Mendes disse...

caro Peter, Muito Obrigado, o seu apoio é muito importante!
Abraço
HM

Hugo Mendes disse...

caro Francisco,
Sinto-me bastante lisonjeado com o seu comentário.
Muito Obrigado.
HM